Um mar de emoções

ESTANDO a decorrer na oficina do núcleo naval do Ecomuseu Municipal do Seixal um ciclo de duas exposições, designado por “Bacalhoeiros – entre a Terra Nova e o Seixal”, e encontrando-me na histórica cidade de Filadélfia, onde a minha filha e netas nasceram, não posso deixar de evocar um ilustre português que aqui reside e que tem provocado um mar de emoções a milhares de compatriotas que, como eu, têm orgulho na nossa ditosa Pátria e na sua história marítima.
Nasceu em Cacilhas, cresceu em Setúbal, descarregou bacalhau para as secas do Seixal e Alcochete e, depois de uma dura e longa vida nos mares da Gronelândia e da Terra Nova, emigrou para os EUA, naturalizou-se e mudou de nome.
Este ilustre luso-americano de quem vos falo é o Gazela Primeiro, um Lugre-patacho bacalhoeiro que foi o último a retirar-se e chegou a ser o maior da extensa e emblemática frota de mais de 50 veleiros construídos em madeira e que constituíram a famosa “White Fleet”, como era conhecida a frota bacalhoeira portuguesa.
Construído em 1883, nos estaleiros navais de Cacilhas, foi baptizado com o nome Gazela. Em 1900 fez uma pausa para crescer nos estaleiros de Setúbal, onde passou de 27,2m de arqueação para 47,28m, e de três para quatro mastros, o que fez alterar as suas características de Lugre para Lugre-patacho, sendo rebaptizado com o nome de Gazela Primeiro.
Com uma tripulação de 40 homens, dos quais 35 eram pescadores/marinheiros, carregava 35 dóris, pequenos barcos a remos onde os pescadores iam pescar individualmente.
Em 1969 terminou a sua epopeia na pesca ao bacalhau após 67 campanhas, ao longo das quais viu desaparecer 5 pescadores e os seus respectivos dóris.
Tornou-se numa lenda cheia de história do talento e do heroísmo dos nossos marítimos.
Em 1971 foi vendido por 1500 contos ao Museu Marítimo de Filadélfia, que já andava há algum tempo à procura de um veleiro histórico. Em 23 de Maio, içou a bandeira americana e partiu de Lisboa para o cais de Penn´s Landing, a sua nova casa, onde foi modificado para poder receber visitas e registado com o nome de Gazela of Philadelphia, transportando consigo o Gazelita, uma baleeira motorizada açoreana.
É, agora, uma atracção turística e o maior embaixador de Filadélfia. Entra em regatas e em filmes, velejando ainda com fins didácticos e honoríficos e a comunidade participa na sua manutenção com trabalho voluntário.
Nos seus mastros, as bandeiras, americana e portuguesa, estão sempre içadas. Mas para os portugueses que aqui vivem continua a ser o Gazela Primeiro porque a sua epopeia faz parte da nossa história e esta não se vende.

Fernando Reis - Notícias da Zona

3 comentários:

Anónimo disse...

Estamos a caminho das próximas eleições. O seixal necessita de ter candidatos que estejam à altura das mudanças que se impõem para contrariar o que foi a destruição deste territorio por parte da CDU 34 anos no poder. Tem sido uso colocar em candidato a presidente um nome sonante conhecido a nível nacional, essa forma de fazer política tem fracassado por isso se torna urgente que os partidos revejam a sua actuação porque dela depende a melhor qualidade de vida da população. A população não quer ter um candidato a presidente que depois de eleito vem ao Seixal de 15 em 15 dias a uma reunião de camara. A população quer ter um candidato a presidente que esteja no nosso concelho que se preocupe com o nosso concelho que já tenha dado provas de estar incondicionalmente empenhado na defesa dos interesses dos cidadãos desta terra que é o seixal. Esse candidato é sem dúvida o Vereador Samuel Cruz.

Velas do Tejo disse...

Mas enm tudo é mau... em Ilhavo o Santa Maria Manuela (irmão do Crioula) está a voltar á vida.

Façam um visita: http://santamariamanuela.blogspot.com/

Miguel Tiago disse...

Caro amigo,
A sua ausência está a despertar uma corrida desenfreada dentro da secção do PS FF.
Agora, aparecem os bólides na linha de partida, abastecidos com querosene para tentarem chegar o mais depressa possível à meta, entenda-se candidatura.
Não sei porque mas parece-me que alguem se vai queimar com este combustível todo.
Se por virtude alguma julgam que com dois ou três comunicados podem criar apetência no eleitorado, então estão bem enganados.
Já agora deixo um aviso aos aeronautas; nas disputas em geral vencem os que possuem as armas mais sofisticadas e oleadas.
Como bem sabem a investigação e o desenvovimento não se efectuda do dia para a noite e, quanto ao oleamento muitos não gostam de sujar as suas luvas brancas.

Aos destinatários desta mensagem desejo boa sorte nas suas intenções, mas lembrem-se que o desafivo está agora muito mais fácil e acessível a uma reeleição do Presidente do Banco Privado de Fernão Ferro.

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