As eleições autarquicas de 1908

Hoje queria-vos aqui deixar a acta das eleições autárquicas de 1908... Infelizmente não consigo transformar o pdf em imagem editável pelo blog (aceito conselhos). Assim deixo-vos aqui apenas algumas curiosidades extraídas desse documento.
Estas eleições foram as primeiras em que os Republicanos elegeram representantes para os executivos municipais. Dada a relevância histórica do acontecimento no Montijo, à imagem de outros pontos do país, foi organizada uma exposição alusiva ao tema. No Seixal, e na restante peninsula de Setúbal, já se sabe, não se comemora a Revolução Republicana porque foi feita por burgueses... Assim não vale a pena contar com nenhum evento que nos ajude a compreender esta época tão rica.
Nestas eleições, que se realizaram nos paços do concelho a 1 de Novembro (Domingo)votaram setecentos e trinta e cinco eleitores.
As urnas abriram pelas três da tarde, depois de já ter sido escolhida a Mesa, pelo curioso método de votação, que foi quem vota a favor vai para a direita da sala, quem vota contra para a esquerda.
Os grandes vencedores foram Carlos Vieira de Matos, proprietário, e José Polycarpo Ferreira, carpinteiro, ambos com seiscentos e vinte e dois votos.
A eleição tinha por objectivo escolher cinco Vereadores efectivos e cinco suplentes, o décimo e último vereador eleito foi Alfredo dos Reis Silveira, carpinteiro com quatro votos.
O Edital foi afixado na porta da igreja e, logo de seguida, na presença de todos, as listas de votação foram queimadas.

P.S: A imagem é do comício de apresentação dos candidatos Republicanos em Lisboa, penso que o local retratado é a actual Praça do Chile.

O célebre Boga – Uma entrevista Sensacional

Grande trunfo democrático ouvido pel’ “A Época”

Os senhores lembram-se, por acaso, do Boga?
O Boga é aquele sóba democrático do Seixal que o jornalista sr. Bourbon e Meneses imortalizou nas colunas d’O Mundo.
O Boga é o grande trunfo democrático, amigo querido, do sr. António Maria da Silva, a quem dizia, quando da inauguração do troço Seixal-Barreiro:
- Tu és um gajo!... És o único que tem levado isto direito!
O Boga…
Lembram-se, não é verdade?
Ora bem! Resolveu cá a gazeta que o Boga fosse ouvido, que muito deviam valer as suas opiniões. Nós cá, em matéria política, limitamo-nos a isto: ouvir gregos e troianos, para conhecimento do leitor. D’esta vez a sorte coube ao sr. Boga. E vai daí o repórter fez-se a caminho do Seixal.
No caminho ia pensando no modus faciendi e quem o observasse durante a viagem vê-lo-ia absorto, preocupado, medindo a largos passos o convés: andava a elaborar in mente a abertura da entrevista.
Primeiro, descreveria o Boga:
- Alto, forte, ombros largos, grandes bigodeiras, o Boga…
Depois…
Mas o leitor naturalmente o que quer saber é do resultado da minha missão, não é isso?
Ora então vamos lá.
Mal cheguei ao Seixal inquiri, logo, pelo entrevistado.
Soube-o morador em determinada ruela n.º 5.
E avancei para o local, com certa prudência, que (isto aqui para nós) eu não ia lá muito tranquilo.
Em boa alhada me meti, não haja dúvidas, ia eu pensando. Redactor d´A Época, o menos que me pode acontecer é apanhar uma boa dose de pancadaria e… um banho forçado.
Mas, ia-me embora sem a entrevista…
Houve uma coisa cá dentro que me incitou:
- Sús, Avante.! Um homem é um homem e um gato é um bicho.
E bati à porta da habitação indicada.
Um rosto deliciosamente lindo espreitou por uma janela e uma vozinha de cristal perguntou:
- O que queria?
- Ó menina, o sr. Boga está?
- Está sim!
E para dentro.:
- Ó papá, estão aqui à sua procura.
A porta da rua abriu-se, uma voz mandou-me subir e eu subi, impávido.
No cimo das escadas, com um sorriso acolhedor o sr. Boga esperava.
Cahi das nuvens…
Então era aquele cinco reis de gente o pavoroso Boga.
- Tenho a honra de cumprimentar o sr. Boga? Disse afável.
E logo ele:
- Eu mesmo, o Boga do Seixal, bem conhecido em Lisboa e arredores.
- É que eu sou dos jornaes…
- Ah! Já sei é da imprensa.
Vem naturalmente entrevistar-me por causa dos melhoramentos?
- É isso mesmo – titubiei, satisfeito do caminho que as coisas levavam.
O sr. Boga ordenou para dentro que lhe dessem a boina e o rebate que estava em cima da cama desceu à rua.
Só então (as escadas eram escuras) é que distingui bem a fisionomia.
O meu entrevistado é de estatura meã, seus cincoenta ano, testa acanhada, rosto em bico semeado de pêlos ralos. Sobre os olhos, uns olhos raiados de sangue e vesgos, horrivelmente vesgos, caía-lhe umas farripas de cabelo, mal escondidas pela boina.
- Ora vamos a isto – dizia o sr. Boga – O sr. vê aquele poço? É um melhoramento da nossa Câmara (de que eu sou presidente). Se quer vamos ao depósito. E seguimos por uma rua, metemos à estrada e encontrámo-nos junto do tal depósito. Aqui, o sr. Boga deu largas ao seu lirismo de vereador:-
A água vae lá para baixo, por meio de uma mantca… Aquela rua vai ser alargada…
Bem me importava a mim… Por isso atalhei:
- O peor é se a política prejudica…
Foi como se eu chegasse fogo a um rastilho.
O sr. Boga parecia outro, congestionado, com os olhos a saltar pelas orbitas…
- A jasuitada é que estragava tudo. Ele bem trabalhava para a exterminar mas a maldita aparecia sempre. O repórter não se lembrava do caso do Lata?
Isso é que ele é um malandro! Eu que avaliasse pelo que me ia contar.
E disse:
- Quando foi ahi dumas eleições e eu entrei na sala do acto eleitoral, lá porque dei um Viva à República e um Abaixo a Reacção já aquele malandro me perseguiu.
A Jasuitada! Ali na vila andava agora com as patas de fora, mas não faria minga, que o Parocho – um grande jasuita – mais dia, menos dia, apanhava uma data de cavalo-marinho. Que ainda havia reaccionários maiores. Não conhecia eu um tal Carvalho da quinta da Amora? Esse era o jasuita-mor. E o filho então inda era peor que o pae.
Encostou-se à borda do poço, cerca de nós e disse com o seu quê de desatento:
- Esse sr. Bourbon e Meneses disse que era mais republicano que eu. Tem graça!
E animado:
Quando ele ainda andava de cueiros já eu comia peixe-espada de mancupa.
Uma vez n’um comiço presidido pelo Elias e em que falou esse grande cidadão Magalhães Lima, à sahida apanhei uma pranchada nas costas…
Um conhecimento do sr. Boga que passou, a certa altura, cumprimentou-o decerto por ironia, com salve-o Deus.
O interpelado foi aos arames.
- O Deus que o guardasse para ele!
Ora essa! Não queria nada com o patrão dos jasuítas o chefe dos santos…
E para mim:
- Eu cá sempre fui assim… Nunca poude vêr a padralhada! E é que minha mãe levou enterro civil. Infelizmente tenho um irmão que não é das minhas ideias. Coitado, é munto bruto…
De repente, tirando a carteira do bolso:
- Já me esquecia; aqui tem o meu nome todo para pôr no jornal.
E entregou-me um cartão:
JOAQUIM DOS SANTOS BOGA
Carpinteiro naval
As ironias do acaso: o Joaquim dos Santos Boga a dizer cobras e lagartos…
E a entrevista prosseguiu.
O Boga falou do sr. Cunha Leal:
- São uns intrujões. Olhe esse Cunha Leal que dizia que mandava buscar o dinheiro às barras dos banqueiros com Guarda Republicana!
O que ele se quis foi governar…
E quasi em confidência…
- Que ele, aqui para nós, o Partido Democrático também tem os seus crimesinhos. Mas sempre é o Partido da força.Ele há para ahí um Partido chamado Radical e dois oficiaes até me convidaram para ele. Radicaes já nós somos.
E repetiu:
- Cá o meu sempre é o partido da força. Quanto a uns taes nacionalistas ninguém lhes liga nenhuma.
Aqui no Seixal, o mando é meu e do meu compadre. Já era assim quando eu era presidente da parochia.
Falando do chefe do Governo:
- Aquele diabo não é mau rapaz, mas não tem seguido os meus conselhos. Ele quando esteve aqui botou-me a mão pelo hombro, que já se sabe, deve-me muitos favores, mas - insistiu – não ouviu os meus conselhos.
Eu bem lhe disse: - António, toma tento, esmaga a Reacção, mas aquele diabo parece que tem os olhos tapados. Quem lhe vale, aqui, sou eu. Há uns tempos, quando fizeram uma manifestação dos Jasuitas, que fizeram uma missa, depois no acto eleitoral é que se viram os homens. Eu com os coxos e aleijados consegui arranjar mais vinte e cinco votos! Ainda se quizeram atirar a mim mas puxei da pistola e quatro ou cinco saltaram a muralha.
Não, não vae, o António Maria não vai pelo bom caminho.
…/…
A hora do embarque vinha-se aproximando e com franqueza estava ancioso por embarcar…
O meu entrevistado regougou ainda uns impropérios contra a reacção, ameaças de cavalo-marinho e não sei que mais…
Mal o barco atracou, saltei para ele e… cheguei a Lisboa são e salvo.

Quando França ama a Rosa

A alegria voltou ao pátio do n.º da 10 da rua de Solferino (sede nacional do PS França), a razão não é para menos, com excepção da Alsácia e da Reunião as regiões francesas viraram à esquerda.
Valentine e Camille, ambas de 19 anos, fizeram campanha nas suas escolas "para educar os jovens e explicar que as escolas são geridas por regiões, a votação de hoje é fundamental para eles" disseram. É esta a beleza da democracia francesa, jovem e madura ao mesmo tempo.
A análise destes resultados não indicia ainda a viragem nas presidenciais que se avizinham, mas confirma a clara rejeição sofrida pela política centralista de Sarkozy e a adesão às políticas regionais defendidas pela esquerda.
Aguardemos pois para ver o que o futuro nos reserva, em França e na Europa…

OS BOGAS


In jornal “O Mundo”

Há alguns dias numa qualquer assembleia republicana usaram da palavra, entre outros, o sr. Boga, carpinteiro de barcos no Seixal e o sr. dr. Pereira Osório, ex-presidente do Senado e antigo Governador Civil do Porto. Tanto um como outro fizeram – e dir-se-ia até que à compita – afirmações que teriam feito escândalo se em Portugal fosse já possível, em matéria de dislate dizer ou fazer qualquer coisa, que consiga arripiar a sensibilidade seja de quem for. O sr. dr. Pereira Osório que tem sobre o problema religioso convicções que o obrigam a intimas afinidades filosóficas com o sr. dr. Almeida Ribeiro, disse que Jesus Cristo era um afigura de horror. O sr. Boga, esse não sei bem o que disse. Sei apenas que disse uma asneira grossa, porque de resto o sr. Boga expele asneiras tão natural e necessariamente como a baleia expele a água. Mas fosse qual fosse a patacoada com que o sr. Boga mimoseou o auditório, o que se sabe é que, rematando-a, o meu exaltado correligionário teve este arranco:
- E quem não pensar assim não é republicano!
Ora tudo isto é grave. Estamos fartos de ouvir e ver fazer asneiras. Pode mesmo dizer-se que já não absorvemos oxigénio mas tolices de tal maneira a atmosfera em que respiramos anda saturada de asneiras postas a correr. Não há na constituição artigo nenhum que proíba o sr. Boga ou o sr. Osório de dizer parvoiçadas? Não há. A asneira é livre. Mas é evidente que a saúde pública tem de ser defendida e que a proliferação de asneira, inquinando e devastando a simplicidade do espírito público está tomando entre nós, proporções de um flagelo.
Se me referi ao cidadão Boga e ao cidadão Pereira Osório é, simplesmente, porque tanto um como outro, valendo intrinsecamente o mesmo, constituem na singularidade do seu pitoresco, um símbolo expressivo da pavorosa selecção às avessas, que está fazendo da nossa sociedade política uma detestável caricatura da democracia e da vida pública portuguesa o vazadouro de todas as nulidades profissionais que a vaidade exibicionista ou o apetite mandibular articulam e põem em actividade febricitante. Que é o Boga? O Boga é um Pereira Osório sem óculos, sem frack e sem polainas que no Seixal preside, provavelmente, a uma comissão política local e nos congressos e reuniões do seu partido usa da palavra, ao abrigo da lei orgânica, para vomitar sandices descompassadas de que uma parte da assembleia sorri complacente, que outra parte ouve com mole indiferença e a que o resto, finalmente, tributa para confirmar a boutade célebre de Boileau - a veemência dos seus aplausos.
O caso é este: um Boga encontra sempre um tipo ainda mais Boga que sinceramente o admira. Adiante. Que é o sr. Pereira Osório? O sr. Pereira Osório é um Boga que usa óculos, frack, polainas e que, em vez de presidir simplesmente a uma comissão política da Outra Banda, já presidiu ao Senado. Fazendo o paralelo entre o que disse o Boga e o que disse o Osório chega-se, irremissivelmente, a esta conclusão matematicamente certa: O Boga e o dr. Osório não se diferenciam senão por meras aparências – os óculos, o frack, as polainas – e no fim de contas, isto é dos Bogas.
Ora é precisamente contra o triunfo e o tripudio dos bogas na nossa democracia que eu levanto o meu protesto, em que não há a mínima intenção de agravo pessoal para nenhum deles – que pessoalmente quero crer que sejam excelentes pessoas – mas que os mais elementares escrúpulos da inteligência pleníssimamente justificam. Há um axioma que é indispensável entranhar no espírito da nossa incipiente democracia: é que não basta ter um frack para se poder exercer funções e cargos cujo acesso a democracia abriu, não a todos que porventura os apeteçam, mas a todos que para o seu desempenho possuam, venham de onde vierem, e seja qual for a sua origem, filho de burguês ou filho de cavador.
Quem exerce as funções em que o dr. Pereira Osório foi investido não tem o direito de soltar parvoiçadas como essa a que aludi e a que um jornal republicano da noite – honra lhe seja! – logo aplicou o correctivo de uma justíssima reprimenda. Mas se ao dr. Pereira Osório não podemos reconhecer esse direito – que S. Exa. Talvez sinceramente tenha também impugnado – a verdade é que se em Portugal houvesse uma democracia verdadeira, e não um grosseiro arremedo do que por tal se deve entender, nunca eu teria que me ocupar da sua individualidade, porque na hierarquia política jamais Sua Exa. teria conseguido ir além duma inofensiva administração concelhia. A Democracia é a confusão dos que valem com os que não valem, o tumulto, a promiscuidade, a mélee. Se o fosse, a tese de Oh Maurras estava certa e por mais tilitantes que para a nossa sensibilidade fossem as aspirações democráticas, é evidente que a democracia poderia ter por si toda a gente menos os que sabem disciplinar aos ditames da razão e da inteligência criando a ordem dentro de si mesmos, os impulsos mais profundos e as inspirações mais palpitantes. Mas não. A democracia não é isso. E é justamente porque ela não é isso, nem pode nisso converter-se, que eu solto hoje, aqui, este grito:
- Abaixo os Bogas!


Bourbon e Meneses

VIVA A REPÚBLICA


Começo este post pela declaração de interesses: Gosto da malta da 1.ª República. E gosto sem precisar de grandes elucubrações sobre o tema, simpatizo e pronto, um pouco à imagem dos ódios de estimação, que se acarinham sem saber exactamente porquê e que o Miguel Esteves Cardoso tão bem descreveu num dos seus primeiros livros.
Vem isto a propósito das comemorações do centenário da República, em concreto no Seixal. Já há mais de um ano que nas sessões de Câmara venho perguntando que comemorações vamos ter. As respostas são sempre vagas, que se está a pensar nisso, certamente a data vai ser assinalada, etc., etc., mas de palpável nada. Como já vão sendo uns anitos a lidar com esta malta desconfiei…
A resposta foi-me dada numa das últimas Assembleias Municipais, um documento apresentado discorria sobre a Revolução Republicana de 5 de Outubro e 1910, apresentando-a como uma Revolução burguesa, por oposição a essa outra Revolução, essa sim proletária, e nessa medida a verdadeira Revolução, o 25 de Abril de 1974.
O mote está portanto dado, comemorações do 25 de Abril em grande estilo, 5 de Outubro, talvez, mas devagarinho que isso é coisa de burgueses.
Enfim o sectarismo é tanto e a estreiteza de vistas tão larga que certamente não vale a pena contra argumentar com o importante, senão decisivo, papel da carbonária na revolução de Outubro de 1910, entrecruzando aqui a estrutura sociológica desta organização ou sequer com os fundamentos corporativos que estiveram na génese do movimento dos capitães, nomeadamente a oposição entre milicianos e oficiais oriundos da academia – para isso era necessário que o interlocutor nos quisesse ouvir e não é, manifestamente, o caso.
Assim sendo, o Rumo a Bombordo vai, ao longo do próximo ano, tentar publicar algumas histórias dessa época tão rica, do que pelo Seixal se viveu.
O primeiro destes Posts intitula-se os Bogas, será publicado amanhã, e é a transcrição dum texto publicado no jornal “O Mundo” que mão amiga me fez chegar, por isso aqui fica o meu muito obrigado.

Partido Social Democrata Seixal - Estranha encerramento do correio electrónico dos vereadores eleitos pelo PS

Notícia Rostos

"Solidariedade com os vereadores eleitos pelo Partido Socialista

A Comissão Política do Partido Social Democrata do Seixal refere que – “não pode deixar de estranhar a posição assumida pela Câmara Municipal do Seixal, ao encerrar o correio electrónico dos vereadores eleitos pelo PS”.
“Esta não foi seguramente, a primeira vez que os meios da CMS foram utilizados para fins político-partidários” – sublinha, por essa razão – “se solidariza, nesta matéria, com os vereadores eleitos pelo Partido Socialista”.

“A Comissão Política do Partido Social Democrata do Seixal (CPS/PSD/Seixal), não pode deixar de estranhar a posição assumida pela Câmara Municipal do Seixal (CMS), ao encerrar o correio electrónico dos vereadores eleitos pelo PS, na referida Câmara a pretexto de estes terem alegadamente utilizado os mails institucionais para distribuir um comunicado aos trabalhadores.” – refere em comunicado a Comissão Politica PSD do Seixal

CMS anda de mão dada com iniciativas político-partidárias

“Esta não foi seguramente, a primeira vez que os meios da CMS foram utilizados para fins político-partidários. Ao longo dos anos habituámo-nos a observar que a CMS anda de mão dada com iniciativas político-partidárias, como a Festa do Avante, e sempre isso pareceu inteiramente justificável aos olhos dos responsáveis desta Câmara de maioria PCP mesmo quando se trata de disponibilizar meios humanos e materiais para a organização e/ou divulgação da mesma.” – acrecenta a nota do PSD.

Solidariedade com os vereadores eleitos pelo Partido Socialista

“Assim, a CPS/PSD/Seixal não pode deixar de notar que se trata de um claro caso de “dois pesos e duas medidas” pelo que se solidariza, nesta matéria, com os vereadores eleitos pelo Partido Socialista” – refere a finalizar a Presidente da Comissão Politica PSD do Seixal."



Agradecendo naturalmente a solidariedade demonstrada, os Vereadores desejam apenas clarificar um ponto: não foram, pela nossa parte, usados meios municipais para qualquer fim politico-partidário. Os Vereadores eleitos pelo PS limitaram-se a utilizar os seus mails (sem qualquer custo para a autarquia) para comunicar com os trabalhadores municipais. As nossas opiniões, aí versadas, eram naturalmente criticas para com o executivo municipal comunista e, particularmente para com o seu presidente.
No entanto tal não pode ser classificado como politica partidária pois trata-se duma acção institucional dos vereadores do PS e apenas sua.
Se é politica?
Naturalmente que é, não fomos eleitos para fazer outra coisa, nem os meios que nos são postos à disposição se destinam a fazer outra coisa.

Seixal: PS, PSD e BE pedem explicações à autarquia sobre encerramento dos mercados municipais

Lisboa, Portugal 11/03/2010 21:37 (LUSA)
Temas: Autoridades locais

Seixal, Setúbal, 11 mar (Lusa) - Três vereadores (PS, PSD e BE) na câmara do Seixal entendem que o encerramento de dois mercados municipais levado a cabo pela ASAE “poderia ter sido evitado”, alegando que o assunto era do conhecimento da câmara desde 2008.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) visitou há duas semana os mercados municipais de Paio Pires e do Casal do Marco e decidiu encerrá-los por “não estarem reunidas as condições para o bom funcionamento”, conforme notificação.
A questão foi levantada hoje durante a reunião pública da câmara do Seixal, realizada quinzenalmente.
O vereador socialista, Samuel Cruz, acusou a câmara de ser “irresponsável”, porque “permitiu durante dois anos que a situação de avançada degradação dos mercados continuasse” e acrescentou que se trata de “uma situação que pôs em risco a saúde pública”.
Para o vereador social-democrata, Paulo Cunha, “não é compreensível não terem sido feitas as devidas intervenções nos mercados a tempo de evitar o seu encerramento”.
Outros mercados do concelho foram apontados por Luís Cordeiro (BE), como os mercados das freguesias da Cruz de Pau e de Corroios, que referiu “estarem nas mesmas condições há 35 anos, sendo que estão a degradar-se de dia para dia”.
“Tem que haver mais apreço pelo comércio local, no sentido de evitar o arrastamento de cada vez mais pessoas para as grandes superfícies”, realçou, defendendo a execução de obras que tornem os mercados municipais mais atrativos.
Em resposta, Joaquim Santos (CDU), vice-presidente da autarquia, admitiu que a legislação evoluiu e que “os mercados não conseguiram acompanhar as exigências actuais”. No entanto, garantiu que “já há algum tempo que a câmara vinha a conversar com a junta de freguesia de Paio Pires [detentora dos mercados encerrados], no sentido de ser construído um único mercado que servisse as populações das freguesias afectadas”.
“Consultámos a população e a nossa opção foi posta de parte porque não iria prestar um melhor serviço aos munícipes”, acrescentou o autarca.
Alfredo Monteiro (CDU), presidente da autarquia, adiantou que a decisão final, depois de ter sido ouvida a população e as juntas de freguesia, foi a da “recuperação total dos mercados já existentes”.
As obras a serem realizadas nos mercados em conformidade com a lei são a exigência de bancas em inox, de circuito de água quente e de arcas frigoríficas, entre outras.
“Estamos a falar de investimento público, é certo que a câmara tem que investir para servir as populações, mas tem que ser um investimento cuidado, rentável e bem aplicado”, frisou o autarca, acrescentando que “esta é a política de mercados adoptada pelo município”.
A Lusa contactou vendedores nos mercados, que afirmam “estar de mãos atadas” enquanto não forem feitas as obras.
Não havendo ainda previsão para o início das obras, foi encontrada uma solução de compromisso para com os vendedores: foram disponibilizados espaços nos outros mercados municipais - Seixal, Torre da Marinha e Pinhal dos Frades - para que provisoriamente consigam trabalhar e terem a sua forma de sustento, indicou a Câmara.

SYC.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim.

Seixal: Presidente da câmara mandou encerrar contas de correio eletrónico dos vereadores socialistas

Lisboa, Portugal 11/03/2010 21:24 (LUSA)
Temas: Autoridades locais

Seixal, Setúbal, 11 mar (Lusa) - O presidente da câmara do Seixal, Alfredo Monteiro (CDU), mandou encerrar as contas de correio eletrónico dos três vereadores do PS, alegando que "as contas de e-mail da câmara não são para fins político-partidários".
A denúncia foi feita hoje por Samuel Cruz, vereador socialista da autarquia do Seixal, durante a reunião pública de câmara, que afirmou que a atitude de Alfredo Monteiro é "um atentado à democracia e que foram postas em causa as conquistas de Abril".
Em causa está um comunicado difundido por parte dos três vereadores socialistas para a comunicação social a partir da conta de correio eletrónico da câmara.
Situação que o presidente da autarquia repudia: "As contas de e-mail são exclusivamente para uso de assuntos que estejam relacionados com a câmara, quer seja para algo que os vereadores tenham a dizer aos trabalhadores ou questões relacionadas com os seus pelouros. Agora, sempre que sejam utilizadas com outros objetivos serão encerradas."
"O exercício da democracia faz-se com os meios ao dispor, cada um que faça a avaliação dos meios que tem utilizado para o fazer, mas através dos meios da câmara não", asseverou Alfredo Monteiro.
Fonseca Gil, também vereador do PS, disse ao presidente da câmara: "Não é por este método que nos vai calar."
Samuel Cruz acusou ainda o presidente da autarquia de estar a "censurar os vereadores socialistas" e considerou "lamentável que tantos anos depois do 25 de Abril se ponha o lápis azul nas opiniões do PS".

SYC.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim.

Limpar Portugal no Seixal precisa de mais voluntários!

A menos de 15 dias do dia 20 de Março de 2010, dia da iniciativa Limpar Portugal, já foram identificadas no concelho do Seixal mais de 100 lixeiras ilegais em espaços de acesso público. Estão inscritos como voluntários 124 munícipes - "mas são precisos muitos mais para tornar este sonho possível".

O projecto Limpar Portugal está na rua desde 2009 e pretende juntar o maior número de voluntários para uma jornada de trabalho em prol de um país mais limpo.
Assim as inscrições para participar ainda estão abertas e decorrem até à data da iniciativa, 20 de Março. Todos os interessados podem, no próprio dia, dirigir-se logo pela manhã, a uma das Juntas de Freguesia ou Escolas Secundárias do concelho e contribuir para um Seixal mais limpo.

Programa provisório para o Concelho do Seixal

9 Horas – Juntas de Freguesia da área de residência para todos os cidadãos.
9 Horas – Escolas participantes (alunos, pais e professores)
Por freguesia foram identificadas prioridades de actuação que tiveram em conta a localização, acesso, tipologia de lixo e capacidade de intervenção.
13 Horas – Concentração de todos os participantes na acção de limpeza da manhã junto ao Jardim do Seixal

Os vampiros

Os Vereadores Socialistas na CMS, no actual mandato, preocuparam-se desde a primeira hora em comunicar com os trabalhadores.
Tal desiderato foi perseguido, entre outras acções, através do envio de e-mails, aos funcionários municipais dando conta das nossas tomadas de posição.
Deve ter entendido o Sr. Presidente da Câmara que tal consistia uma perigosa ameaça à democracia, tal como ela é entendida nesta Margem Sul do Tejo...
Por isso, sem qualquer contacto prévio ou informação, foram as contas de utilizador do sistema informático da Câmara dos Vereadores Socialistas canceladas e substítuidas por outras novas, desta vez já sem acesso ao sistema de e-mail do município...


Emprego na CM Seixal

Existem 30 ofertas de emprego, até dia 11 de Março na Câmara Municipal do Seixal.
Veja aqui.
Concerteza é uma informação sem importância nenhuma porque não existe qualquer referência ao factok, nem no site da Câmara, nem no Boletim Municipal.

Jobs for the girls

Numa Câmara que se orgulha de recorrer essencialmente à administração direta, não deixa de ser curiosa a contratação da empresa Sueli Silva, Unipessoal Lda., para desenvolver a complexa tarefa de, e passo a citar: "Elaboração de um levantamento exaustivo e a sistematização e organização de dossiers".
Resta acrescentar que a Dra. Sueli vai receber a módica quantia de 1.600€ mensais, sim leu bem, mil e seiscentos Euros por mês para desempenhar a complicada tarefa de organizar dossiers.
Se achar que é mentira confira aqui.

Em nome da verdade... Feliz dia da mulher a todas


Americanas já o celebraram em 1909, mas a consagração deste dia só surgiu em 1910, na 2.ª Conferência das Mulheres Socialistas

As sufragistas burguesas, as operárias grevistas, as dirigentes socialistas, as escritoras rebeldes, as feministas que se reclamavam herdeiras do pensamento de Christine de Pisan (publicou, em 1405, Cidade das Damas) e Mary Wollstonecraft (editou, em 1790, Uma Defesa dos Direitos da Mulher) já tinham advogado a igualdade de direitos.

O primeiro Dia da Mulher foi celebrado, a 28 de Fevereiro de 1909, nos EUA por iniciativa do Partido Socialista da América, mas seria a proposta apresentada em Copenhaga, no ano seguinte, pela dirigente alemã Carla Zetkin, na 2.ª Conferência das Mulheres Socialistas, que originou a comemoração universal.

A origem mítica da data de 8 de Março (que só seria fixada mais tarde e foi adoptada pela ONU em 1977) era uma homenagem às operárias do vestuário e do calçado que, a 8 de Março de 1857, se teriam manifestado em Nova Iorque, reivindicando 10 horas de trabalho (em vez do horário de 16) e salários iguais aos dos alfaiates, acabando por ser vítimas de cargas policiais - embora, historicamente, este facto não tenha existido. Por coincidência, a 8 de Março de 1917, na Rússia, uma greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, o czar e a participação na I Guerra Mundial "viria a inaugurar", nas palavras de Trotsky, a Revolução de Outubro.

A 19 de Março 1911, um milhão de pessoas já celebrava o Dia da Mulher na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. O movimento, que se manteve e ampliou nessa década e na seguinte, acabou por esmorecer e desapareceu. Mas a data seria revitalizado pelo movimento feminista dos anos 60, quando se tentou terminar, definitivamente, com a ideia do papel menor conferido às mulheres - que talvez tenha raízes na Pandora da mitologia grega e na Eva da teologia cristã.

Fonte: DN
Sobre a questão do encerramento dos mercados de Paio Pires e Casal do Marco, a que voltarei com mais detalhe logo que me seja possível, aqui fica o Post do Blog Pensar Seixal que diz o essencial e muito bem.
Acrescentando duas notas apenas: Uma que o Presidente da Câmara e o Vereador do Urbanismo já conhecem esta situação desde 2008 pelo menos, uma vez que foram avisados pelos serviços que eu então titulava (serviço médico veterinário), e outra que o mercado de Corroios apenas não foi fechado porque não foi visitado.
Roubadíssimo do A-Sul, excelente post.

A MUNDET É NOSSA?



Pela pertinência deste post, republico-o e,m estraordinariamente, será publicado, conjuntamentre com os respectivos comentários, no espaço habitualmente reservado aos blogues no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra.

Talvez alguns ainda se lembrem duma faixa gigantesca a cobrir a fachada da MUNDET onde se lia qualquer coisa como: "A Mundet é nossa". Confesso que essa faixa preenchia o meu imaginário de jovem pois não percebia, de todo, o significado de tal afirmação.
Em primeiro lugar não percebia porque é que alguém se orgulhava de ter uma coisa tão estragada.
Em segundo lugar não compreendia o alcance da expressão nossa. Nossa? Mas de quem?
E finalmente não percebia o alcance daquela estranha publicidade (na realidade era propaganda mas eu não o sabia ainda), alguém tinha um prédio a cair de velho e orgulhava-se disso, mas para que é que o quereria?
Mais tarde vim a perceber que aquela afirmação sendo pura propaganda comunista encerrava significados que a minha ingenuidade juvenil não me permitia alcançar.
Sobre o Slogan a Mundet é nossa, encerrava-se todo um processo judicial que tinha oposto a Câmara e a empresa António Xavier de Lima lutando pela propriedade do terreno mas mais, a vitória da Câmara simbolizava a vitória dos heróis comunistas sobre os vilões capitalistas, não só nessa derradeira batalha judicial sobre a posse do imóvel mas também com toda uma carga emocional associada que a "fábrica" tem sobre a população do Seixal, muita dela trabalhadora da Câmara mas antiga trabalhadora da Mundet ou familiar de alguém que lá trabalhou.
Simbolicamente os trabalhadores tinham vingado a exploração a que ali foram sujeitos. Bonita utopia.
Curiosamente à cerca de duas semanas assisti no cinema São Vicente a um espectáculo do humorista Jorge Serafim (jovem mais ao menos da minha criação mas Alentejano de Beja), com agrado notei que não tinha sido só a mim que a faixa tinha marcado. Durante o espéctaculo ele disse mais ao menos isto: "Já não vinha ao Seixal há muito tempo, desde que a Câmara tinha comprado aquela fábrica, a Mundet, e pôs lá aquela faixa a dizer: "a MUNDET é nossa", hoje passei lá e está na mesma... Os senhores da Câmara agora devem estar a pensar, epá comprámos isto agora o que é que lhe fazemos?"
A verdade é que a realidade por vezes ultrapassa a ficção...
Ontem na reunião de Câmara foi-nos presente uma alteração ao Plano de Pormenor da Baía Sul que corresponde grosso modo à recuperação do casco antigo do Seixal e áreas adjacentes.
Essa alteração correspondia de grosso modo à integração da quinta dos Franceses na área do PP, enquadrando-se isto no "novo" relacionamento entre o munícipio e a empresa AXL.
Até aí tudo bem, o esturro começa quando o Vereador do Urbanismo explicou que neste quadro a Câmara ia valorizar o espaço da quinta dos Franceses e, em troca, AXL ia construir na MUNDET!!!
É caso para dizer a Mundet é nossa mas quem lá vai construir é AXL.
O que dirão disto os VERDADEIROS comunistas que se envolveram na batalha pela aquisição pelo município da Mundet?

Noticia Diário Económico

"As autarquias estão a empolar as receitas previstas para conseguirem apresentar Orçamentos equilibrados, assumindo que vão fazer vendas de património que sabem, à partida, serem improváveis. O recurso a este expediente contabilístico foi abertamente assumido à “Antena 1” por Macário Correia e Raul Castro, presidentes das Câmaras de Faro e Leiria, respectivamente. Fernando Ruas (na foto), presidente da Associação Nacional de Municípios, discorda.

No caso da autarquia algarvia, Macário Correia admite que as receitas inscritas no Orçamento para 2010 são provavelmente o triplo dos 33 milhões de euros que realmente conta arrecadar. O autarca social-democrata diz que o faz porque é obrigado a apresentar Orçamentos equilibrados e honrar dívidas passadas, sendo as receitas reais manifestamente insuficientes para cobrir os custos.

Para que as contas batam certo, Macário Correia admite que empola os números referentes à previsão de receita de venda do património – a variável mais facilmente manipulável. “É um artifício técnico, que não é ilegal, nem de esconder”, frisa, embora admita que o procedimento é pouco transparente.

Contactado pela “Antena 1”, também Raul Castro, independente eleito pelo PS para a presidência da Câmara de Leiria, admite que os números são martelados e que o Orçamento da autarquia duplica as receitas reais. "Estamos a fazer uma gestão de corte”, mas com 127 milhões de euros de despesas, também aqui se inflacionam receitas “para acertar as contas”, concede.

Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios, discorda do uso destes expedientes contabilísticos. “Sempre que há a probabilidade de existirem receitas, devem ser lá colocadas, mas fazê-lo quando se sabe à partida que não, não posso concordar, não é correcto”.

Ao “Diário Económico”, o professor da Universidade do Minho, João Carvalho, lembra que “está provado que os anos eleitorais são despesistas e portanto agora é preciso receitas para cobrir estas despesas”. O professor lembra ainda que algumas autarquias estão a atingir os limites de endividamento impostos pela Lei das Finanças Locais, o que lhes aguça a criatividade contabilística."

Cá no Seixal a prática é a mesma, podendo mesmo dizer-se que é usada muuuita criatividade, a titulo de exemplo refira-se por exemplo o valor previsto para a venda do imóvel das antigas oficinas municipais 10.000.000€ (dez milhões de Euros) que dificilmente valerá metade, ou os deliciosos 5.000€ previstos para a venda de licenças de arrumadores... Parece que os estou a ver a fazer fila à porta da Câmara a pedir a licençazinha para ir arrumar carros...

Enfim a prática é comum, depois há os que assumem e os hipócritas que tentam fazer dos outros parvos como o Sr. Ruas, a escola cá da terra é a segunda.
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