Público pode ver criação de esculturas

"Três esculturas em mármore estão a ser elaboradas ao vivo na antiga Companhia de Lanifícios de Arrentela, no concelho do Seixal. Qualquer pessoa pode conhecer até 18 de Outubro o processo produtivo de uma obra de arte.

Sob o tema da água, o "Simpósio de escultura em pedra no Seixal" conta com as presenças dos escultores Jorge Pé-Curto, Rui Matos e Vítor Ribeiro, tendo cada um idealizado uma peça diferente. "As pessoas podem ver como se desenvolve uma escultura e ver depois o resultado final", salienta a vereadora da Cultura, Paula Santos, avançando que pelo local de trabalho irão passar cerca de 700 alunos das escolas do concelho.

"Aqui, que o rio é nosso amigo" é o nome da escultura que está a ser criada por Jorge Pé-Curto, de 53 anos. "Tem a ver com a fixação das populações nas zonas ribeirinhas", descreve o escultor, referindo ser uma espécie de arco, composto por cinco blocos de pedra, que terá 3,5 metros de altura e 1,4 metros de largura.

Rui Matos, de 49 anos, optou por elaborar uma escultura, "Quebra-Mar", que represente os vários elementos da água, estando por isso cheia de efeitos. "Nós trabalhamos muito por sensações e formas fluídas. É este jogo que é mimado numa pedra só", adiantou, ao JN, garantindo ser capaz de "transformar uma pedra dura num elemento aparentemente flácido".

Ao lado, está a ser esculpida por Vítor Ribeiro "A Água que vem dos Céus", uma escultura que terá três metros de altura e 1,8 de largura. "A peça é constituída por dois blocos, uma nuvem e a chuva", retrata o escultor de 50 anos. "Estar juntos e partilhar algumas ideias e a divulgação junto do público é simpático", considera o escultor, quando questionado sobre a importância de um simpósio.

Os três artistas são unânimes sobre a vantagem de quebrar a monotonia. "O sair do ateliê é bom de vez em quando. E é também uma maneira do nosso trabalho chegar aos locais sem ser por razões comemorativas", considera Rui Matos. Por seu lado, Jorge Pé-Curto afirma ser "bastante positivo que as pessoas vejam como se faz".

As três esculturas serão implantadas na zona ribeirinha de Amora. Segundo os artistas, que receberão 4000 euros cada, a Câmara teria de pagar muito mais se tivesse encomendado estas obras."

SANDRA BRAZINHA - In Diário de Notícias

Publico aqui esta notícia porque me parece, nos antípodas do evento abordado nos posts anteriores, o Seixal Graffiti, est asim é uma boa forma de divulgar a cultura.
Quanto aos valores envolvidos não me pronuncio pois não conheço o mercado (seriam interessantes contribuições dos leitores), quanto à originalidade, pelo menos no que concerne ao Sr. Pé Curto, espero sinceramente que alargue a pegada.

1 comentário:

Gramsci disse...

Por duas semanas de trabalho, 4000 euros.
Os gajos estão a ganhar mal. É a crise.
Depois de pagarem os materiais das “esculturas”, ficam com uns trocados no bolso.
800 contos por duas semanas, não é mau.
A Câmara já se pronunciou sobre os custos de material. Pois só assim saberemos o que realmente custa uma coisa daquelas.
E se a Câmara encomendasse esculturas (atenção porque não sabemos o que são concursos públicos) ficariam mais caras. Articula o Sr. Pé-Curto.
Isto parece a URSS, são sempre os mesmos afectos ao partido a executarem os mamarrachos, desculpem, as esculturas, que como já se vira aqui, são perfeitas idiotices.
Já agora vou inscrever-me na universidade sénior pra tirar um curso de escultura.
4000 por duas semanas de trabalho.
Também quero.

Com papas e bolos, se enganam os tolos.

P.S.
Quais são os critérios para aquisição de arte pública?
Como pode um curioso concorrer à venda de uma obra pública?

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