Observatorium

Foi recentemente editado o “Observatorium”, nome dado ao anuário estatístico dos 52 concelhos que compõem a Região de Lisboa e vale do Tejo, um trabalho da CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional).
No que ao Seixal concerne a análise dos dados dá-nos uma visão preocupante dum concelho em franco crescimento, onde a autarquia despende os seus elevados recursos no próprio funcionamento e em algumas grandes festas propagandísticas mas que se esquece do essencial.

Senão vejamos:

O Seixal é o segundo concelho (o primeiro é Salvaterra de Magos) com o pior índice de número médio de alunos por computador no ensino básico (32,6).

No período de 2000 a 2007 os habitantes do Seixal viram o seu poder de compra baixar de 98,4 para 96,1, um valor já de si dos mais baixos da AML.

O Município do Seixal apresenta a segunda maior taxa de abstenção em eleições, dos 52 concelhos que compõem a amostra.

É no Seixal que se faz sentir de entre os municípios da Península de Setúbal o maior aumento do efeito pendular (deslocações para trabalhar ou estudar fora do concelho).

É no Seixal, a par de Almada, que se regista a maior densidade populacional da península de Setúbal.

No ano de 2009 o concelho do Seixal foi o quarto concelho onde mais se construiu, sendo mesmo o primeiro no que concerne à península de Setúbal.

Não existem dados referentes ao subsector Turismo no concelho, em princípio porque esse sector não existe de todo no concelho.

Face aos presentes dados os urge uma alteração de política por parte da maioria comunista que desgoverna o concelho há quase quarenta anos, tornando-o mais moderno, desenvolvido e sustentável em termos económicos, sociais e ambientais.

Deputados

Aproximam-se eleições legislativas, esta na hora de escolhermos os nossos deputados…
Impõe-se pois uma reflexão sobre o tema.

O mundo mudou!

Já não me revejo no actual sistema de listas que permite que nulidades cheguem ao Parlamento, sem que tenham antes dado provas do que quer que seja.

Impõe-se que cada cidadão passe a ter a oportunidade de eleger individualmente os candidatos que, na sua apreciação, melhor perfil cívico, político e profissional têm para o exercício da função.

Em primeiro lugar é primordial que se dê voz aos militantes nos partidos e que estes através dum sistema de primárias escolham aquele que de entre os seus pares se destacou.

Em segundo é necessário que se institua um sistema uninominal, mitigado por um círculo nacional onde os pequenos partidos possam ser representados, para que quem vota saiba em quem vota.

Os que desejarem apresentar-se como candidatos têm, no mínimo, de – além de currículo capaz – expor uma visão para o mandato, uma declaração formal de incompatibilidades, uma lista com o património actualizada e a descrição de compromissos concretos que se propõem executar no mandato.

Por fim anualmente deverão existir convenções locais onde os deputados apresentam obrigatoriamente o plano das acções executadas e das a executar.

Esta “contabilidade cívica” é essencial para aferir do grau de compromisso e de eficiência do eleito perante quem o elegeu.

Passam a existir rostos concretos a quem pedir responsabilidades.

Não tenho dúvidas que o futuro passa por aqui, até lá resta-nos a consolação da Democracia ser o pior de todos os sistemas políticos, à excepção de todos os outros.
 

Samuel Cruz

Perto, barato e bom

A maioria comunista no Seixal, através de todos os meios à sua disposição, em especial através da sua máquina de propaganda paga com o dinheiro de todos nós, constatemente exige mais e mais investimento do Governo Central no município. Esta atitude corresponde a uma estratégia clara e tem por objectivo ocultar as necessidades diárias da população, às quais a Câmara não consegue fazer frente apesar de serem da sua responsabilidade. esta estratégia tem especial relevo no que toca a saúde e à educação.
O Governo, e bem, vai investindo mas procura racionalizar a implantação destes equipamentos. O esforço vai no sentido de acompanhar os movimentos demográficos e tem em conta a melhoria e aumento de rapidez dos meios de transporte.
Note-se que a questão sendo também económica, nem o é predominantemente, do que estamos aqui a falar é de qualidade.
Não basta que os equipamentos existam, o investimento em betão é relativamente simples, para que exista qualidade é necessário que existam pessoas, e que estas sejam suficientemente qualificadas.
Abaixo de determinados mínimos críticos, aquilo a que continuamos a chamar escola não ensina e o que insistimos em designar centro de saúde não cuida da nossa saúde.
Não consigo entender que determinados autarcas, no período difícil em que vivemos, persistam na busca fácil de votos a insistindo nesse atavismo que tão mau resultado tem dado.  

Excelente texto de Joel Hasse Ferreira publicado no Jornal do Seixal

Os “Talibans” ultra-liberais

1. O Ministro das Finanças desdobra-se em debates, entrevistas e outros trabalhos árduos. Desde actuações coligadas das direitas e das extremas-esquerdas até às posições sectárias e incompreensíveis e algumas agências de “rating, muito influentes na concessão e no custo dos empréstimos externos, somam-se um  conjunto  de posições  difíceis  a  ter  em conta.
2. A  posição  de  algumas  agências  de  “rating”  é  influenciada  or dois  graves  preconceitos que nos  tão diferentes casos  de  Portugal,  Espanha e Grécia, de certa forma se conjugam. Algumas destas agências que tanto influenciam o  custo  do  dinheiro para  cada  país,  não  previram,  não  anteciparam nem  mesmo  suspeitaram do  avizinhar  desta  mega crise  económica  e  social, de origem financeira.
3.  Um  dos  preconceito  que  as  norteia  é serem  claramente  anti-socialistas,  contra  políticas solidárias  e  estarem  ideologicamente  coladas  a posições  de  cariz  liberal – conservador, claramente ultrapassadas  pelo  tempo político e pela história económica. Muitas dessas agências nunca explicaram porque  falhou  o  seu modelo de previsão de crises, o  qual  assenta  essencialmente  em  extrapolações, preconceitos  e  manifesta ignorância  do  funcionamento  das  sociedades. A  óptica  é  puramente  financeira  e  descolada  das realidades  económicas  e sociais.  A  sua  prática  de previsão  de  situações  que irão  piorar  encaminha  o sistema  financeiro  para suscitar  condições  mais difíceis a essas economias, criando-lhes  então  maiores  dificuldades  reais.  E depois dirão, com ar satisfeito, refastelados em cima de bónus gigantescos: Nós bem dizíamos!
4.  Mas algumas destas  agências  parece  que sofrem  ainda  doutro  preconceito,  de  carácter  geográfico,  a  roçar  aspectos étnicos.  A  desconfiança sistemática  face  aos  países  do  sul. Não  previram antecipadamente  a  crise irlandesa,  não  lhes  passou  oportunamente  pela cabeça  o  risco  de  bancarrota na Islândia ao mesmo tempo  que  a  economia grega  lhes  parecia  estar bem  com o descalabro da governação  direitista  de Caramanlis  III.  Quando o povo grego deu uma vitória  clara  aos  socialistas do PASOK e se constituiu o Executivo de Papandreu III,  algumas  agências  de “rating”  começaram  a  ratar e, num curto espaço de tempo, descobriram que a situação  económica  grega afinal era má e as finanças públicas  estavam  no  descalabro. Talvez porque ao anterior Executivo de Atenas, como era das direitas, podia-se perdoar o “pecado” de ser grego.
5.  Seria  preciso  que a Europa, os Estados Unidos  da América,  o  Japão e  outros  poderes  efectivos  em Estados  influentes criassem  um  mecanismo eficaz  do  funcionamentos dos  sistemas  de  avaliação das  economias.  Era  preciso  efectivamente  não  só uma  Governação  Económica  Europeia  como  um Conselho  e  segurança Económico  e  Financeiro funcionando  no  âmbito das Nações Unidas.
6.  A  União  Europeia que, até à chegada ao poder de Barack Obama e do novo Governo japonês era o único espaço económico relevante do mundo onde qualquer importante decisão financeira tem que ter em conta as realidades e as perspectivas de evolução  económica  e financeira,  tinha    fixado  o  ande 2013 para o retorno a cumprimento do défice de 3% para o Sector Público Administrativo.  Mas  os “talibans”  ultra-liberais querem mais  e mais  rápido. E o povo que se…! 

Texto de Robert M. Fishman publicado no New York Times

A crise que começou com o socorro da Grécia e da Irlanda no ano passado, tomou um caminho feio. No entanto, este terceiro pedido de resgate não é realmente sobre a dívida. Portugal teve um forte desempenho económico em 1990 e estava a gerir a sua recuperação da recessão global melhor do que vários outros países na Europa, mas tem estado sob pressão injusta e arbitrária por parte dos negociantes de títulos, os especuladores e analistas de notação de crédito que, por miopia ou razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo.
Se deixados sem regulamentação, estas forças de mercado ameaça meclipsar a capacidade dos governos democráticos - talvez até mesmo dos Estados Unidos - para fazer suas próprias escolhas sobre os impostos e gastos.
As dificuldades de Portugal decerto se assemelham às da Grécia e da Irlanda: para os três países, a adoção do euro, uma década atrás, significava que eles tinham de ceder o controle sobre sua política monetária, e um súbito aumento nos prémios de risco que os mercados de títulos atribuíam à sua dívida soberana, foi este o início para os pedidos de resgate.
Mas na Grécia e na Irlanda, o veredicto dos mercados refletiu profunda e facilmente identificáveis ​​os problemas económicos. A crise em Portugal é completamente diferente, não havia uma verdadeira crise subjacente. As instituições económicas e políticas em Portugal, que alguns analistas financeiros vêem como irremediavelmente inefecientes, tinha mconseguido êxitos notáveis, antes desta nação ibérica de 10 milhões de habitantes ser submetida a sucessivas ondas de ataques de operadores de títulos.
Mercado de contágio e rebaixamentos de classificação, começando quando a magnitude das dificuldades da Grécia à tona no início de 2010, tornaram-se uma profecia auto-realizável: elevando os custos de Portugal de contratação de empréstimos para níveis insustentáveis, as agências de rating obrigoram o país a procurar juda. O resgate tem os poderes de "resgate" para empurrar Portugal para uma política de austeridade impopular que afectam os beneficiários de pensões de reforma, a redução da pobreza e os salários dos funcionários públicos de todos os tipos.
A crise não é Portuguesa, a sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de nações como a Itália que não foram sujeitas a estas avaliações devastadoras. O seu défice orçamental inferior ao de vários outros países europeus vem caindo rapidamente, como resultado dos esforços do governo.
E quais as perspectivas de crescimento do país, que os analistas convencionais assumema serem tristes? No primeiro trimestre de 2010, antes dos mercados empurrarem as taxas de juros dos títulos Portugueses para cima, o país teve uma das melhores taxas de recuperação económica na União Europeia. Em uma série de medidas - a inovação empresarial, o ensino médio e realização e crescimento das exportações - Portugal tem acompanhado ou mesmo ultrapassado os seus vizinhos do sul e até mesmo da Europa Ocidental.
Porque é que então Portugal viu o seu rating baixar e foi dessa forma empurrado para o abismo? Há duas explicações possíveis. Uma é o cepticismo ideológico do modelo de Portugal de economia mista, com os seus empréstimos de apoio público para as pequenas empresas, ao lado de um pequeno número de grandes empresas estatais e um Estado social robusto. Os fundamentalistas do mercado detestam as intervenções keynesianas, nas áreas da política de habitação em Portugal - o que evitou uma bolha e preservou a disponibilidade de baixo custo no arrendamento urbano.
A falta de perspectiva histórica é outra explicação, os padrões de vida Portugueses têm aumentado consideravelmente nos 25 anos após a revolução democrática de Abril de 1974. Em 1990 a produtividade do trabalho aumentou rapidamente, as empresas privadas aprofundaram o investimento de capital com a ajuda do governo e dos partidos, tanto do centro-direita e de centro-esquerda, apoiadas no aumento do gasto da sociedade. No final do século o país teve uma das menores taxas do desemprego na Europa.
Com toda a franqueza, o otimismo da década de 1990 deu origem a desequilíbrios económicos e gastos excessivos criticos ao ponto de afectar Portugal e a sua saúde económica, factos que motivaram a estagnação de 2000-2006. Mesmo assim, no início da crise financeira mundial, em 2007, a economia voltou a crescer e o desemprego a cair. A recessão acabou com essa recuperação, mas o crescimento foi retomado no segundo trimestre de 2009, mais cedo do que em outros países.
A política interna não é a culpada. O primeiro-ministro José Sócrates e os socialistas que governam conseguiram reduzir o déficit, promovendo a competitividade e mantiveram os gastos sociais, a oposição insistiu que poderia fazer melhor e forçou a saida do Sr. Sócrates este mês, preparando o palco para novas eleições em Junho. Este é o cenário normal da política, não é um sinal de desordem ou incompetência que alguns críticos de Portugal têm retratado.
A Europa poderia ter evitado esse resgate? O Banco Central Europeu poderia ter comprado títulos Portugueses evitando o pânico. A Regulamentação da União Europeia e dos Estados Unidos nos processos utilizados pelas agências de notação ao avaliar a solvabilidade da dívida de um país é também essencial. Pela percepção que temos distorcem o mercado, as agências de rating - cujo papel no fomento da crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos tem sido amplamente documentado - prejudicaram tanto a sua recuperação económica como a sua liberdade política.
No destino de Portugal encontra-se uma clara advertência para outros países, inclusive os Estados Unidos. A revolução de Portugal de 1974, inaugurou uma onda de democratização que varreu o mundo. É bem possível que 2011 marque o início de uma onda de invasão da democracia, mercados não regulamentados, com a Espanha, Itália ou a Bélgica como as próximas potenciais vítimas.
Os americanos não aceitariam, que as instituições internacionais fossem dizer a Nova Iorque, ou a qualquer outro município norte-americano, para abandonar as leis de controle de rendas. Mas isso é precisamente o tipo de interferência que agora atinge Portugal - tal como foi feito na Irlanda e na Grécia, apesar destes países serem mais responsáveis por seu destino.
Apenas os governos eleitos e os seus líderes podem garantir que esta crise não acaba por minar os processos democráticos. Até agora, eles parecem ter deixado tudo aos caprichos dos mercados de dívida e agências de rating.
Um execelente texto no New York Times sobre a situação portuguesa, os seus verdadeiros responsáveis e os seus objectivos:
Portugal’s Unnecessary Bailout

Deixem-me ser louco por um instante!

Assistindo à entrevista da jornalista Judite de Sousa ao Ministro Teixeira dos Santos, a outra metade de mim mesmo, segredou-me ao ouvido: É pá, oh Teixeira! interrompe lá a catadupa de perguntas de meia-tijela e pergunta-lhe lá o que é que ela acha ...de ganhar 14.720 € e eu ganhar 4.500 € ! Interrompe-a! Questiona-a! Confronta-a! Contudo, a restante parte de mim mesmo, a politicamente correcta, segredou-me ao outro ouvido: deixa-te de delírios e toma atenção à entrevista. Fiquei indeciso e fui-me aconselhar com os meus "botões". Cliquei num e apareceu-me isto: Hegel afirmou que a loucura não seria a perda abstracta da razão: "A loucura é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente". A loucura deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. Hegel tornou possível pensar a loucura como pertinente e necessária à dimensão humana, e afirmou que só seria humano quem tivesse a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela. Enchi-me de coragem e disse: Porra, deixem-me ser louco por um instante! 

José Geraldes
Google