Deixem-me ser louco por um instante!

Assistindo à entrevista da jornalista Judite de Sousa ao Ministro Teixeira dos Santos, a outra metade de mim mesmo, segredou-me ao ouvido: É pá, oh Teixeira! interrompe lá a catadupa de perguntas de meia-tijela e pergunta-lhe lá o que é que ela acha ...de ganhar 14.720 € e eu ganhar 4.500 € ! Interrompe-a! Questiona-a! Confronta-a! Contudo, a restante parte de mim mesmo, a politicamente correcta, segredou-me ao outro ouvido: deixa-te de delírios e toma atenção à entrevista. Fiquei indeciso e fui-me aconselhar com os meus "botões". Cliquei num e apareceu-me isto: Hegel afirmou que a loucura não seria a perda abstracta da razão: "A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente". A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela. Enchi-me de coragem e disse: Porra, deixem-me ser louco por um instante! 

José Geraldes

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