Recriar a esperança num periodo complexo e incerto

As eleições legislativas de 05 de Junho traduziram-se numa pesada derrota do PS e numa tripla vitória da direita (do PSD que que passou a ser o partido mais votado, facto que lhe permitiu indicar o primeiro-ministro e formar governo com o CDS, que de igual modo cresceu em numero de votos e de deputados. Também saiu vencedor o Presidente da República face à incerteza dos resultados à data em que decidiu dissolver a Assembleia da República).
A queda do PS foi generalizada nos dezoito círculos eleitorais do continente mas também nas regiões autónomas e na emigração.

O distrito de Setúbal foi um dos três do continente em que, o PS, perdendo também votos, foi porém o partido mais votado, o que porém não nos conforta.

Neste distrito houve ainda a particularidade do PCP que cresceu a nível nacional, ter baixado o número de votos no distrito, passando a ser o terceiro partido, e pela primeira vez abaixo do patamar dos 20%. O BE caiu de forma muito significativa, perdendo metade dos votos.

A transferência de votos entre os partidos no distrito indica que uma parte dos eleitores que antes haviam votado no PS optaram nas últimas legislativas por votar no PSD e no CDS, situação que fez migrar também eleitores do PCP e do BE para o PS.

Uma análise factual dos resultados eleitorais do distrito e não preconceituosa permite concluir que o PS tem assim condições para se afirmar de forma significativa no futuro.

Como é sabido, na sequência das eleições o secretário-geral do PS José Sócrates renunciou ao lugar e a todos os cargos, incluindo o de deputado, num pronunciamento de grande dignidade abrindo-se por via disso um processo interno que conduzirá à eleição de um novo secretário-geral e a um Congresso Extraordinário.

Os militantes do PS não podem nem devem alhear-se deste processo, tão importante para o futuro e para o debate das ideias já que, neste período de grave crise que vivemos, a E.U. está à deriva, dominada pelos partidos e pelos interesses da direita e a Internacional Socialista e o próprio Partido Socialista Europeu não se ouvem, ou pelo menos não têm a intervenção que deles é exigível.

Daí a prioridade que assume o reforço do ideário do Socialismo Democrático nesta “cura da oposição” que irá determinar, pelo que já se viu, um desgaste rápido da governação da direita e dos partidos que são suporte dela.

Neste quadro, de crise em que a maioria dos países que a integram se encontram a braços com problemas financeiros e económicos a credibilização da política não é tarefa de somenos e implica também respostas novas para desafios de tipo novo, como apropriadamente designei no título da moção para o último Congresso Federativo de que fui primeiro subscritor.

É com espírito de humildade que o PS e os militantes devem trabalhar para a construção do futuro, aprendendo com os erros, estudando-os e reforçando a relação com a sociedade.

É também com espírito construtivo que a federação e o seu secretariado trabalharão, impulsionando todos os mecanismos que conduzam à unidade de pensamento, pressuposto da unidade na acção dos militantes neste período complexo e incerto. Daí a necessidade de recriarmos a esperança.

Setúbal, Julho de 2011 - Vítor Ramalho







O Presidente da Federação

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