Europa Colorida e Amiga

«São diversos os factos que vão ajudando a um certo aligeirar da discussão europeia, em torno das eleições para o Parlamento Europeu. As lamentáveis ocorrências da Alameda, no dia Primeiro de Maio de 2009, fazendo reviver momentos históricos, vividos nos tempos do após 25 de Abril de 1974, curiosamente vividos fora do 1º de Maio, que foi um momento de unidade nacional em 1975 com o desfile conjunto e gigantesco determinante para a consolidação da viragem para a democracia, ocuparam, em desabono dessa democracia, o panorama político. Em homenagem a essa unidade nacional e ao salutar convívio entre forças sociais e politicas, o PS, o PCP a UGT e a CGTP IN têm a boa prática de apresentarem cumprimentos no 1º de Maio, apesar de desfilarem em locais distintos. Este ano a coisa não correu bem e houve quem não gostasse de ver Vital Moreira, homem reconhecidamente de enorme craveira e prestígio, que fará um excelente mandato no Parlamento Europeu. Uma demonstração de intolerância que, felizmente, só foi exercida por meia dúzia de indivíduos, que mereciam mais forte reparo por parte do PCP.

As eleições europeias, que se realizam sensivelmente daqui a um mês, são importantíssimas para o futuro do Velho Continente e, por isso, para todo o globo. Com a inevitabilidade de, mais tarde ou mais cedo, se ratificar plenamente o Tratado de Lisboa, o Parlamento Europeu, orgão que, contrariamente à tradicional arquitectura das democracias, não foi, desde logo, o referencial de funcionamento e de poder da Comunidade Europeia e da União, na medida em que não possuía muitas competências, deixando à Comissão e ao Conselho a tarefa normativa, ficará, com essa ratificação, reforçado nos poderes e no papel da construção Europeia. Por isso, como em todas as eleições, é importante reflectir sobre quem se elege e quais as ideias e os ideais sobre a Europa que se apresentam a sufrágio.

Por outro lado, com a crise instalada e sinais de mudança na Europa,como recentemente a eleição Islandesa que afirmou a esquerda como força sólida para recuperar um país que, tendo sido uma referência de bem estar e desenvolvimento, faliu, é imperativo que essa força de desenvolvimento - a esquerda democrática - se multiplique no Parlamento Europeu e daí se expanda para os outros orgãos europeus, fazendo fluir o bom sentimento social europeu. Sabemos que as forças conservadoras e pouco coloridas teimam em continuar instaladas na Europa livre, obstruindo a construção de uma União comum com uma governação forte e a caminho de um estádio social comum que permita o bem estar dos povos. E nessas forças conservadoras incluo as que estão contra a Europa comum, radicais nesse como noutros aspectos, como sejam os marxistas, a maioria dos comunistas e os direitistas do costume. A Europa colorida, amiga dos povos,livre, solidária e tolerante é a Europa da esquerda democrática. Disso não tenho a menor dúvida.

Avigdor Lieberman, ministro Israelita dos Estrangeiros visita a Europa. Depois do fracasso que foi a iniciativa de diálogo com os Palestinianos para a "solução dos dois Estados", com os Israelitas a exigirem, como condição prévia, que o Estado Israelita fosse reconhecido como um Estado Judaico e, portanto, do género apartheid, exigindo, mais ainda, que o Irão assumisse o seu desarmamento completo sem reciprocidade, coisa que, e muito bem, Hillary liminarmente rejeitou como condições prévias de negociação, o ultranacionalista ministro de um governo de direita, mas com o apoio dos trabalhistas de Israel, virá tentar convencer, alguns europeus,da bondade das suas ideias quanto ao futuro do Médio Oriente. Entretanto as investidas militares por Gaza recomeçaram. Com vozes contra o ultranacionalismo deste governo Judeu, vozes essas europeias, o ministro, porventura com o apoio da direita europeia radicada em governos como o de Sarkozy e Berlusconi, já advertiu que a União poderá deixar de ter o papel de intermediador para a paz entre Israel e a Palestina. O ministro está preocupado com o Irão. Nós europeus também estamos. E estamos preocupados com o terrorismo. Mas Avigdor parece que quer ser parte do problema e contribuir para a pressão e o conflito mais do que contribuir para a paz. Nós estamos preocupados com o ministro, defensor acérrimo do ataque a alvos civis em Gaza,e, se caso disso, ao uso do nuclear em Gaza, sendo considerado um radical do Israel Beiteinu.

Mais tarde ou mais cedo os trabalhistas Israelitas sairão do governo e a Internacional Socialista tem que intervir nesse sentido. O Presidente Shimon Peres encontrar-se-à com Obama e desse encontro poderá sair reforçado o ideal de paz, como reforçado o papel da nova Administração Norte Americana para a paz.
A Europa tem de se chegar à frente e não pode perder-se em novelas ou desmandos. A nossa amiga colorida é gira demais para ficar a ver passar os comboios e, para já, deve mandar o tal ministro para casa com uma mensagem : aqui nós queremos a paz.»


[por José Assis]

1 comentário:

Anónimo disse...

A CONSTRUÇÃO DA EUROPA COMO ESPAÇO COMUM DEVE AVANÇAR, A UNIÃO EUROPEIA NECESSITA DE DAR PASSOS EM FRENTE PARA O FEDERALISMO, E ESTAS ELEIÇÕES SÃO IMPORTANTÍSSIMAS PARA A DEFINIÇÃO DO NOVO RUMA DA UNIÃO EUROPEIA.
A NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA FISCAL COMUM (SEM COMPETIÇÃO INTERNA A ESTE NÍVEL), DE UMA POLÍTICA DE VERDADEIRA COESÃO ECONÓMICA E SOCIAL, COM POLÍTICAS COMUNS NA SAÚDE, E A CRIAÇÃO DE UM SISTEMA DE SEGURANÇA SOCIAL EUROPEU. BEM COMO DE UMA ESTRATÉGIA COMUM PARA A RESOLUÇÃO DESTA CRISE INTERNACIONAL, ELIMINANDO OS OFFSHORES, CRIANDO TECTOS SALARIAIS PARA OS GESTORES PÚBLICOS E SEMI PÚBLICOS. UMA POLÍTICA DE SEGURANÇA REAL E COMUM,PARA FAZER VINGAR A PAZ AQUI E APOIAR A ONU QUANDO NECESSÁRIO.
E TUDO ISTO MANTENDO AS IDENTIDADES CULTURAIS DE CADA NAÇÃO.
SÓ ASSIM VALE A PENA A EUROPA!!!!

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