Complex Autárquico


Por: Bruno Ribeiro Barata

Os sistemas informáticos com especial enfoque nas relações com o cidadão-cliente assumem actualmente um papel de relevo no desenvolvimento e modernização das Instituições. Desconsiderar esta realidade, pode significar um atraso irreversível, interpretá-la como uma oportunidade pode trazer claras vantagens, mas torná-la uma mais valia está em tudo dependente do uso que dela fazem as Organizações. Para tornar as tecnologias um factor de excelência e de desenvolvimento, é necessário que as organizações produzam conteúdos e serviços que potenciem a criação de valor, partilha de conhecimento, aumento de produtividade e transparência.
Para modernizar não é condição suficiente adquirir tecnologia, para nos modernizamos não basta comprar um computador, é necessário potenciar o que esta ferramenta nos pode auxiliar.
Se comprarmos um computador e não tivermos software ou se não soubermos utilizá-lo, ou mesmo que saibamos, mas não nos é útil, para quê comprá-lo?
Muitas Instituições especialmente públicas, avançam com projectos de inovação sem analisar devidamente as vantagens que estes projectos podem trazer, caindo no erro de adquirir “tecnologia por tecnologia” ao invés de “tecnologia para pessoas”.
Este erro é sobretudo motivado pela possibilidade de obtenção de financiamento comunitário, e assim com o álibi de quem paga é a União Europeia, arrancam projectos de tecnologia, sem considerar os meios humanos, a pertinência e toda a envolvência da Instituição com as pessoas e outros agentes nos quais está inserida.
O projecto Seixal Digital “com o objectivo de disponibilizar serviços municipais mais qualificados e assentes nas novas tecnologias da informação e comunicação” é uma boa ideia e uma notável iniciativa da Câmara Municipal do Seixal.
Acontece que a sua execução e aplicabilidade não correspondem a determinados objectivos propostos, apesar da propaganda intensa do referido projecto, como um caso de sucesso.
Concretizando: uma das potencialidades básicas do “Seixal Digital” seria a possibilidade dos munícipes, contactarem a Câmara sobre qualquer assunto via electrónica e obterem da mesma forma uma resposta. As minhas experiências na utilização deste serviço são muito negativas, pois nunca obtive qualquer resposta e quando procedi à devida insistência, a resposta recebida foi que o assunto tinha sido encaminhado para o Pelouro correspondente, decorridos 3 anos mais nenhuma resposta.
Resumindo, neste caso específico a tecnologia funciona, recebe as nossas reclamações e sugestões, no entanto os receptores da mensagem não estão preparados para lidar com estas funcionalidades. Repetindo: Para modernizar não é condição suficiente adquirir tecnologia.

Congratulo o Governo Socialista por ter escolhido o município do Seixal, para projecto-piloto do programa Simplex Autárquico, e neste contexto o novo programa Simplex para 2009, contempla uma medida baptizada “A minha rua” que pretende que os munícipes participem na gestão da sua rua, denunciando situações de incumprimento ou falhas por parte das Câmaras, qualquer cidadão poderá colocar um texto ou fotografia de casos que considere necessários resolver no site da autarquia ou Junta de Freguesia, que será devidamente actualizado e onde se pode consultar o progresso do tratamento dado à situação reportada.
O município do Seixal já tem esta funcionalidade parcialmente implementada, espero que doravante a capacidade de resposta do executivo Comunista seja adequada à participação cívica dos munícipes e que “A minha rua” não se torne num Complex Autárquico.
Apelo para que os munícipes sejam mais activos no exercício da sua cidadania e reclamem e/ou sugiram em http://www.cm-seixal.pt/CMSEIXAL/SERVICOS_ONLINE/Sugestões/ caso se verifique que está a ser alvo de Complex Autárquico, conte com o Partido Socialista para levar as suas questões aos órgãos autárquicos, Juntas de Freguesia, Assembleia Municipal ou à Câmara Municipal e escreva-nos para ps.cpc.seixal@gmail.com

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