Para quem é bacalhau basta
Por José Assis

Para quem é bacalhau basta <br>
Por José Assis<br>
SeixalEste governo mandou parar o arco ribeirinho sul, a terceira travessia do tejo, equipamentos como o Hospital do Seixal, e não sabe como lidar com o Porto de Sines. Como rebuçado quer agora um consenso entre os partidos para a construção de um apenso à BA do Montijo, em modo "low-cost". Uma visão pequenina para uma base aeroportuária pequenina. A visão do dinheiro guardado no colchão e do miserabilismo do antigamente.

1. Depois de assumir que os investimentos públicos no distrito parariam, usando e abusando da "cassete troika" este governo vem apresentar um aeroporto "low-cost" que serviria de apenso à BA do Montijo. Um síntese perfeita do que este governo pensa para o país e para o distrito de Setúbal. Um infraestrutura de baixo preço em apenso a uma que já existe. Resta que o governo escreva na proposta : "e é se quiserem pois para quem é bacalhau basta."

A atitude de tratar, de modo menor , as populações avoluma com as propostas deste governo. Uma atitude que está no seu ADN. Coisas austeras, pequeninas, pouco ou nada social democratas, pouco ou nada democratas cristãs.

A execução, dessa infraestrutura, implicaria um sinal de renuncia aos investimentos públicos que o distrito merece e um baixar de braços de resignação a que este governo já nos habituou. Traria, para esta margem do rio, o registo do estigma periférico que, ao longo de décadas, se foi cultivando ou tentando cultivar e que é tempo de virar. Este governo mandou parar o arco ribeirinho sul, a terceira travessia do tejo, equipamentos como o Hospital do Seixal, e não sabe como lidar com o Porto de Sines. Como rebuçado quer agora um consenso entre os partidos para a construção de um apenso à BA do Montijo, em modo "low-cost". Uma visão pequenina para uma base aeroportuária pequenina. A visão do dinheiro guardado no colchão e do miserabilismo do antigamente.

Silva Lopes, pasme-se ou não, disse que a insistência germanica na austeridade será o caminho da desgraça. Stiglitz assumiu que se a europa continuar neste caminho de austeridade será o seu suicídio . Martin Schulz diz confiar que a UE mude de estratégia rumo ao crescimento e ao emprego. Cavaco Silva já percebeu que o ciclo é novo. Os franceses já deram um sinal de mudança nas eleições francesas, na primeira volta. Só o governo português parece não querer entender que o ciclo já mudou e teme-se que os últimos guardiões do ultraliberalismo "merkeliano " com propostas pequeninas e sem ambição sejam os governantes portugueses.

2. Cavaco Silva escolheu a "imagem de Portugal no mundo e na Europa" como tema da sua intervenção comemorativa do 25 de Abril. Com esse tema regressou ( entenda-se regrediu) 30 anos no discurso e na atitude. Cavaco parece-se ter-se esquecido que aquela velha ideia dos portugueses pequeninos face aos outros europeus já morreu. Hoje as gerações, incluindo a do presidente, sentem-se tão europeias como quaisquer outras nacionais de outros países da UE. Cavaco deu assim um ar muito triste e enganador do que se passa em Portugal. E quis incutir a depressão e o complexo numa conversa enganadora de esperança. É tempo de dizer ao presidente que os anos da sua governação e da sua presidência permitem e são mais do que suficientes para nós o conhecermos. Cavaco exibiu, mais uma vez, os seus complexos de provinciano. Mas deu o ar que marca o governo actual.

A contrapor Sarkozy disse uma coisa extraordinária: a comunidade portuguesa não deve ter receio das medidas contra a imigração em França pois não afectarão os portugueses. Sarkozy, hungaro de descendência, não vê os portugueses como cidadãos da UE de pleno direito e para com eles tem um ar paternalista de excepção dessas medidas. Em Portugal as autoridades não protestaram face à atitude retardada, no tempo, de Sarkozy. Da presidência da república nem uma palavra, o silêncio foi total e nem o entusiasmo do discurso do presidente sobre a nossa posição no mundo e na Europa o embalou para uma reacção à provocação de Sarkozy. Mais uma vez a música do Sérgio Godinho. "Para quem é bacalhau basta ".

José Assis

Sem comentários:

Google