Crónica do dia por José Geraldes

Para combater a insónia há quem conte carneiros. Eu pus-me a contar os caracteres do último Boletim Municipal do Seixal e contei 2 milhões, setecentos e vinte e cinco mil caracteres e foi aí que, ao fazer a análise de conteúdo, me voltou a insónia:
No meio de tantos caracteres, no meio de tanta prosa, não existe uma única referência a palavras como oposição, outras forças políticas, votos contra, abtenções, declarações de voto, referências aos nomes de outros vereadores e autarcas municipais que não sejam os da manhosa maioria comunista, enfim, a realidade ultrapassa a ficção: como é possível a existência de um pasquim como este num Portugal Democrático! Como é possível esta exaltação patológica dos feitos e glória do poder autárquico comunista na terra onde eu vivo! Como é possível a existência de uma redacção com aprendizes de informação, capazes de tanta ocultação e manipulação! Então andámos a lutar, tantos anos, pelo direito à liberdade de expressão e estes fulanos, agora, voltam ao antigamente!
Desculpem lá, vou voltar a contar os caracteres do boletim municipal, para ver se não me enganei.
Boa Noite!

3 comentários:

Anónimo disse...

É possivel num concelho onde a cãmara compra pasquins nos quais nem uma única frase é escrita correctamente.

outsider disse...

O pior de tudo é mesmo o estilo... entre o discurso Brejneviano e o slogan pincheiro com toques de "Rosto Humano". Em suma, uma nulidade que custa demasiado dinheiro para o que faz... propaganda

Anónimo disse...

O geraldes,Samuel!!!

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