Câmara encomendou sondagem em plena campanha autárquica que custou 59€ cada entrevista


A câmara do Seixal (CDU) gastou, em 2009, ano de eleições autárquicas, mais de 15 mil euros num estudo de opinião para “avaliar os problemas e as necessidades da população do município”.

Os vereadores do PS na câmara entregaram no início do ano uma participação criminal contra o presidente sobre esta matéria e agora o portal que disponibiliza online contratos públicos confirma o estudo em causa, adjudicado à Consulmark – Estudos de mercado e trabalho de campo, Lda.

O estudo dividiu-se em duas fases: agosto (9 500 euros) e dezembro (5 603 euros). Com base nas características da primeira fase do estudo, a única a que a agência Lusa teve acesso, empresas de sondagens credenciadas pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) consideraram que o preço pago pela autarquia fica muito acima daquilo que seria razoável, com uma amostra populacional muito reduzida para um concelho tão grande.

Em resposta à Lusa, a Consulmark afirmou que “praticou o preço que considerou justo”, acrescentando que “nunca foi ou será intenção da empresa prejudicar ou lesar os seus clientes”. Quanto à dimensão da amostra, perante “o tipo de trabalho pretendido”, a empresa considerou-a “adequada”.

O gabinete de imprensa da câmara do Seixal afirmou que a empresa foi escolhida “com base no currículo de larga experiência nesta área, bem como no preço praticado”.

De acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, o “Estudo de Avaliação da Atividade Municipal” propunha-se cumprir cinco objetivos: Avaliar a imagem da atual gestão autárquica, o estado de espírito da população, os principais problemas do concelho, a atuação da câmara na resolução desses problemas, e perceber as “áreas prioritárias de atuação” no futuro do concelho onde vivem, de acordo com os últimos dados do INE, mais de 180 mil habitantes.

O estudo foi feito com base em 254 entrevistas telefónicas individuais, através de “um questionário composto essencialmente por perguntas fechadas” e o trabalho de campo decorreu na segunda semana de setembro de 2009.

Quanto à segunda fase do estudo, a câmara esclareceu que se justificou “atendendo aos resultados obtidos [na primeira fase], em que as principais preocupações da população estavam situadas nas áreas da saúde, emprego e transportes”.

Perante esse cenário, acrescentou o gabinete de imprensa, “a autarquia sentiu a necessidade de alargar o inquérito a outras questões como contributo para a implementação do plano de um novo mandato autárquico”.

Embora sem ter avançado as conclusões da segunda fase do estudo, a câmara afirmou que elas “serviram como referência no estabelecimento das prioridades de intervenção da autarquia e na fundamentação da reivindicação de investimentos da responsabilidade do poder central”.

1 comentário:

José Geraldes disse...

Sócrates, perdoa-lhes que eles não sabem o que dizem.
Para além disso, este anónimo tem parcialmente razão: não é se calhar, é que este comentário está mesmo encalhado como um espinho na garganta dos desgovernantes e mandantes comunistas da CMS.
E já agora quando é que o Alfredo Monteiro começa a respeitar o Estatuto de Oposição.

Google