Reflexões do último dia da campanha eleitoral.

Sou militante do PS, membro da Comissão Política Nacional, fui o candidato do PS e represento o meu partido enquanto Vereador na 7.ª maior Câmara do Pais, a do Seixal.
Naturalmente votarei PS no próximo Domingo, direi mesmo que é uma obrigação.

Há no entanto uma coisa que ninguém no meu partido que me conseguiu explicar até este momento em relação a estas eleições, questão que me deixa triste e me leva a questionar a bondade do nosso sistema eleitoral e da necessidade da sua reforma, através da implementação de círculos uninominais.

Assim como me faz reflectir do estado a que o PS chegou, mas isso é lá mais para a frente…

Resido em Corroios, uma freguesia com mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes e que conta com uma das maiores secções socialistas do Distrito.

Aqui militam médicos, advogados e advogadas, empresários, professoras e professores, oficiais superiores das forças armadas (na reforma ou reserva), gestores públicos, funcionários públicos, jovens licenciados de grande mérito e toda uma vasta miríade de outros profissionais de talentos reconhecidos, que seria fastidioso elencar.

Naturalmente também há quem se encontre involuntariamente desempregado e até existem desocupados de vário tipo. Como diria o Eng.: É a vida!

E há ainda domésticas, classe que não se enquadra exactamente em nenhuma das anteriores.

Ora é esta a causa da minha perplexidade: Porque é que numa freguesia com mais de 50.000 eleitores, com várias centenas de militantes Socialistas e vários milhares de simpatizantes, o meu partido escolheu justamente para o representar uma doméstica?

É certo que na informação que me foi enviada esta cidadã aparece como exercendo a profissão de Técnica Oficial de Contas, ocupação que não tem, nem me consta que alguma vez tenha tido, o que como é evidente ao invés de ajudar, apenas pode aumentar a indignação de qualquer cidadão que paute a sua conduta pelos valores mais elementares da ética republicana.

Ainda restam algumas horas de campanha eleitoral, pode ser que alguém ainda me dê alguma justificação plausível, agradecido, aqui fica o apelo.

9 comentários:

Bruno Ribeiro Barata disse...

Caro Samuel, quero demonstrar o meu desagrado, pelo teu artigo, sucintamente por dois aspectos:
1. Acho incorrecto trazeres a público questões internas do Partido, principalmente no último dia campanha.
2. Na democracia, onde o povo exerce o poder indirectamente, é legítimo a qualquer cidadão integrar as listas de deputados, independentemente da sua profissão e/ou habilitações literárias.

Rogério Roque disse...

Caro amigo,

Muita, mas mesmo muita coisa fica por explicar!!!

Ganhando ou perdendo, é bom que a partir de domingo as coisas se comecem a mudificar a nível interno e externo para bem do partido!

Saibamos aproveitar a oportunidade!

Grande abraço
Rogério Roque
(Militante n.29382)

Ramos disse...

Caro Samuel
Subscrevo integralmente o comentário do Bruno Barata. Eu, como muitos outros habitantes do Concelho de Seixal e do País, temos na nossa origem uma doméstica, que também foi mãe. A nossa. É legítimo e nada humilhante para o PS que uma “doméstica” integre as listas de deputados. É ilegítimo e despropositado este tipo de comentário por ele expressar uma manifestação de atitude. Ficamos já todos a saber que caso o Samuel atinja o almejado poder distrital o PS passará a ser um partido elitista, onde as classes sem títulos não terão lugar, amenos que outros o não acompanhem. Assim não Samuel! Assim não se une o Partido nem no Seixal nem, e muito menos, do Distrito. Há! Não quero deixar de evidenciar o facto de ser uma “obrigação” votar PS. Como Diz Jose Sócrates “como eu o compreendo”.
Espero que este comentário, não seja censurado, por ter como autor alguém que não se integra na miríade de profissões e licenciados da sua eleição.
Vítor Ramos

Anónimo disse...

muito bonito da sua parte sr.advogado fazer comentarios do teor do anterior!!

Porque a sua preocupação???falta de visibilidade na freguesia por parte do dr??

Quantas listas nao sao integradas por militantes desempregados...domesticas...reformados???

Nao acha o Dr. mais caricato ter apoiado e proposto um candidato à camara do seixal na ultima eleiçao, que o mesmo para alem de nao ser da freguesia ainda por cima nem sequer conhecia qualquer zona da freguesia de corroios.

Dr. nao acha despropositada a sua falta de elegancia e a sua postura de indiferença por quem o apoiou e o fez chegar onde chegou.????

Considerava.o uma pessoa mais sensata em relaçao ao assunto...

Para terminar gostava de lhe deixar uma ultima palavra....visibilidade e respeito sao adjectivos que se conquistam e nao como o Dr que apenas se deixa ver pelas piores razoes

Cumprimentos

Samuel Cruz disse...

É perfeitamente legítimo que qualquer pessoa integre a lista de deputados.
Assim como é perfeitamente legítimo a quem vota escolher os melhor preparados para desempenhar o cargo.
A única questão que coloco a esta lista em termos de legitimidade é a forma como foi votada.
A questão que coloquei é diferente: A questão é do mérito da escolha. Será que o PS teria feito a mesma escolha nesta freguesia se fosse um circulo uninominal e não uma lista em que ninguém sabe quem são os últimos e por isso podemos pôr os amigos?
O que eu gostava de ver aqui discutido era o mérito da escolha e esse, infelizemnte, ainda ninguém teve a coragem de defender.

Olga Maria Candeias disse...

Caro Licº Samuel Cruz:

Sei que este espaço é seu, por isso está no seu direito de censurar o meu comentário, o que lhe digo já,que compreendo e não levo a mal, nem me surpreenderá.

Lamento que após três anos, venha de novo com a mesma tentativa de eliminar o que foi conquistado pela luta de um povo à cem anos - o DIREITO ao Exercicio de Cidadania- através dos órgãos de decisão dos destinos do país. O Samuel é Licenciado em Direito, então deve saber quais os DIREITOS e DEVERES consagrados a todo e qualquer cidadão português.

Como nunca roubei nem matei, penso que mesmo não pertencendo a nenhum partido ou associação politicos me poderia candidatar a qualquer cargo em que pudesse servir o meu país, mas pela sua postura (que já vem de longe), isso será impensável.

A profissão que eu ESCOLHI e que ainda desempenharia, se não me tivesse sido diagnosticada doença profissional era a de OPERÁRIA QUALIFICADA JARDINEIRA, logo estava fora da sua bitola de pessoa de bem para desempenhar qualquer outra função, que não fosse mexer na terra.

Mas, ainda lhe digo em relação à "DOMÉSTICA", que domésticos são os animais que o homem decidiu domar, porque eu quando fora do meu local de trabalho sou Dona de Casa, Mãe, Esposa e Cidadã atenta; tão atenta que não posso deixar passar em branco mais uma tentativa sua para fazer esquecer todas as privações porque passou o povo português no século XX.

Não sei quais as suas origens, mas as minhas eu sei. A minha familia lutou, para que hoje o Samuel seja Vereador numa Câmara Municipal. Ou pensa que essa hipótese apareceu assim sem que outros lutassem? Olhe que não, e, lhe garanto que a maioria, não eram doutores, engenheiros, advogados etc.

Se este é o caminho que defende para o Partido Socialista, meu caro,
lamento imenso, porque um exército tem milhares de Soldados, mas General é só um; E pergunto eu, Assistente Operacional, o que fará um General sózinho? pois com toda a certeza - NADA - e, isso, até uma Dona de Casa sabe. Da mesma forma que também sabe que precisa de um canalizador, de um electricista, de um padeiro, de um
médico e de um sem fim de profissões para que o Samuel possa ter a sua roupa limpa e a sua comida pronta a comer. Ela (a Dona de Casa) tem a noção que no mundo todos dependemos de todos, algo que o Samuel parece esquecer (ou não saber);

Na sociedade em que vivemos actualmente, o Planeta, poderia não ser tão bonito sem os Arquitectos, poderia ser muito mais doente sem os Médicos, mas de certeza que era muito mais sujo sem os Cantoneiros que recolhem o lixo.

Por ora, vou parar, mas algo me diz que um dia retomaremos o tema.
Até lá.


P.S. Eu sou do tempo em que a Língua Portuguesa não tinha sofrido os últimos dois acordos ortográficos, pelo que peço desculpa por qualquer erro existente.

P.S. Mas também não é suposto que uma Operária mesmo Qualificada, saiba escrever.

Ana disse...

Começo por informar que não pertenço ao partido, merece no entanto a minha simpatia e é com grande tristeza que verifico que há uns tempos a esta parte penso que está "desaparecido" aqui pelo Seixal. Não me parece que este seja o sitio adequado para a chamada "lavagem de roupa suja" e a situação não deve ser posta no meu entender da forma que o foi, deve sim ser posta em termos de competências, pois se calhar uma "Dona de Casa" pode ter mais competências que um Advogado. O que se verifica é que o problema deve começar na base e é aí que deve começar a ser resolvido ou seja nas organizações locais e devidamente "cascateadas" debaixo para cima na organização.
Samuel já muitas vezes aqui lhe dei o meu apoio, mas não posso deixar de estar frontalmente contra esta sua atitude embora reconheça que seja um direito que lhe assiste.
Sou completamente a favor de que em primeiro lugar devem estar os mais capazes, que não devemos entrar no jogos manipuladores dos "fala barato" que falam muito e fazem pouco, plenamente de acordo mas para mim tem que o fazer internamente separando desde a base o trigo do joio.
Peço desculpa se fui indelicada não era minha intenção.
Cumprimentos

Anónimo disse...

Estão a esquecer uma questão de legalidade.
Não pode ser colocada em causa se é doméstica, costureira ou cozinheira.
O que é grave e crime suponho eu, usurpação de profissão.
Se eu sou pedreiro não vou dizer que sou medico, isto é enganar o povo
.

Anónimo disse...

Pois é Samuel, o amigo ainda é novo e pensa que o mundo se pode mudar indo direito aos seus interesses e convicções. Mas com o tempo verá que não é assim. As coisas não são pretas nem branca. Há, pelo meio, muitas nuances. A aquilo que às vezes para nós nos parece o ideal para outros esse ideal é precisamente o contrário ou é diferente . Nem sempre estamos certos nem sempre erramos.
Agora e dada a sua posição dentro do partido é lá dentro que deverá resolver ou tentar esses problemas. E não na praça pública onde só vem estabelecer a confusão e nada resolve. Chama-se a isso dar trunfos aos outros que também terão problemas internos mas não os revelam, e constitui um tiro no pé. Já fui militante do partido, autarca, engoli muitos sapos, mas na hora de discordar saí. E hoje sou independente embora a cada momento faça as minhas escolhas. Por exemplo, nas últimas presidenciais não votei. Perceberá porquê.
Um abraço.

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