Entrevista - Diário da Região


Diário da Região: O que o motiva nesta candidatura à Câmara Municipal?

Esta é a minha terra, foi aqui que nasci, é aqui que trabalho e foi aqui que escolhi educar os meus filhos.
No entanto acho que muito está por fazer, em especial nos últimos anos, em 2007 a dívida da Câmara era de 50 milhões de Euros, agora ultrapassa os cem milhões, pergunto, para onde foi este dinheiro?
50 milhões de Euros é muito dinheiro!
Que obra tem a Câmara para apresentar neste mandato?
Nenhuma, lamento dizê-lo mas foram quatro anos perdidos.
Se não queremos perder mais tempo, urge mudar.

DR: Qual é o resultado mínimo que considera aceitável obter?

O melhor resultado de sempre do PS.

DR: Do programa eleitoral do PS, tendo em conta o quadro de dificuldades, quais as prioridades?

A dinamização em torno da baía, aumentando a qualidade de vida e criando empregos nos setores secundário e terciário.
Para isso propomos a recuperação do porto da Siderurgia Nacional, a instalação de unidades hoteleiras no concelho que possam servir os turistas que visitam Lisboa e a instalação dum corredor verde, com passeio pedonal e ciclovia, que una toda a Baía, da Ponta dos Corvos ao Rio Coina. Numa segunda fase, o corredor verde será alargado da baía do Seixal à Lagoa de Albufeira, o nosso programa perspetiva o concelho a doze anos.
Ao longo do corredor verde serão instalados centros de ciência viva, centros de interpretação, abrigos para observação de aves, esplanadas, ancoradouros, parques infantis e equipamentos de ginástica.
É claro que na atual conjuntura isso apenas é possível com a participação e boa vontade do Governo e empresários. Tal não é possível com o PCP que por definição rejeita a iniciativa privada e adota com o Governo uma postura de permanente confrontação e isso tem prejudicado o concelho do Seixal.
É claro que não abandonamos a luta pelo Hospital do Seixal e eu, até por defeito profissional uma vez que sou advogado, tenho uma especial atenção à questão da (in)segurança.

DR: Tem sido muito crítico em relação à gestão CDU, como acha que se chegou a uma dívida tão elevada ou o que falhou?

A Câmara Municipal do Seixal sempre foi muito rica fruto do boom da construção no concelho, logo não era necessário gerir apenas gastar, com a crise de 2007 no setor imobiliário era imperioso tomar medidas de contenção mas nada disso foi feito: Antes se avançou para o arrendamento milionário dum edifício que além do mais se revelou desajustado face às necessidades.
Qual a justificação para pagar trezentos mil euros de renda mensal por um edifício cuja taxa de ocupação das salas ronda os 20%?
Face às dificuldades e à incapacidade de gerir avançou-se pela via mais fácil o recurso ao crédito de todas as formas e feitios, desde os empréstimos de curto prazo, aos sofisticados factorings, passando pelo velho fiado.
Sabia que uma pequena loja de ferragens no Fogueteiro vendeu de tudo para a Câmara? Desde as ferragens, ao papel higiénico, passando pelo leite e ração para animais?
A explicação é simples a Câmara não discutia o preço e a loja fiava, o resultado são setecentos e cinquenta mil euros de divida, só a esta empresa, para mim este é um caso de polícia.

DR: Dada a atual situação financeira, os compromissos assumidos com o empréstimo de 40 milhões, haverá nos próximos mandatos espaço para investimento em obras da própria autarquia?

O mais importante numa organização são as pessoas, não o dinheiro. As e os trabalhadores da Câmara Municipal do Seixal são o seu melhor ativo que, se bem enquadrados e com os meios adequados podem produzir imenso.
Temos ideias, se tornarmos o nosso território atrativo, isso terá reflexos na capacidade de arrecadar receita, logo na capacidade de investimento também.
Por outro lado o mundo mudou, os parceiros da Câmara Municipal do Seixal têm que entender isso, nós iremos renegociar as rendas dos edifícios municipais e isso pode representar uma importante poupança.
No entanto é evidente que a herança deixada é bastante pesada.

DR: E se o Tribunal de Contas chumbar o empréstimo de 40 milhões?

O plano de saneamento da autarquia deverá ser reformulado este é, infelizmente, o cenário mais provável. O PS quis ajudar e envolver-se no programa, a maioria CDU entendeu que o assessor que contratou para este efeito no Grupo Parlamentar do PCP chegava. Vamos ver… Na minha opinião não haverá qualquer empréstimo nos próximos meses.

DR: Se for eleito, como pensa chamar mais empresas para o concelho?

Para começar diga-se que o PCP, por definição, tem sempre um relacionamento difícil com a iniciativa privada, parto pois com vantagem nesta matéria.
Por outro lado eu próprio fui, até há dois anos, dono dum pequeno hotel no Douro, sei o que é ser empresário, falo a sua língua e essa é outra vantagem que tenho em relação ao meu adversário direto que não tem qualquer experiência profissional relevante.
Como já disse o mais importante são as pessoas, não é por acaso que integra a comissão de honra desta candidatura o meu amigo Eurico Dias que foi, até ao ano passado, administrador da AICEP com o pelouro da internacionalização das PME e é neste momento o coordenador para a área económica do Partido Socialista.
Mas também defendo que a nossa vida é feita das pequenas coisas, comprometemo-nos com coisas simples, o Parque Industrial não tem um Guarda Noturno, aliás o concelho não tem guardas noturnos, existem interessados, desconheço qual a razão para a Câmara não atribuir licenças. Nós vamos fazê-lo protegem-se as populações e cria-se emprego.
Por outro lado o PS tem vindo a defender a isenção de derrama para empresas com volume de negócios até 150.000€ ou que criaram empregos no último ano, trata-se de proteger o pequeno comércio e estimular a criação de riqueza.
Reveremos as taxas no que se concerne à publicidade exterior a atual taxa é demasiado onerosa e a publicidade também ajuda a criar riqueza.
Mas fundamentalmente o nosso plano de valorização da baía visa, justamente, a criação de riqueza e nessa medida da criação de emprego, não o perderemos de vista, é um imperativo nacional.

DR: O custo da “máquina” autárquica poderá no futuro, levar ao despedimento de pessoas?

Não!
A redução de funcionários da Câmara Municipal far-se-á naturalmente através do processo das reformas.
Nenhum funcionário será alvo de despedimento, isso posso garantir.
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