Começar de novo

Como diz Eduardo Cabrita, hoje no Correio da Manhã, é hora de "começar de novo". Na politica é assim. É sempre tempo de começar e de renovar porque a história de um povo não se resume à história de umas quantas pessoas por mais iluminadas que sejam. Acreditei desde a primeira ho...ra em José Socrates, mas também há já muito tempo que tinha deixado de acreditar. Nunca fui sectário e muito menos seguidista e o conhecimento da realidade levou-me à reflexão. Alguns camaradas ficaram descontentes com a minha posição pública a seguir às eleições. Quero lembrar a esses camaradas do Seixal que fui, conjuntamente com outra camarada, os únicos delegados do Seixal ao último congresso que não apoiaram a moção de José Socrates. Era por demais evidente que o tempo de José Socrates se tinha esgotado. Infelizmente para Portugal, a grande maioria dos socialistas não tinha ou não queria percebir isso e daí resultou a vitória estrondosa da direita; mas felizmente para o Partido Socialista essa falta de visão acaba por ser positiva. Sócrates finalmente percebeu que o seu tempo tinha passado. Lamento que outros não tenham percebido o mesmo. Mas o processo de renovação está em curso e o Partido Socialista, a muito curto prazo, estará à altura da sua responsabilidade; basta que para isso se dê confinça e estimulo a quem quer um Partido Socialista agregador e defensor de verdadeiras pliticas de esquerda. Se isso aconteçer o Bloco de Esquerda deixará de aspirar a ser um partido para ser uma amálgama sectária sem representatividade significativa. Estou certo que vamos ter um futuro Secretário Geral capaz de protagonizar essa visão estratégica, a bem do futuro dos portugueses.

4 comentários:

Rogério Roque disse...

Agora é que vai ser de morrer a rir com a choradeira da grande maioria dos desempregados do Partido Socialista!

Agora que se vai acabar grande parte da mama o que vai ser da "nossa boyzada"?!?!

Mais do que mudar de protagonistas é necessário mudar as regras do jogo, aliás, um problemas transversal a todos os partidos.

Nos últimos 20/25 anos, os nossos partidos políticos transformaram-se em agências de emprego, onde domina a lógica bolsista, da bajulação e da sobrevivência e já não há lugar para idealismos. Com a grande “porca” confiada a quem mama e deixa mamar, nenhum dos enfermeiros improvisados (leia-se políticos), nos propõe mais do que electrochoques aberrantes e desumanos que nada resolvem. Na campanha eleitoral terminada, com a política e a comunicação social de braço dado, nenhum se atreveu a tratar a questão principal, que é travar os apetites dos “boys” e iniciar uma cura drástica de emagrecimento. Impossível tal medicina, porque as lideranças estão reféns de hordas de apoiantes que se batem pelo saque e que desprezam os ideais...

Nesta República transviada, o primeiro milho é dos pardais, ao caso mais de 4000 Juntas de Freguesia. Em quantas dessas trincheiras não vemos milhares de “patriotas” a perseguirem “direitos adquiridos”: retribuições duvidosas, empregos abusivos para amigos, senhas de presença desnecessárias e um sem fim de favores em troca de apoios?

E pode algum político com rasgo deixar de erguer o dedo a centenas de Câmaras, que envolvem mais umas tantas legiões de proxenetas? Perdida a decência, éver nesse pântano a proliferarem milhares de empresas municipais e administradores, vias verdes, popós, almoçaradas e outras peritas formas de mamar. Sem darmos conta, até os insuspeitos lugares nas Assembleias Municipais se tornaram tetas disputadas por gentinha que corre atrás de senhas de presença e de complementos de reforma.

E porque não reduzir o número de deputados? Será que a Assembleia da República é um hotel de cinco estrelas? Não será tempo de se pôr fim às mordomias, reformas e subsídios imorais, conseguidos a coberto de leis feitas à medida dos interesses do clã?

Poderá também o Governo escapar a esta terapia de choque, quando há toda uma catrefada de assessores e de adjuntos a mamar em milhares de gabinetes, empresas públicas, institutos, fundações e outras tretas público-privadas que não permitem tirar o país da falência? Quantos incompetentes não ocupam dois e mais tachos? E que dizer dos Governos Civis, hoje “beneméritas” instituições que se destinam a asilar mais umas tantas centenas de obscuros defensores da causa pública, a quem a população mostrou o cartão vermelho em eleições autárquicas passadas?

E será que a Presidência da República não tem que emagrecer, quando ela se passeia em sessenta viaturas, alberga mais de seiscentos comensais e gasta o dobro da corte espanhola?

Um abraço a todos,
Rogério Roque
Militante do PS n.º 29382

Anónimo disse...

Ora aí está" basta que para isso se dê confiança e estímulo a quem quer um Partido Socialista agregador e defensor de verdadeiras políticas de esquerda",nem mais amigo Gil.

Fonseca Gil disse...

Caro Rogério

Arrasador, sem dúvida, mas será que alguém que tenha um mínimo de conhecimento da realidade descrita pode fazer um desmentido?
Claro que não.

Rogério Roque disse...

Caro Fonseca Gil,

É obvio que não! Para a maior parte nem convem.

Um fraterno abraço
Rogério Roque

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