Mais Europa

Com o convencimento da importância do orçamento europeu, para o investimento público na Europa livre e para a recuperação económica alavancada nesse investimento, a União Europeia não deve perder esta oportunidade para se reorganizar e passar, definitivamente, a uma entidade que, mais do que unida por um conjunto de tratados e normas comunitárias, seja efectivamente portadora de uma governação económica comum, eficaz e assumidamente europeísta, com os valores plurais e da pluralidade democrática, representativa dos povos, bem marcados na sua acção.
Apesar de nunca ter sido um adepto convencido do federalismo, por questões de natureza óbvia de acreditar que é possível concretizar a Europa Unida sem o modelo clássico do federalismo,e face o comprometimento desse modelo por força dos sucessivos alargamentos, sendo a entrada em vigor do Tratado de Lisboa o culminar do "Europeísmo não Federal" na medida em que, quanto mais for considerado o Tratado Constitutivo da União Politica mais afasta o sistema federal puro, o que é certo é que hoje não se pode deixar para trás o debate, aberto,alargado e franco sobre a Europa comum, em especial em época de decisões importantíssimas para a Europa como as eleições do próximo dia 7 de Junho.

Com a Alemanha a contrair 5,4% em 2009, a Espanha com 20% de desemprego em 2009, a Irlanda a contrair 9% em 2009 , Portugal e a França abaixo da contracção da Filândia que ficará pelos 4,7% e os déficites públicos europeus a disparar acima dos 5%,com as previsões para 2010-porventura revistas em baixa em tempo oportuno-que evidenciam uma recuperação mas quase sempre na casa do crescimento negativo, é tempo de se reflectir sobre o futuro económico da Europa, avaliar a "experiência euro", sem a qual aliás não teria sido possível resistir à crise global, e partir para o patamar seguinte de concretização do modelo social europeu, com especial incidência em politicas comuns de emprego.
A Europa não está numa encruzilhada, está sim num desafio. E os povos da Europa devem responder positivamente a esse desafio, participando o mais possível e, deste modo, comprometendo as famílias políticas representadas no Parlamento Europeu. Mais do que uma entidade que distribuí fundos ou que acaba com fronteiras, a União só conseguirá sobreviver se assumidamente consolidar o seu processo politico.Para isso é preciso que Lisboa não seja apagada, nem da estratégia, nem do Tratado, definidos por Presidências Portuguesas, primeiro sob a égide de Guterres, depois com Sócrates.
Tanto mais que economias como a Norte Americana e a Brasileira dão sinais de recuperação e no Médio Oriente o Irão quererá ocupar o vazio deixado pela retirada dos Americanos, ocupação essa que se poderá transformar numa cruzada de índole económica, na base do mercado do petróleo e no nuclear energético, agora que o ministro dos estrangeiros deste recente governo de Israel já redefiniu e apontou o "eixo do mal".
Face a tudo isto, com a Europa a não se definir, os EUA a recuperar e a concentrar a sua recuperação numa cooperação de interesses com a América Latina- nem que para isso Obama tenha de, mesmo que parcialmente, desembargar Cuba- uma solução de governação europeia que melhore este estado de coisas e que permita fazer as pontes para o resto do mundo só pode ser uma solução que integre uma participação reforçada da esquerda democrática e dos seus ideais na Europa. E, nesse campo, é preciso saber qual o papel que a esquerda democrática quer desempenhar na Europa, em conjunto com todos os democratas humanistas europeus.

Alguns governantes de democracias Sul Americanas, à sua maneira, como Lula da Silva, claramente vão querer abalançar-se como referência para uma alternativa e uma nova ordem e vão tentar conversar melhor com Obama do que com Barroso ou Sarkozy. Novos blocos económicos informais poderão constituir-se e nós europeus não podemos ficar a falar para dentro.
É preciso mais Europa, com uma articulação mais eficaz na economia comum e sem complexos do social europeu comum.

Em Portugal, lamentávelmente, os partidos que se sentam à esquerda do PS, no hemiciclo parlamentar, representam o conservadorismo face à Europa. Não querem a Europa política e económica, como nunca quiseram. Matérias como o ambiente, as energias renováveis, as liberdades, o personalismo, não são defendidas nem por comunistas, nem pelos verdes e são mesmo abafadas pela sua postura euro-céptica ou anti-europeísta. Anti-sistémica como muito bem sintetizou Vital Moreira. Estão radicalizados e já demonstraram a sua intolerância face à Europa, escolhendo a Alameda em Lisboa para essa manifestação de intolerância e deixaram claro que estão predispostos à intolerância.

Só a esquerda democrática, solidária e social poderá conduzir a uma Europa Unida. A esquerda conservadora é um obstáculo. A direita descolorida, que maioritariamente integra a família do PPE, é uma desilusão.
Eu sei o que o PS quer e sei que Vital Moreira acompanha os ideais socialistas, partilhados por todos os socialistas que se candidatam ao Parlamento Europeu. E sei que os socialistas que vão para o Parlamento Europeu não deixarão de dialogar com todos os democratas.

José Assis

1 comentário:

Anónimo disse...

-Este Comentário vai em direcção essencialmente aos sempre ilustres caros Samuel e José Assis. Este último, porque sabe um pouco da história Europeista e trabalha bem os números, e (não tivesse ele um bom professor) percentagens. Além disso aprende bem as lições equalizadas na hora e tem uma óptima intervenções em vários documentos, a verdade seja dita, fazer um trabalho ás duas da manhã é obra, só lhe de4sejo forças para continuar. Quanto ao Samuel ,os meus agradecimentos pela abertura que nos dá em podermos comentar os seus artigos no seu blogue sem contudo melindrar quem quer que seja. Trata-se de uma troca de impressões sobre artigos sérios, que nos devemos debruçar nos mesmos para podermos saber falar em Politica Construtiva e no Futuro dos Jovens que serão os mais penalizados com Politicas Desastrosas.

ROCAMBOL

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