Todos temos consciência do momento difícil que o país atravessa e o trabalho que o PS terá de desenvolver como maior partido e líder da oposição. Esta deverá ser a maior motivação para todos aqueles que se candidatam à liderança do PS.


Confesso, que ainda não tomei qualquer decisão quanto ao sentido do meu voto e apenas a tomarei depois de conhecer aprofundadamente os seus projectos para o futuro do PS.



Portugal e o Partido Socialista confrontam-se com desafios que exigem determinação e um projecto de valores, causas, convicções e de mudança, diria mesmo de uma grande mudança.



Vontade de mudar políticas e métodos, mudar a relação entre os partidos e a sociedade civil. A militância e a participação política não se podem esgotar em eleições. O PS terá que voltar a abrir-se à sociedade. É preciso que o partido volte a ouvir os anseios e preocupações da sociedade civil. Tudo se conquistará numa restruturação, modernização e reorganização interna e com um projecto capaz de se apresentar como alternativa ao próprio passado recente e àquilo que a direita apresentou a sufrágio recentemente.



Urge um novo ciclo de credibilidade e transparência, de compromisso e responsabilidade, de solidariedade e justiça social, de ética e de esperança face à descrença dos portugueses relativamente à classe política. Importa desenvolver um diálogo franco e aberto, como método eficaz para se encontrarem novas orientações e melhores caminhos.



Quando a realidade, nua e crua nos mostra que os partidos políticos transformaram-se em agências de emprego, onde domina a lógica bolsista, da bajulação e da sobrevivência e onde já não há lugar para idealismos, torna-se inadiável alterar as regras dum jogo altamente viciado e que compromete o Estado Social e o nosso futuro, enquanto povo livre e independente.



O país carece de um tratamento de choque, reconduzindo a prática política às suas nobres origens. Carece de um PS a pensar nos portugueses, que estude e debata as opções governativas e que combata o despesismo e as influências.



Para além da crise económica e financeira, vivemos sobretudo uma crise de valores e de entidade transversal a todos os partidos, grande parte das nossas Instituições e na sociedade em geral. Para a superarmos, necessárias se tornam medidas drásticas que a esmagadora maioria dos portugueses há muito exigem: redução do número de eleitos a todos os níveis, extinção dos governos civis e suas extensões, fixação estreita dos cargos de nomeação política e das assessorias, fim de mordomias e integração de fundações, empresas mistas e autárquicas, parcerias e Institutos, na Administração.



Só um tratamento de choque pode reconquistar a credibilidade da classe política e relançar a esperança. O PS tem de voltar a tocar o coração dos portugueses, que estão preocupados com a ineficiência duma Administração que olha o cidadão como suspeito, com o caos instalado na Justiça, com a fome e o desemprego que alastram, com a desmotivação dos educadores, com a sustentabilidade da Segurança Social e do Sistema Nacional de Saúde e com o silêncio do partido, face a fraudes gigantescas como as do BPN. Os portugueses exigem uma mudança política na forma e nos métodos usados no passado recente pelo PS, bem como o emagrecimento da classe política face aos sacrifícios e aos desafios a que também estão sujeitos.



Também o sistema eleitoral deverá merecer uma profunda reflexão. Transcrevo um texto sobre o tema do Camarada Samuel Cruz, com o qual concordo na íntegra publicado no seu blog pessoal, Rumo a Bombordo, e que se intitula – Deputados – datado de Abril 21, 2011.



“…Aproximam-se eleições legislativas, está na hora de escolhermos os nossos deputados…



Impõe-se pois uma reflexão sobre o tema.



O mundo mudou!



Já não me revejo no actual sistema de listas que permite que nulidades cheguem ao Parlamento, sem que tenham antes dado provas do quer que seja.



Impõe-se que cada cidadão passe a ter a oportunidade de eleger individualmente os candidatos que, na sua apreciação, melhor perfil cívico, político e profissional têm para o exercício da função.



Em primeiro lugar é primordial que se dê voz aos militantes nos partidos e que estes através dum sistema de primárias escolham aquele que de entre os seus pares se destacou.



Em segundo é necessário que se institua um sistema uninominal, mitigado por um círculo nacional onde os pequenos partidos possam ser representados para que quem vota saiba em quem vota.



Os que desejarem apresentar-se como candidatos têm, no mínimo, de – além de currículo capaz – expor uma visão para o mandato, uma declaração formal de incompatibilidades, uma lista com o património actualizada e a descrição de compromissos concretos que se propõem executar no mandato.



Por fim anualmente deverão existir convenções locais onde os deputados apresentem obrigatoriamente o plano das acções executadas e das a executar.



Esta “contabilidade cívica” é essencial para aferir do grau de compromisso e de eficiência do eleito perante quem o elegeu.



Passam a existir rostos concretos a quem pedir responsabilidades.



Não tenho dúvidas que o futuro passa por aqui, até lá resta-nos a consolação da Democracia ser o pior de todos os sistemas políticos, à excepção de todos os outros…”

O PS e o futuro Secretário-Geral têm o dever e a obrigação de se apresentarem na primeira linha deste combate.



Aquele candidato que na minha opinião responder melhor aos meus anseios ganhará a minha confiança, o meu apoio e o meu voto.



Rogério Roque

Militante do Partido Socialista n.º 29382

Secção Seixal / Arrentela

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