Medo e Hipocrisia


Algo que me fez reflectir desde os primeiros momentos, enquanto Vereador da CMS, foram os níveis de adesão à greve na autarquia, em pleno mês de Maio, com mais uma greve já convocada, faz sentido voltar ao tema.
É que sabendo nós que a esmagadora maioria da população Seixalense não é comunista, nem sequer afecta ao Bloco de Esquerda, ou a outras formações políticas da esquerda radical e que os níveis de sindicalização são cada vez menores na nossa sociedade, ver todos os serviços do município encerrados em dias de greve convocada exclusivamente por sindicatos afectos à CGTP é, no mínimo, estranho.
Após aturada reflexão apenas duas hipóteses se me afiguraram válidas: ou na CMS existem formas de coacção sobre quem não faz greve ou o departamento de pessoal da CMS é tão eficaz que apenas recruta trabalhadores esquerdistas e radicais.
Cedo vim a perceber que a hipótese correcta era a primeira, nas conversas de café lá fui ouvindo: eu faço greve porque não estou para ser chateado pelo piquete, faço greve porque senão já sei que vou ser incomodado pelo chefe ou já sei que se não fizer greve, não faço mais horas extraordinárias; enfim um conjunto de afirmações extraordinárias, elas sim, que me fizeram chegar a uma simples conclusão: na CMS o clima é de medo.
Eu próprio, no primeiro dia de greve em que fui trabalhar (os eleitos não fazem greve desde pelo menos os tempos do 1.º Ministro Pinheiro de Azevedo) fui perseguido e incomodado, até junto do meu gabinete, por um grupo de barbudos de fato de treino em pose intimidatória, quais Che-Guevaras da margem Sul. Actos que levaram até, num momento posterior, à intervenção das autoridades policiais.
É que na Câmara Municipal do Seixal em dia de greve nem os Prestadores de Serviços, nem os eleitos que, naturalmente, não fazem greve se atrevem a ir trabalhar!
Este mandato os Vereadores Socialistas resolveram aprofundar a questão e colocaram duas questões simples ao Sr. Presidente da Câmara:
1. Qual o n.º de trabalhadores que faz greve na CMS?
2. É descontado o vencimento do Sr. Presidente e dos Srs. Vereadores nos dias de Greve?
A resposta levou-me à segunda conclusão que dá nome a esta crónica, para além do medo no Seixal prevalece a hipocrisia, senão vejamos:
Dos 1634 trabalhadores da CMS aderiram à greve 1150 ou seja, cerca de 70%. Um homem médio deduziria que um terço dos serviços municipais funcionou normalmente mas na realidade não foi assim, todos os serviços encerraram e a explicação para tal facto é simples: apenas 19 trabalhadores têm a coragem de se apresentar ao serviço, os restantes 465 recorrem aos mais variados expedientes, com destaque para a alteração dos dias de férias para não trabalhar neste dia mas também não verem o ordenado descontado.
Nada de criticável afinal se o exemplo até vem de cima. É que é frequente em dia de greve vermos imagens dos eleitos municipais a subirem a Avenida ao lado dos seus camaradas de luta… O que até seria louvável, não fora na resposta ao requerimento apresentado pelos autarcas Socialistas, o Presidente da Câmara ter esclarecido que ele próprio e os restantes vereadores comunistas têm um estatuto próprio enquanto eleitos, pelo que não são abrangidos pelo direito à greve, ou seja, não trabalham mas os seus vencimentos não são descontados.
É por isto que afirmo que o clima que se vive na CMS é de Medo e Hipocrisia.
E por isso, deixo um repto a todos os trabalhadores das autarquias do Seixal: e você, vai continuar a ser parvo?

3 comentários:

Bruno Ribeiro Barata disse...

Grande pertinência e exemplificativo da actual esquerda radical onde vale tudo para captar votos, ficando o interesse nacional para segundo plano.

A foto é do Kim Jong-il?

Anónimo disse...

E o trabalhador da Câmara responde:

Sim, vou continuar a ser "parvo" de olhos muito abertos para a tua "inteligência" arruaceira e cretina, sr. vereador de pacotilha.

Esclarecido?

Anónimo disse...

você está a chamar-me parvo?
olhe que não lhe fica bem, Sr. Verador.

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