Mensagem da deputada Eurídice Pereira

Dentro de pouco mais de dez minutos entrarei no hemiciclo onde as expectativas mais negativas poderão  concretizar-se.
Pelas declarações das últimas horas, os partidos à nossa direita e à ‘nossa esquerda’ parecem estar juntos num objectivo comum: forçar a queda do Governo socialista e incentivar a realização de eleições antecipadas 17 meses depois das últimas legislativas e o 5º acto eleitoral desde Junho do ano passado.

Poderia, agora, argumentar sobre as virtudes da acção governativa ao longo destes últimos anos e, aqui ou ali, apontar o que teria sido desejável ocorrer de modo diverso. Pelo meio, ia debitando uma frases ‘redondas’ , panfletárias …. Não vou por aí. No momento a reflexão tem de ser objectiva e circunscrita ao que interessa:

Necessita o país da realização de eleições antecipadas? É previsível que, a realizarem-se, ocorra um quadro político diferente que permita diminuir o peso do que tem de ser exigido aos portugueses?

Na minha opinião, a resposta às duas questões faz-se com um duplo NÃO.

Então, a quem e para que serve esta táctica?

Para a esquerda ‘à nossa esquerda’ é ‘porque sim’. Aliás é sempre ‘porque sim’. Ninguém se recorda , porque não há nada para recordar, que, em momento algum, tenham sido parte da solução. A opção preferencial vai sempre, sem excepções,  para ‘incendiar a rua’.

À nossa direita este calendário serve exclusivamente o calendário de Passos Coelho e dos seus seguidores. Aqui, de onde vos escrevo, não julguem que todos os sociais democratas -deputados  se revêem na provocação de mais um acto eleitoral.

 Ao CDS – perito em criar agenda política demagógica – importa o poder que , acham eles, pode estar ao virar da esquina.

Mas, e o país onde fica? O tão bisado ‘interesse nacional’ onde entra?

Esta, e só esta, preocupação deve mover o Partido Socialista. O coração e a razão dos socialistas não podem afastar-se, por um momento que seja, do único objectivo que conta: Portugal e os portugueses.

Onde errámos, emendemos. Onde vingámos, aprofundemos. Onde ainda não chegámos, não percamos mais tempo.

O PS é um partido estruturante da nossa jovem democracia. Deu provas de que nos momentos difíceis assumiu as responsabilidades. Este é mais um desses momentos e a nossa História tem de ser honrada, o nosso presente construído e o nosso futuro acautelado.

As condições nacionais não permitem que tracemos o presente e o futuro do país sozinhos, então que o façamos acompanhados.

Sem beliscarmos os nossos valores, os nossos princípios temos, em nome de Portugal, de fazer as necessárias ‘pontes’, os entendimentos estratégicos fundamentais.

Para Portugal, pior que não pudermos governar com estabilidade política é ‘entregarmos’ a governação exclusivamente à direita.

Seria um verdadeiro desastre se , no futuro próximo, a direita, sozinha, repito, tivesse condições de aplicar a sua ‘dose’ liberal  irreversível .

Este é o momento de voltarmos a provar que a governação, connosco , faz toda a diferença, para melhor.

Força camaradas. Porque o momento não é fácil temos de cá estar.

Saudações Socialistas



Eurídice Pereira

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