A avaliação dos professores

Este é o tema da semana que os caros leitores poderão comentar, para posterior publicação no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra. Consultem também o Blog Revolta das Laranjas do meu colega (de página no caso) Paulo Edson Cunha.
Caros leitores, para que possam dar a vossa opinião, deixo-vos este texto sobre um dos temas do momento, a educação. Mais concretamente a avaliação dos professores. Tenta-se neste texto esclarecer as dúvidas de quem, como eu, afastado do processo, tenta descortinar a razão que assiste a cada uma das partes envolvidas. Comecemos então pela questão fundamental, porque é importante avaliar os professores?
A avaliação do desempenho docente é fundamental para o desenvolvimento profissional dos professores e, desse modo, para a melhoria dos resultados escolares, da qualidade do ensino e da aprendizagem e para o reforço da confiança das famílias na qualidade da escola pública. A avaliação de desempenho inscreve-se num conjunto de medidas de valorização da escola pública, como a introdução do inglês no 1º ciclo, a escola a tempo inteiro ou as aulas de substituição. Permite ainda reconhecer o mérito dos melhores professores, servindo de exemplo e de incentivo para a melhoria global do exercício da função docente em cada escola.
Este sistema vem substituir o anterior processo de avaliação que era constituído por um relatório de auto-avaliação e reflexão crítica entregue pelos professores aos órgãos de gestão da escola, apenas quando estavam em condições de progredir na carreira. A quase totalidade dos professores era classificada com Satisfaz. Para ter uma nota superior, era necessário que o docente requeresse a apreciação desse relatório por uma comissão de avaliação. De qualquer forma, essa classificação não tinha nenhum efeito, uma vez que todos os professores mesmo os que não faziam estes relatórios ou não davam aulas progrediam na carreira em igualdade de circunstâncias.
Este é o modelo de avaliação que a FENPROF reproduz, atendendo a que na sua proposta é defendido que do processo de avaliação não sejam retiradas quaisquer consequências para a progressão na carreira.
Actualmente e desempenho dos professores é avaliado em duas vertentes distintas: a organizacional (cumprimento dos objectivos individuais, assiduidade, participação na vida da escola, entre outros) e a científico-pedagógica.
A avaliação da componente organizacional, de natureza hierárquico-funcional, é da responsabilidade da direcção executiva da escola; a dimensão cientifico-pedagógica é avaliada por professores coordenadores de departamento curricular (ou outros professores titulares em quem tenha sido delegada a competência de avaliação).
É importância de avaliar duas dimensões distintas decorre da especificidade deste grupo profissional e é única forma de respeitar a sua complexidade. Com efeito, a vertente científico-pedagógica do desempenho docente, de grande exigência, aconselha a que a avaliação não seja efectuada apenas com base em registos administrativos, mas que se baseie na observação directa da relação pedagógica professor/aluno. É desta exigência que decorre a necessidade de a avaliação ser assegurada por um professor com maior grau de senioridade.
Ao contrário do que sucede com o pessoal não docente das escolas, cuja avaliação é apenas assegurada pelo órgão de gestão, é importante que, no caso dos professores, a avaliação respeite a sua especificidade e nível de qualificação.
Esta avaliação de desempenho é feita no interior da cada escola, assumindo o órgão executivo e os professores coordenadores de departamento as funções de avaliador. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.
Em respeito pela autonomia das escolas, são estas que definem os objectivos individuais dos professores, os calendários da avaliação, os instrumentos de observação, e são elas que procedem efectivamente à avaliação. É, de resto, um procedimento normal serem as organizações a avaliar os seus próprios recursos humanos.
Cada uma das duas componentes, a avaliada pela direcção executiva e a avaliada pelo coordenador de departamento, vale 50% no resultado final da avaliação.
Um professor avaliado intervém no processo em dois momentos distintos: na definição dos seus objectivos individuais e na auto-avaliação. A definição dos objectivos, que inicia o processo de avaliação, decorre de acordo com as orientações definidas, com autonomia, por cada escola. É em função destes objectivos individuais que cada professor avaliado preenche, no fim do ciclo avaliativo, a sua ficha de auto-avaliação, com base num portefólio constituído ao longo do período em avaliação.
Os professores avaliadores têm um volume de trabalho maior. A direcção executiva tem que validar os objectivos individuais e assegurar o preenchimento de uma ficha de avaliação por cada professor avaliado; e o avaliador das áreas curriculares tem de garantir, para cada avaliado, a observação de aulas e preencher a respectiva ficha de avaliação científico-pedagógica.
É por este motivo que estão definidas condições especiais de horário para os professores avaliadores, designadamente, a redução de horas lectivas, bem como a atribuição às escolas de um volume de horas para serem geridas de acordo com as necessidades decorrentes do processo de avaliação.
O modelo de avaliação de desempenho definido não é burocrático. As escolas têm liberdade de elaborar os instrumentos de registo de informação e indicadores de medida que considerem relevantes para a avaliação do desempenho, devendo estes ser simples e claros.
Uma das críticas mais ouvidas prende-se com o facto de um professor avaliar outro que não seja da mesma disciplina, efectivamente tal pode acontecer mas trata-se duma situação excepcional, a regra será a avaliação por professores que leccionem a mesma disciplina, de qualquer forma a avaliação incidirá sempre sobre questões pedagógicas transversais a todas as matérias.
Outra das polémicas muito escutada prende-se com o facto dos resultados escolares dos alunos serem tidos em conta na avaliação dos professores, isto acontece porque é importante reconhecer o mérito dos professores que, em resultado do seu trabalho com os alunos, mais contribuem para a melhoria dos resultados escolares e da qualidade das aprendizagens no contexto particular da sua escola. Qualquer avaliação, para o ser verdadeiramente, deve englobar a actividade, o esforço, o trabalho e, necessariamente, os resultados. Por isso, impensável seria que a avaliação dos professores dissesse respeito apenas ao processo de ensino, sem qualquer referência aos resultados.
Pode-se ainda questionar porque existem quotas no processo de avaliação? Qual a necessidade de definir percentagens máximas para a atribuição de Muito Bom e Excelente?
A experiência mostra que a inexistência de quotas na avaliação de desempenho resulta numa menor capacidade de reconhecer e diferenciar o mérito no interior de uma organização. A existência de quotas significa também um critério de exigência e um padrão de avaliação. Em nenhuma organização todos são excelentes. Se assim for, é porque o padrão de excelência é incorrecto, isto é, está errada a própria definição do que é excelente.

Fonte: Acção Socialista

4 comentários:

Anónimo disse...

Os professores, para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS, têm a capacidade de o derrotar, basta para isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.
Mas não se deixem levar no chavão, vota à direita ou à esquerda mas não votes PS.
Pois, essa tem muita que se diga. Vide o exemplo da Câmara Municipal de Lisboa.
Como tal não sei se vale a pena votar à esquerda, pois sabemos pela experiência da Câmara Municipal de Lisboa que quer o PCP, quer o BE não terão qualquer pejo em se juntar eles em executivo.
De todos, e mediante a agora promessa passada por escrito de revisão do ECD, afigura-se-me a doutora Manuela Ferreira Leite, antiga ministra da Educação como a melhor aposta para todos.

É a minha humildade opinião

E.O.S.

Anónimo disse...

É interessante a análise do E.O.S., mas é exactamente o espelho do que está por detrás desta contestação,na realidade não se trata de tentar melhorar o processo de avaliação de uma classe profissional, evitando os excessos de burocracia, e permitindo uma melhor avaliação dos professores...

A realidade é outra, a verdadeira questão é deixar de existir processo de avaliação a sério, manter-se a progressão de carreira por antiguidade(na prática), e fazer-se oposição ao Governo, da direita da esquerda ou do centro.

Tudo é aceitável, ou melhor compreensível,a classe profissional defende os seus direitos adquiridos(ainda que em prejuízo da Educação em Portugal), as oposições instrumentalizam a classe para politizarem um processo que todos veêm ser absolutamente fundamental para a evolução do país.

Mas o que não é normal é que os pais e os cidadãos em geral que são avaliados nas suas profissões, nos seus desempenhos e resultados! Assim como os estudantes que são avaliados nos seus desempenhos, nos seus resultados e claro que isso influencia nas suas "progressões de carreira", senão para que valeria a pena avaliar?!?

As únicas críticas plausíveis prendem-se com a excessiva burocratização e morosidade do processo e as quotas, pois nunca fui defensor de guardar notas na gaveta nem enquanto aluno, nem enquanto avaliador, muito menos estabelecidas admnistrativamente!

É triste é que estas não sejam as questões levantadas pelos sindicatos e pela restante oposição!

Hugo Serejo

Anónimo disse...

AH!!!! E quanto à Dra. Manuela Ferreira Leite, que grande lata, que monumental falta de escrúpulos e de memória!
Estaremos perante a exministra da Educação que teve a contestação que teve devido às reformas que quis impôr, a exministra das finanças que teve a contestação que teve devido às reformas que quis impôr, que pertenceu aos governos que pertenceu ?!?
Então já pôs a "política limpa" e esmomoriou-se, foi?!?!!!!
Hugo Serejo

Seixalense Atento disse...

Esta falsa questão dos professores, mais não é que uma instrumentalização dos Sindicatos, ou seja do Partido Comunista.
Os professores (públicos) são uns privilegiados em relação muitas outras Profissões, ou seja os próprios professores da escola privada, são avaliados constantemente, e só o bom profissionalismo e desempenho por parte deles, lhes assegura o emprego, por essa razão pergunto qual o receio de os professores da escola publica, em serem avaliados?
Será que dessa forma, muitos têm medo de não evoluírem na carreira, porque reconhecem que assim vão ficar expostos à sua verdadeira competência?
Porque será que os professores ainda não criaram a sua própria ordem, para assim, a exemplo dos médicos dos advogados e de muitas outras profissões defenderem os interesses da classe?
Serão os sindicatos, que não estarão interessados? E assim correrem o risco de milhares deles (professores) deixarem de receberem ordenado, pago por todos nós, sem exercerem a profissão?
Quantas profissões, neste país, se dão ao luxo de saber que no fim do mês esta garantido o ordenado, mesmo neste momento de crise global? Muitas poucas.
Os sindicatos tanto defendem um bom trabalhador como um mau trabalhador, e a maioria deles como é o caso da Frenprof, e do Sr. Mário Nogueira, estão é interessados em defenderem, os seu interesses pessoais e os interesses do partido comunista, e assim tentarem ludibriar a opinião pública, e instrumentalizarem os próprios alunos.
Em suma: os professores neste momento, são como as crianças pequenas, quando se lhes tira a CHUPETA da mão, andam para aí aos berros em todos os cantos, mas depois passa.
Por uma escola publica, só com excelentes professores.

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