Discurso de apresentação da candidatura de Madalena Alves Pereira a Presidente da Federação Distrital de Setúbal do PS

“Não há qualquer novidade se referir que num partido político democrático, a razão de ser da militância é conquistar o poder para realizar o interesse comum. O PS não é excepção a esta regra, muito pelo contrário.” – sublinhou Madalena Alves Pereira, candidata à presidência da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, ontem, na apresentação do seu manifesto.

“Às demagógicas palavras de alarme social, de desconsideração vã, de imobilismo conservador próprio das gestões comunistas, teremos de saber contrapor a prática construtiva, a alternativa, a esperança.” – refere a candidata.
Divulgamos o texto integral da intervenção de Madalena Alves Pereira, na apresentação do seu Manifesto para Ganhar o Futuro:

Minhas Caras e meus Caros Camaradas, meus amigos

Não posso, deixar de recordar, neste momento, outro grande Presidente de Federação, amigo querido, companheiro de tantas lutas e tropelias, cujo nome foi dado a esta sala como reconhecimento da sua acção e memória: Aires de Carvalho.

Provavelmente, sem a alegria contagiante do Aires e a sua determinação o meu gosto pela política, ter-se-ia desvanecido e hoje não estaria aqui. Porém, hoje estou aqui para dizer, clara e inequivocamente, que sou candidata à Presidência da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista.

Sou candidata a um órgão uninominal, uma eleição individualizada, nunca esquecendo que só pude aceitar este honroso desafio, porque contei sempre, porque conto sempre com uma magnifica equipa, não de apoio, mas uma equipa de camaradas, de amigos, na qual me integro e com a qual temos feito uma caminhada juntos, buscando e defendendo aquilo que julgamos ser justo e ser o melhor para o Partido, para o País, para o Distrito, para a região, para os nossos concelhos e freguesias. Fazemo-lo com frontalidade, com perseverança, com respeito pela legitimidade democrática de cada órgão, com consciência dos desafios que podemos ou não assumir, com espirito republicano, de renovação, de transformação, de mudança.

Nesta equipa já tão vasta, nesta história de muitas mãos, de muitos rostos e de várias idades, há dois jovens - e sim jovens porque descobri que no universo da política, em rigor, pode-se ser jovem até aos quarenta -, há uma saudação muito especial e afectuosa que tenho de dirigir a dois militantes em particular: ao Luís Ferreira e ao Paulo Lopes. E aos dois quero agradecer pela ousadia das suas candidaturas há dois anos atrás a este mesmo cargo ao qual agora me proponho.

E quero agradecer ainda mais, a generosa hombridade de neste momento, neste novo ciclo que também estamos aqui a iniciar em Setúbal, proporem-se confiar em mim, por entenderem que reúno melhores condições para assumir este desafio, de mobilização, de mudança, de renovação e de unidade. É preciso ser-se muito grande, ser-se inteiro, nas palavras do poeta, para assumir estes gestos e estarem hoje aqui a meu lado, a nosso lado, neste combate. Do fundo do coração, bem hajam. E do fundo do coração porque a politica também é feita de afectos.

Em nome desta candidatura que protagonizo, quero dizer-vos que somos quase todos militantes comuns. Excepção feita aos nossos Presidentes aqui presentes, ao Torres Couto, ao Carlos Trindade, ao Fonseca Ferreira e alguns outros, nada de extraordinário nos identifica, nada de muito relevante teremos feito na vida politica nacional. Somos, quase todos, militantes de base e temos orgulho nessa condição, nesse estatuto. Por essa razão, temos, quase sempre, uma relação privilegiada com as populações dos territórios onde politicamente intervimos. Somos cidadãos comuns, que enfrentam o quotidiano, sentindo na nossa esfera pessoal, familiar ou profissional, no nosso circulo de amigos, as consequências desta crise económica, financeira e em particular no nosso distrito, social.

Partilhamos o gosto e a apetência pela actividade politica, pela vontade de ter e exercer poder para realizar o bem comum, o republicano interesse de todos que tem de ser alcançado, por todos e para todos.

Por vezes, quando olho para muitos daqueles que nos últimos anos têm estado nestes projectos de afirmação e de mudança de uma nova forma de fazer política, recordo os homens que os versos de Sophia Mello Breyner tão belamente retratam:

“Os que avançam de frente para o mar/ E nele enterram como uma aguda faca/ A proa negra dos seus barcos/ Vivem de pouco pão e de luar”.

Para todos eles e para todas elas, para todos vós, o meu agradecimento e reconhecimento pela oportunidade, pela honra, pelo orgulho que hoje me proporcionam. Tudo farei para estar à altura e não vos desiludir.

Meus Caros Camaradas

Não há qualquer novidade se referir que num partido político democrático, a razão de ser da militância é conquistar o poder para realizar o interesse comum. O PS não é excepção a esta regra, muito pelo contrário. No PS, há quase quatro décadas que milhares de militantes, mas também de simpatizantes, se têm empenhado na construção de um país melhor, mais justo, mais solidário, mais igual para todos e este é o desafio que todos os dias se renova.

Hoje, em Portugal e no mundo, vive-se uma conjuntura excepcional que interpela muitos dos pressupostos da esquerda democrática. O modelo neo liberal que vingou em muitos países revelou, à saciedade, a fragilidade das soluções políticas e económicas assentes no funcionamento do Mercado. Hoje mais do que nunca, os povos têm consciência da necessidade da intervenção reguladora dos Estados como forma de assegurar os princípios mínimos de uma existência digna e solidária para todos os cidadãos.

Hoje, por todo o mundo, a exclusão social nas suas múltiplas formas, e o desemprego constituem as principais prioridades de qualquer Governo. Portugal e o nosso Distrito não são excepções. Estamos a viver um momento único na história contemporânea. De exigência, de esforço, de austeridade, em algumas matérias absolutamente incompreensível.

E é também por isso que readquire toda a importância e actualidade o ideário Socialista cujo modelo de desenvolvimento económico assenta na conjugação do crescimento, da inovação, do imperativo ecológico, da criação de emprego, da protecção social. Não na austeridade e na recessão, aparentemente tão ao gosto liberal.

Se olharmos para o nosso passado recente, as linhas directivas dos Governos Socialistas foram muito claras na defesa e implementação de um projecto de modernidade e de futuro, de aposta no apoio à inovação, nas medidas de protecção social e de apoio à família, como as leis da parentalidade, a disseminação das creches e as unidades de cuidados continuados, a aposta no emprego e na qualificação de pessoas, através de programas como, por exemplo, as novas oportunidades.

A reforma do ensino, feita de forma estruturada e consequente, premiada na Europa e reconhecida pelos agentes económicos e sociais do país, permitiu a recuperação do ensino técnico-profissional, a introdução das novas tecnologias na aprendizagem, entre outras acções.

A aposta nas energias renováveis que nos coloca a nós, Portugueses, como um povo líder no Mundo no aproveitamento energético; o investimento nas infra-estruturas de comunicação, portuárias, terrestres e ferroviárias; as reformas na função pública, com vista à dignificação e valorização de carreiras profissionais; a intervenção influente e respeitada no Espaço Europeu e Internacional, onde pontuaram o Tratado de Lisboa e a Cimeira da Nato; a qualificação do emprego, com introdução de formação obrigatória para qualquer trabalhador, , etc, etc, etc. Tudo foi obra dos Governos PS.

Infelizmente, todos sabemos que os objectivos desejados não foram completamente alcançados mercê de vários factores, muitos alheios ao executivo nacional, como foram a crise mundial e a interdependência de todas as economias a uma escala global. Mas houve sempre uma clara determinação do nosso Governo em prosseguir, com perseverança e tenacidade, exemplo inspirador que nunca podemos perder de vista. Existiram erros, é certo, mas houve sempre muita determinação em construir um país mais justo, mais moderno, mais desenvolvido.

E importa recordar aqui, em Setúbal, o projecto de modernidade e de futuro que estes últimos Governos Socialistas lançaram com o Arco Ribeirinho Sul, a Terceira Travessia, a Plataforma Logistica do Poceirão, a decisiva aposta no Turismo no litoral alentejano, as infra-estruturas portuárias, em especial de Sines, o Novo Aeroporto de Lisboa, a par da requalificação de escolas e da instalação de novas unidades de saude familiar entre tantas outras marcas.

E recordando tudo isto não deixamos de sublinhar que ainda assim o nosso projecto político, capaz de assumir expressão significativa em eleições legislativas, não tem tido o mesmo impacto em termos autárquicos. Ora, essa tem de ser a principal missão, o principal objectivo da estrutura federativa. Agora, em véspera de eleições, mas em qualquer outro momento.

O PS é um partido de militantes, de bases e de quadros, cujos saberes e experiências múltiplos têm de estar sempre ao serviço da comunidade. São estes recursos preciosos que a estrutura federativa tem de potenciar e colocar ao serviço comum, de todo o Partido, partilhando informação, incrementando conhecimento, disponibilizando acessos e contactos para assegurar uma verdadeira e real rede de apoio à acção e formação politicas.

Dentro de um ano, o acto primordial em democracia, o acto eleitoral autárquico, terá lugar, num contexto muito especial com a renovação obrigatória de muitos actuais Presidentes de Câmara e de Juntas de Freguesia, de novo uma marca do espirito republicano socialista.

É, por isso, urgente a definição de uma estratégia comum, mobilizadora e ganhadora para afirmação e concretização do nosso ideário caracterizado pelo respeito democrático das forças politicas, pelo empenho nas soluções socialmente justas para todos, pela constante preocupação com o desenvolvimento económico das comunidades, assente em políticas de território e de ambiente sustentadas e ordenadas.

Em 2013, a proposta autárquica do PS e dos seus eleitos terá de passar pela inovação dos métodos de relacionamento dos eleitos e dos eleitores, para melhor identificação das expectativas destes e mais eficaz resposta daqueles. Temos de ter sempre presente que Portugal é um estado de direito democrático que elege como objectivo constitucional, entre outros, o aprofundamento da democracia participativa. Esta, está para lá da representação que o acto eleitoral valida, porque o direito de voto não esgota o sistema democrático e as decisões públicas, cada vez, mais são o produto da discussão e participação popular que suscitam. E serão tanto mais ricas e eficazes quanto reflectirem a ponderação dos interesses de todos os envolvidos que participaram directamente na definição do problema e da sua solução. Daí a importância dos orçamentos participativos, dos reais orçamentos participativos ou de figuras como o Provedor do Munícipe.

Em 2013, a proposta autárquica do PS terá de transportar em si a marca da promoção de novas politicas de investimento publico, garante de dinamização das economias locais e de desenvolvimento da região.
A proposta autárquica do PS terá de acreditar nos seus eleitos, homens e mulheres de bem, que aceitam o desafio de representarem ao longo dos seus mandatos os valores socialistas e os programas de acção politica sufragados. Estes nossos agentes de proximidade, zeladores da aplicação prática do nosso ideário tem de ter a atenção, o apoio, a coordenação, a integração em equipa mais vasta do que a freguesia ou o concelho, para maior eficácia, maior unidade e melhor identidade de propostas e politicas.

Não podemos continuar a viver isolados na esfera do órgão autárquico a que pertencemos ou na concelhia onde nos integramos. A mensagem do PS não pode ser uma no Montijo, outra em Alcochete e ainda outra em Palmela ou em Sines. A articulação, a organização de métodos e meios constituem, cada vez mais e num mundo global, instrumentos muito úteis que têm de ser incentivados e aproveitados, em beneficio comum.

Em 2013, a proposta autárquica do PS terá de romper, em definitivo, com os limites territoriais tradicionalmente aceites na gestão politica. A península de Setúbal está integrada na área metropolitana de Lisboa, estrutura supra municipal que abrange ainda a norte do Tejo, concelhos integrados na FAUL e na FRO. A coordenação e intervenção politicas têm de ser feitas a esta escala de partilha de responsabilidades, impondo também aqui uma definição e aplicação de estratégia comum.

De igual modo, a Sul do Distrito, os concelhos do litoral alentejano, integrados na CIMAL, comunidade intermunicipal, têm como parceiro o concelho de Odemira, o que nos obriga a um diálogo concertado e cooperante com as estruturas concelhia e Federativa de Beja.

Para nós, o futuro passa por esta visão mais abrangente, mais coordenada e integrada do território das comunidades, dos equipamentos, dos recursos e, claro, das politicas de execução de projectos. É, por isso, que a proposta autárquica do PS terá de ser de defesa intransigente de medidas publicas responsáveis, éticas e transparentes.
O interesse publico e o bem comum exigem que o combate à corrupção, ao favorecimento sejam uma prática diária constante, ininterrupta e os nossos eleitos e os nossos militantes têm de constituir-se como garantes desse êxito.

A proposta autárquica do PS terá de ser o símbolo da execução de medidas sociais adequadas e sustentadas para todos e ao serviço de todos, mas em especial daqueles que estão mais vulneráveis ou fragilizados, quer pelos efeitos da crise financeira e económica, quer pelo abandono a que são votados pelos poderes locais que olham com indiferença para uma população profundamente envelhecida e carente de múltiplas atenções.

Em 2013, a proposta autárquica do PS terá de abrir portas de futuro e de modernidade. Às demagógicas palavras de alarme social, de desconsideração vã, de imobilismo conservador próprio das gestões comunistas, teremos de saber contrapor a prática construtiva, a alternativa, a esperança.

Há, como tão bem é afirmado pelo nosso Secretário-geral, António José Seguro, há, dizia, um outro futuro. E esse futuro escreve-se pelo punho do PS, dos seus militantes, dos seus autarcas.

Este é o nosso futuro e é o futuro que nós vamos ganhar!

Viva o PS !

Viva Setúbal !

Viva Portugal !

Madalena Alves Pereira

1 comentário:

Rogério Roque disse...

Com a Madalena, estou certo de que o PS voltará a ganhar credibilidade na sua acção política que no passado recente perdeu no Distrito de Setúbal. Com a Madalena todos ganharemos: O PS, o Distrito e o Concelho do Seixal.
Força Madalena, vamos á luta!

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