A arte de dizer uma coisa e o seu contrário sem que os outros percebam não é política

Como já é publico apoio o candidato Luís Ferreira para presidente da federação distrital de Setúbal do PS, esta é a minha declaração de interesses.
Tal decisão muito se deve a pensar que a politica deve ser rejuvenescia, de caras, porque não? Mas principalmente no modo da fazer.
Vem isto a propósito da entrevista que, o também candidato Vítor Ramalho, dá esta semana ao jornal do Seixal e que pode consultar aqui.
Diz, a determinado momento, Vítor Ramalho enaltecendo os investimentos do Governo no distrito : “O projecto do arco ribeirinho Sul, que é uma obra de grande envergadura e que irá permitir requalificar a zona ribeirinha de vários concelhos.”
Até aqui tudo bem, não fora mais à frente, na mesma entrevista, afirmar também Vítor Ramalho: “Agora há uma quebra significativa na procura na construção, há casas a mais, ninguém compra, por isso queixam-se. Foi por isso que eu me opus a que fossem desafectados à Siderurgia Nacional mais uma vasta área para a construção no Seixal. Muita gente criticou-me na altura mas agora – tarde – reconhecem que tinha razão.”
A este propósito impõem-se dois esclarecimentos, primeiro que dos 7 eleitos do PS que votaram a favor do projecto ainda nenhum assumiu, que me conste, que mudou de opinião. Quanto aos três que votaram na altura contra já o mesmo não se pode dizer.
Segundo, e mais importante, relembre-se que o projecto do Arco Ribeirinho Sul e o projecto da Siderurgia são, no que ao Seixal diz respeito, exactamente a mesma coisa!
Ora é justamente contra esta forma, ultrapassada e que tanta má imagem tem trazido aos políticos que me rebelo, como é possível numa mesma entrevista, afirmar uma coisa e o seu contrário?
Ou o projecto do Arco Ribeirinho Sul é bom ou não é. Agora não podemos é pelo simples facto de lhe mudar o nome mudar também a nossa opinião.
Por fim gostava de deixar uma questão em aberto, na área da siderurgia nacional 20% do território destina-se a habitação, estando previstos para o local prédios de três andares no máximo. Os restantes 80% do território ocupado pela ex-siderurgia nacional destinam-se à ocupação industrial. Algumas vozes Socialistas, poucas, mostram-se contra este projecto. Já para o espaço da antiga Lisnave está previsto uma ocupação a 100% com habitação e serviços, em construção em altura e ainda não ouvi uma única voz em sentido contrário…

3 comentários:

Anónimo disse...

Vitor Ramalho no seu melhor,a arte de saber enganar e ludibriar.
Chegou a hora de mudar.

Anónimo disse...

Caro Camarada Samuel, sem querer ser purista, gostava, já agora que me ajudasse a entender a acusação que faz a VR (Vitor Ramalho) quando diz que " A estratégia política delineada pelos dois últimos Secretariados da Federação tem-nos causado alguma perplexidade. Frequentemente, parecem sofrer do lirismo dos movimentos de extrema-esquerda, como demonstram as constantes proclamações do fim do capitalismo, ou os recorrentes ataques a algumas das reformas mais significativas iniciadas pelo nosso camarada José Sócrates. Este comportamento acaba por nos enfraquecer e é revelador de uma incoerência e inconstância que poderão acabar por se tornar prejudiciais aos desafios que se desenham no horizonte"
e depois continua "comportamento acaba por nos enfraquecer e é revelador de uma incoerência e inconstância que poderão acabar por se tornar prejudiciais aos desafios que se desenham no horizonte "
Com todo o respeito e consideração, como consegue enquadrar estas afirmações num texto que reproduz exactamente as criticas que faz ao candidato? È dificil encontrar tanta incoerência quando se pretende ser esclarecedor e simples.O partido socialista sempre foi um partido de homens livres e de opinião própria, mas se critica VR por ter a arte de dizer uma coisa e outra sem que os outros percebam, olhe que o seu texto encaixa que nem uma luva nessa afirmação.
Termino desejando-lhe boa sorte para o seu candidato, que não é o meu, como é óbvio.

josé manuel lousada

Samuel Cruz disse...

Caro Lousada,

Sinceramente não consegui compreender exactamente o alcance do seu raciocínio mas certamente vamos ter a ocasião de trocar impressões sobre o assunto pessoal e brevemente.
Mas sempre lhe posso adiantar que não fui que afirmei o que escreve apesar de estar escrito na moção que subscrevo, o que ainda assim é diferente.
O que queremos dizer é que o actual secretariado federativo tem uma politica de ataque ao candidato socialista à presidência da República, que as intervenções do presidente da federação foram muitas vezes criticas para as politicas do Governo, veja por exemplo o caso da siderurgia.
Agora no contexto do debate interno fazer uma critica ao candidato a presidente da federação não é a mesma coisa que criticar o primeiro-ministro sempre há-de concordar.

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