Acerca das folhas soltas que inundam as ruas do nosso Concelho

Olho para as ruas do nosso Concelho e digo para mim mesmo: porque não escrever sobre as folhas soltas, enquanto as brigadas de limpeza da Câmara, não as recolhem, inevitavelmente aos sábados, para justificarem horas extras para os funcionários eleitos como a aristocracia operária dos tempos do PREC !
Mas, deixemos estes horários dúbios para os Vereadores da Oposição!
E a primeira folha solta que recolho do chão remete-me para a candidatura ( ou será, tão somente, uma propositura) candidatura essa do PCP, logo, o Francisco Lopes, electricista, aliás, profissão digna e de alto risco e de alta voltagem.
O Electrificante Francisco define a sua candidatura como Patriótica. Até aqui tudo bem: candidata-se a Presidente da República, logo da Pátria, logo Patriótica. Mas no meu cérebro fez-se um curto-circuito: então as outras candidaturas não são patrióticas?
Então porquê a evocação e a tónica no Patriotismo do Francisco Lopes?
Eu tenho uma explicação para isto: estamos perante um pleonasmo e um acto falhado! Passo a explicar: pleonasmo é aquilo que é supérfluo, aquilo que é redundante, do género "parece-me a mim; entrar para dentro". Acto falhado é uma expressão freudiana referida no livro "Sobre a Psicopatologia do Quotidiano". Significa que, inconscientemente, isto é, através do acto falhado, o desejo do inconsciente é realizado. Isto explica o facto de que nenhum gesto, pensamento ou palavra acontece acidentalmente. Os actos falhados consistem em revelar o que o íntimo oculta. No caso concreto, o facto do PCP se definir como um Partido Internacionalista, saudosista das Internacionais Comunistas do Princípio do Século XX.
Este axioma marxista leninista de que o Comunismo não se confina a um só País, daí ser necessário exportar a Revolução, vem demonstrar à evidência que o PCP está em contra ponto e com profunda angústia perante Presidências da República, Democracias Parlamentares e outras manifestações de burguesias nacionalistas. Portanto, é preciso afirmar e vender aquilo que não se sente: o Patriotismo! ( diga-se em abono da verdade que o Slogan "Uma Candidatura Patriótica e de Esquerda", para além de fracota, revela falta de criatividade.).
Finalizaria esta prosa em torno de uma folha caída, citando, pasme-se, Nicolau Breyner: "É melhor ser Alegre que ser triste"
Fim de citação.

José Geraldes

2 comentários:

Anónimo disse...

...a linguagem marxista tem um léxico muito particular, tão funcional como um vocabulário técnico, onde as próprias metáforas são estritamente codificadas, e ao contrário da escrita revolucionária que institui sempre um direito sangrento ou uma justificação moral, a linguagem marxista que está na sua génese da linguagem comunista, pretende ser uma linguagem do conhecimento; cada palavra é uma exígua referência ao conjunto de princípios que a sustentam de um modo inconfessado; por exemplo, a palavra “implicar”, não tem o sentido neutro que encontramos no dicionário, alude sempre a um processo histórico preciso, é um determinante algébrico que representa todo um parêntese de postulados anteriores; esta linguagem tornou-se rapidamente uma linguagem do valor, e tem a função de fazer a economia de um processo; realiza um perfeito fechamento, anulando o intervalo entre a denominação e o juízo; um valor é dado como explicação de outro valor; por exemplo, diz que o indivíduo é criminoso porque desenvolveu uma actividade nociva aos interesses do Estado, o que equivale a dizer que um criminoso é aquele que comete um crime; aqui já não se pretende estabelecer uma explicação marxista dos factos ou uma racionalidade revolucionária dos actos, mas de dar o real sob a forma julgada, impondo a simultâniedade da condenação; o conteúdo da denominação “dissidente” adquire nesta linguagem uma ordem penal; se dois “dissidentes” se reúnem tornam-se “fraccionistas”, o que não constitui uma falta objectivamente diferente, mas um agravamento da penalidade; há também desenvolvimentos tácticos da linguagem do comunismo triunfante, como por exemplo, a ambiguidade voluntária dos termos “democracia”, “liberdade”, “paz”, etc.

Anónimo disse...

...para Althusser, que recupera a óptica marxista, a ideologia é materializada nas práticas das instituições — e o discurso, como prática social, seria então “ideologia”


Se por hipótese Ideologia, fôr o conjunto de ideias, doutrinas e visões de um grupo, orientado para as suas acções sociais e politicas, na visão de Marks, Ideologia é um instrumento de dominação que age através do consentimento, de forma prescritiva alienando a consciência humana e mascarando a realidade.

No caso vertente, basta analisar o slogam à luz do próprio Marxs, que como discurso/ideologia revela muito mais...um estranho “nacionalismo” pequeno burguês, que por mais que se disfarce de “esquerda” não se consegue libertar nas suas práticas, dos laços que o amarram indelivelmente à mentalidade nacional salazarista em que foram criados os actuais membros.... os "internacionalistas”...esses, há muito que foram expurguados!!!!!!

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