Há quem se ponha a jeito...

O facto de no concelho do Seixal os níveis de abstenção nas eleições autárquicas ser elevadíssimo (o maior do país mesmo), levou o PS a apresentar uma moção na Assembleia Municipal, moção essa que recomendava à Câmara Municipal o tomar de algumas medidas no que concerne ao recenseamento, tendo em vista o combate à abstenção e a inscrição de novos eleitores (incluindo aqui os jovens ainda não inscritos e os novos moradores que ainda não actualizaram o seu recenseamento).
No entanto, e apesar da importância do tema, parece que amesma não fdoi levada a sério, pelo menos tendo em conta o "nivel" da discussão acerca da mesma que transcrevo (retirado da acta da Assembleia Municipal n.º 3/2008):

"I.8. Nuno Tavares (PS), procedeu à leitura de uma proposta propondo que a Assembleia Municipal prepare a realização de uma campanha para sensibilizar os eleitores do dever / direito constitucionalmente consagrado de sufrágio e muito especial no que se refere aos recenseamentos dos novos moradores/eleitores.
(Documento anexo à Acta com o número 8).
O Presidente da Assembleia Municipal, “(…) Quem se quer pronunciar? Há uma inscrição, Sr. Paulo Silva faz favor.”
Paulo Silva, afirmou que “(…) todos nós, já, sabemos das profundas divisões que existem no PS, mas agora o Sr. Nuno Tavares como Presidente da Comissão Politica Concelhia do PS que venha aqui dizer no segundo parágrafo que: o PS está partido, não era necessário, nós sabíamos disso. (…) Penso que o que está aqui é da competência da Comissão Nacional de Eleições. Portanto, a Comissão Nacional de Eleições é que tem essa competência, não é a Câmara Municipal. A Câmara Municipal irá fazer a divulgação como costuma fazer (…)”.
O Presidente da Assembleia Municipal, “Sr. Nuno Tavares e depois passamos à votação, faz favor.”
Nuno Tavares (PS), declarou que “(…) sobre divergências internas não falamos sabe porquê? Porque temos conceitos ideológicos completamente diferentes, de homens livres provavelmente a serem exemplo de divergência. Segunda situação: sobre as campanhas (…) acho muito bem que se façam campanhas e é com alguma regularidade que se faz algumas. Quero destacar a que foi feita, relativamente à adopção de animais em que vi mais que um outdoor sobre esse trabalho. E por isso, não vejo o porquê de não se utilizar o Boletim Municipal que já tem uma verba astronómica (…) e que faça referência sobre o recenseamento.”
Rejeitado por maioria e em minuta com:
􀂃 Dezasseis (16) votos a favor dos seguintes eleitos:
– Do Grupo Municipal do PS: Alberto Sardinha José, Helena Domingues, João Lopes, José Chora, Luís Pedro Gonçalves, Margarida Teixeira, Nuno Tavares;
– Do Grupo Municipal do PSD: António Galrinho, Duarte Correia, Luís Rodrigues, Maria Clara Carneiro, Miguel Rente Martins, Paulo Edson Cunha;
– Do Grupo Municipal do BE: Eduardo Grelo, Maria de Fátima Barata, Vítor Cavalinhos.
􀂃 Vinte e dois (22) votos contra dos seguintes eleitos:
– Do Grupo Municipal do PCP: Adelino Tavares, Américo Costa, António Afonso Rodrigues, António Matos, Carlos Pereira, Eduardo Rochinha, Eduardo Pereira, Eduardo Rosa, Fernando Guerra, Fernando Gomes, João José Sampainho, Joaquim Porfírio, Joaquim Judas, José Viegas, José Manuel Oliveira, Maria Leonor Monteiro, Odete Gonçalves, Paulo Silva, Raul Machado, Teresa Nunes, Victor Paulo Silva, Vítor Gonçalves."

Rejeitada esta moção pela maioria PCP, estranhei a campanha entretanto iniciada na freguesia de Fernão Ferro (e apenas nesta freguesia em todo o concelho) apelando ao recenseamento...
Obtive a resposta ao abrir o "Boletim Informativo nº 19", da referida freguesia, onde na respectiva introdução, subscrita pelo actual presidente de Junta, Carlos Pereira, este se afirmava preocupado com o recenseamento.
Deixo aqui parte do que lá é escrito:
«Finalmente está consolidado o objectivo de ultrapassar a barreira dos 10.000 recenseados, sinal que mais famílias vieram residir na área da Freguesia e que a qualidade de vida que vamos implementando é uma premissa que os atrai e que as nossas campanhas de sensibilização para o recenseamento estão a dar resultados. É altura de diligenciar junto da DGAL a transferência dos honorários do Presidente da Junta directamente do Orçamento de Estado.»

É pois, mais estranho ainda, o senhor presidente de Fernão Ferro vir aqui falar em «nossas campanhas de sensibilização», quando o PCP, e ele próprio, rejeitou veementemente essa proposta do PS. Apenas a freguesia de Fernão Ferro usou essa (nossa) ideia. Contudo, como Carlos Pereira faz questão de logo a seguir referir, passando a sua freguesia os 10.000 eleitores inscritos, o seu vencimento será agora duplicado. Realmente assim é. O senhor presidente passará a auferir o dobro daquilo que ganhava até então, mas tal nem está em causa. O que é no minimo cariacato é vir publicitá-lo, explicitamente, no Boletim Informativo, reivindicando algo que, parece, seria o seu único objectivo. Combater a abstenção é algo que, por acaso, vem por tabela.

Por fim e para os que desconhecem os números da abstenção no concelho do Seixal, as últimas eleições autárquicas deram a conhecer um número recorde de abstenção (dentro do panorama nacional): 53,38%, correspondente a 62.177 eleitores que não votaram, num total de 116.478 eleitores inscritos.
Nas legislativas de 2005, que aqui no Seixal deram uma esmagadora maioria ao PS, os números da abstenção cifraram-se em 34,28%, correspondentes a 39.469 eleitores.
[Fonte: STAPE]

Contudo, perante os resultados da abstenção seixalense, e perante a recusa (pelo PCP) da moção por nós (PS) apresentada para combater esse mal, não deixam de ser curiosas, no minimo, as declarações de Jerónimo de Sousa, demonstrando preocupação pelo fenómeno abstencionista, no Avante: “O Secretário-geral do PCP falou ainda da abstenção, que atingiu a taxa mais alta de sempre em eleições regionais nos Açores, chegando aos 53,24 por cento, num sufrágio em que cerca de 100 mil açorianos não votaram.
«O aumento da abstenção não pode deixar de ser lido como um sinal do crescente descontentamento que a política dos governos do PS da República e da Região Autónoma vem gerando e do desencanto face ao agravamento das condições de vida da população, à ausência de resposta para os seus principais problemas e à asfixia da vida democrática nos Açores», afirmou.”


Ora, se Jerónimo de Sousa proferiu estas declarações referindo-se aos Açores, o que diria ele se se referisse ao concelho com maior taxa de abstenção do país? Precisamente o Seixal, governado pelo PCP!

Espero que estas palavras de Jerónimo de Sousa não sirvam só para onde lhe convém pois, no concelho de Seixal, é necessária uma saudável reflexão sobre a tão alta abstenção. Por cá, foram pouco mais de 24.000 votos que decidiram a governação de 116.478 eleitores, ainda para mais com uma maioria absoluta que tem permitido ao PCP, além de ser o único decisor num longo período de 30 anos, o facto de se dar ao luxo de gastar verbas, pagas por todos os munícipes, para se manter no poder.
É que, tal como Jerónimo de Sousa referiu, a abstenção, como medida do descontentamento da população, perante a ausência de respostas e a asfixia da vida democrática, é bem o espelho do que se passa neste concelho, liderado pelo "seu" PCP...

Dê-nos a sua opinião, os seus comentários serão publicados no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra. Pode também, para esta mesma rúbrica consultar o Blog Revolta das Laranjas, de Paulo Edson da Cunha, aka Obama.

6 comentários:

Jorge Pietta disse...

Diminuir a abstenção é algo que não dá jeito à CDU uma vez que nas contas são eles os beneficiados. Dá jeito dizer que se tem 43% tambem. Contudo com cerca de 60.000 abstenções mais 3.000 brancos/nulos verifica-se que a população do Seixal precisa de ser informada e alertada para a necessidade de votar. É um direito e um dever que deve ser exercido... principalmente no Seixal.

luis lopes disse...

Quando chegar a altura da campanha eleitoral para as autárquicas à que não esquecer esta pérola do Carlos Pereira,os eleitores de Fernão Ferro e de todo o concelho,uma vez recordados das palavras do seu presidente de junta,digníssimo representante do pcp/cdu,vão com toda a certeza ajudar a que os seus objectivos(dobrar o ordenado),não seja concretizado.

MFerrer disse...

Caro Rumo a Bombordo,

A contradição a que se refere de forma tão clara, apenas sublinha a permanente irresponsabilidade do PCP que elege em permanência o PS como o inimigo principal.
Esta marca genética do PCP inclui-se no paradigma da "capelinha" em que vivem e se refugiam.
O sectarismo do PCP visa, em primeiro lugar, dar voz à direita trauliteira e colher os frutos podres desse resultado.
Para eles, quanto pior, melhor. Nada a fazer portanto ou como fez Obama, talvez seja oportuna uma campanha de promoção dos direitos civis e de esclarecimento dos mais explorados. Talvez resulte.
A alternativa ao cinismo político - que é o que o PC anuncia, quem não é comunista é um reaccionário -só pode ser a emigração visto que aqui em Portugal não há governo que sirva. Na opinião deles, já se vê!
MFerrer
http:/homem-ao-mar.blogspot.com

Bruno Ribeiro Barata disse...

Muito bem analisado e excelente compilação de informação.
Todas estas incoerências do executivo comunista no município do Seixal, resultam de uma governação sem ideologia, sem valores, sem causas e principalmente sem focalização no munícipe.
O Partido Comunista no Seixal governa com um único objectivo o PODER pelo PODER.

Bruno Ribeiro Barata

luis lopes disse...

A propósito do post"Governo PS põe em causa saúde dos seixalenses",editado no blog Seixalsim,comentei o seguinte: Dr.Paulo Silva,o senhor sabe quantos anos trabalhei sob placas de fibrocimento nas instalações camarárias do Fogueteiro?".Não tenha dois pesos e duas medidas.

Este comentário levou com o lápis azul.
Acham que ofendi alguem?

Anónimo disse...

As verdades inconvenientes não podem ser ditas...

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