Carta Aberta a José Torres


Exmo. Sr. José Torres,

Tomei conhecimento dum artigo assinado por si, sob o título, “As coletividades não são clientelas” onde sou diretamente visado, que contém várias incorreções e que me cita truncando no entanto as minhas palavras, pelo que me cumpre repor a verdade.
Contextualizando compete-me informa-lo que a CM Seixal é, neste momento, a terceira Câmara mais endividada do país, com um passivo que ronda os 135 milhões de euros, para um orçamento na ordem dos 65 milhões!
 A título comparativo refira-se que a dívida grega corresponde a 150% do seu orçamento anual e a dívida do Seixal ultrapassa os 200%.
 Penso que estes números dão bem a noção de quão grave é a situação.
Mas para a melhor ilustrar posso fornecer-lhe outros números que, apesar de publicados na imprensa nacional, talvez ignore: A CM Seixal deve 12 milhões de Euros à EDP (não paga à 24 meses), 8,8 milhões à Simarsul (apesar de já nos ter cobrado este valor na fatura da água, na denominada taxa de tratamento de efluentes), 2,9 milhões de Euros à Eurest, referente ao fornecimento de refeições nas escolas, com quem fez um acordo de pagamento em Fevereiro, (tendo neste momento vencido-se 5 prestações sem que nenhuma tenha sido paga), 2,1 milhões à Amarsul (os munícipes também já pagaram este valor na fatura da água) e poderia continuar indefinidamente, passando naturalmente pelas dívidas às coletividades que apenas este ano viram regularizados os apoios de 2010 e que apesar de estarmos já a meio do ano de 2012 continuam credoras das verbas referentes ao ano passado.
A situação financeira da CM Seixal é, portanto, caótica e nada tem a ver com o Governo ao contrário daquilo que os seus responsáveis nos querem fazer crer, antes pelo contrário. Se analisarmos com atenção as contas da CM Seixal vamos verificar que desde 2007 as transferências efetuadas pela administração central cresceram 5% todos os anos (o máximo permitido) e que o facto de não serem pagos os subsídios de férias e 13º mês criou, no orçamento municipal, uma folga de mais de 4 milhões de euros.
Neste quadro de grande dificuldade, a minha intervenção que refere, foi feita quando se discutia uma alteração orçamental onde eram retirados cerca de 800.000 Euros ao investimento em escolas apoiado pelo QREN.
Refira-se a este propósito que no concelho do Seixal faltam construir mais de 30 escolas (dados da carta educativa municipal) e que este é um dos poucos concelhos do país onde ainda (contra as indicações do Ministério da Educação) subsiste o turno duplo, isto é crianças que frequentam a escola primária apenas de manhã ou de tarde.
Assim o que eu disse foi que ao retirar 800.00€ de comparticipação municipal aos projetos de requalificação do parque escolar a Câmara estava a perder os 65% de comparticipação do QREN para estes projetos, ou seja a Câmara mandou “fora” com esta decisão 1.600.000€ (um milhão e seiscentos mil euros).
Destes 800.000€, quinhentos mil destinaram-se ao movimento associativo e o restante foi para telemóveis... Mas deste pormenor a sua “fonte” também não o informou, ou pelo menos, tal facto, é por si omitido!
Acontece que este montante destinado ao movimento associativo acresce ao já orçamentado e assim pergunto eu, se a CM Seixal não tem capacidade para pagar o que já estava orçamentado, como é que vai pagar mais estes quinhentos mil euros?
É que, na minha opinião, se a Câmara não tem dinheiro mais vale não prometer o que não pode cumprir, é que criando estas falsas espectativas nas direções associativas está necessariamente também a criar problemas que todos vocês tão bem conhecem.
Quanto às clientelas há as dos telemóveis e há as do movimento associativo, é que se há utilizadores  e dirigentes conscienciosos também os há dos outros, é assim na vida, é assim no Seixal,  e foi assim no Alto do Moinho, como bem sabe, só lamento é que lhe tenha servido a carapuça.
Por último não posso deixar de referir que acho lamentável que tenha trazido para o combate político o nome do Clube que superiormente dirige, o CCRAM e os seus associados não mereciam isso.

Samuel Cruz – Vereador da Câmara Municipal do Seixal   

4 comentários:

José Geraldes disse...

Parabéns Samuel. São estas respostas que os acólitos de sua santidade a Câmara precisa de ouvir. Urge criar um contra poder à propaganda bacoca e populista do pcp camarário e seus apêndices. Ao cheiro pestilento dos leonardos e dos torres deste Concelho, emanemos o cheiro da alternativa a este poder bafiento e corrompido.
Contra a demagogia,contra a irresponsabilidade, marchar marchar.

Anónimo disse...

Obrigado Vereador Samuel Cruz por este excelente texto que nos dá a necessária informação do estado ruinoso das finanças da Câmara do Seixal que o seu Presidente Alfredo Monteiro tanto teima em esconder da população.

Anónimo disse...

Gostava de saber quantos duodécimos estão em dívida pela CMS às Freguesias ?

Anónimo disse...

É necessário identificar o polvo e seus tentáculos, promover uma auditoria financeira e esclarecer que uso tem sido dado aos dinheiros dos contribuintes e, neste particular, às contribuições dos munícipes.
Sendo tão elevados os recursos disponíveis o que justifica o descalabro financeiros?

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