Não se apoia o que não se conhece

Há perto de dois anos, quando se começaram a delinear com bastante profundidade os sinais de crise generalizada, os Vereadores Socialistas na Câmara Municipal do Seixal quiseram inteirar-se do que estava a ser feito pela Câmara Municipal para ajudar o tecido empresarial local, tendo para o efeito solicitado ao Senhor Presidente uma reunião com o Gabinete de Apoio ao Empresário; reunião que nunca foi conseguida, por recusa do Senhor Presidente.

Na última reunião de Câmara, no âmbito da apresentação de relatórios de actividades a Divisão de Desenvolvimento Económico e Promoção do Turismo, que assumiu competências do extinto Gabinete de Apoio aos Empresários, informava que esta Divisão estava a elaborar procedimentos relativos à obtenção de instrumentos de apoio para levantamento, classificação e conhecimento do tecido empresarial local”.

Esta informação veio por a nu uma realidade já suspeitada pelos Vereadores Socialistas. A Câmara do Seixal não conhece o tecido empresarial local, mas também nada tem feito para o conhecer ao longo destes trinta e tal anos de poder.

A gestão comunista da Câmara do Seixal tem vivido ao longo destes anos, de tempos de vacas gordas, com receitas abundantes provenientes de sectores de actividade muito específicos e, pouco se tem preocupado em saber qual era a realidade empresarial do nosso concelho, até porque ideologicamente, falar-se da necessidade de apoiar o tecido empresarial local podia ser interpretado como uma negação da luta de classes tão cara à ortodoxia comunista.

Mesmo depois de se criar um gabinete de apoio ao empresário, nada foi feito de relevante no sentido de encontrar uma estratégia com vista ao conhecimento da realidade empresarial local como instrumento fundamental para aquilatar das necessidades, de qual ou quais os sectores de actividade que poderiam e deveriam merecer apoios específicos da parte do município, na defesa de criação ou manutenção de mais postos de trabalho, criando riqueza, mais valia e valor acrescentado no concelho e, daí poder resultar mais e melhor segurança para as famílias, mais e melhor receita municipal, através da derrama e outras taxas e, por último, poder contribuir para a riqueza nacional.

Não se peça vontade politica de contribuir para a melhoria da riqueza nacional e local a quem ao longo destes anos se tem limitado a uma postura de reivindicação. Nesse aspecto, o poder político comunista na Câmara do Seixal, mais não tem feito do que reivindicar; sem contribuir, nem vontade de o fazer, para a melhoria do tecido empresarial local que, quer se queira ou não, terá que ser um dos motores da sustentabilidade da economia local, através da criação e manutenção de postos de trabalho e criação de riqueza capaz de suportar tributação contributiva para a criação de receita pública local e nacional.

Esta situação é mais um exemplo do que tem sido a má gestão comunista na Câmara Municipal do Seixal, desperdiçando recursos financeiros com recursos humanos a quem nunca se exigiram resultados.

Percebe agora o leitor das razões porque os Vereadores Socialistas nunca foram autorizados a reunir com o responsável do gabinete? 

Por Fonseca Gil
Publicado no Diário da Região

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