Os políticos de nova geração


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Esta semana, o tema que vos trago a discussão diz respeito aos políticos de nova geração. E trago-vos aqui este tema, motivado pelo facto de se assistir ao surgimento de uma verdadeira vaga de novos e promissores rostos: casos de Barack Obama (o mais conhecido), de David Cameron (41 anos - líder dos conservadores britânicos), de Hubertus Heil (35 anos líder do Partido Social-Democrata Alemão), de Fredrik Reinfeldt (Primeiro-Ministro Sueco - eleito aos 42 anos) e até da insuspeita Rússia nos vem o exemplo, onde Medvedev sucedeu a Putin também com 42 anos...
Se analisarmos as principais críticas que se fazem aos partidos, aquelas que lhes são mais apontadas mencionam o seu fracasso representativo, por deixarem de representar as populações e de defender os seus reais interesses. A defesa desses interesses e as exigências populares, na maioria dos casos, ocorre fora do quadro partidário. Por isso, os partidos deixaram de ser parte da sociedade para se colocarem ao seu lado, cada vez mais, como uma extensão do aparelho da administração pública. Os políticos com vícios de outrora deixaram de lutar pelos interesses das populações, para lutarem por cargos públicos - o mesmo é dizer, pela sua manutenção (muitos há que são já reformados, basta tomar como exemplo a CM Seixal onde tal facto se verifica em 50% dos eleitos CDU). Nesse seguimento das coisas, o fracasso dos partidos deve-se, em muitos casos, ao fracasso dos políticos que possuímos, e ao pouco que fazem pela resolução dos problemas concretos. Por essa razão, e para evitar vícios do passado, chega-se à conclusão que, aquilo de que precisamos urgentemente é de uma nova geração de políticos, para, desse modo, podermos aspirar a uma nova politica, mais próxima das necessidades das populações.
Dentro deste pensamento, os políticos de nova geração terão de ser mais globais, mais idealistas, mas menos ideológicos (por não estarem tão envolvidos nas velhas questões), e acima de tudo mais tecnocráticos. É essa a esperança do futuro e foi essa palavra, “esperança”, que se tornou num dos temas centrais da campanha de Obama nos EUA. «Desde sempre, cada nova geração apareceu e fez o que era preciso fazer. Hoje somos de novo chamados – e chegou a altura da nossa geração responder a essa chamada», referiu o candidato ao anunciar a sua candidatura presidencial em Fevereiro do ano passado.
Obama, de 46 anos, é um dos mais jovens candidatos à presidência americana desde JF Kennedy.
Sendo mais tecnocratas, o que também é expresso no slogan de Obama - “I can” (traduzido como “Eu posso” ou “Eu consigo”) – estão também mais globais. Há contudo um perigo para estes novos políticos. O risco de, certamente, serem olhados como tecnocratas capazes de trabalhar na política, mas desenquadrados dos problemas do mundo real. No entanto, esse será, seguramente, apenas um risco de quem olha para eles de fora, e não um perigo real. Esta nova geração está mais à vontade com as tecnologias, sentindo-se também mais internacionais, de um modo que grande parte da geração dos seus pais não sentia. Existem também novas preocupações. Por exemplo, tanto a esquerda como a direita estão concentradas nas alterações climáticas com uma intensidade que escapou aos seus antecessores. A imigração e os seus desafios à identidade cultural é outras das preocupações para os jovens políticos, que não existia para os seus pais. Em suma, novas exigências sociais proporcionadas por novas realidades, para as quais a maior parte dos políticos antigos não tem a capacidade de percepção adequada.
Precisamos pois de uma nova revolução!

2 comentários:

Anónimo disse...

Já a minha avó dizia que em cada velho existe uma biblioteca... não levoa as coisa paar questões de idade, até porquê nesses termos teriamos de culpar uma nova geração de empresários pela crise económica... uma geração muito nova que colocou o fito do lucro rápido acima de todas coisas... isso colocado em termso de idade deixa-me um pouco de pé atrás... vide o exemplodo Sócrates ou do Armando Vara?? Pois ....

Anónimo disse...

O problema da política não está só na idade está no carácter e infelizmente nos últimos trinta anos os que conseguiram chegar a lugares importantes na política nem sempre ou quase nunca foram os mais competentes e mais capazes ou com mais carácter, pelo contrário, foram aqueles que mais conseguiram acotovelar o seu semelhante e chegar lá. Na geração dos mais velhos ficou muita gente inteligente honesta e digna que não deram mais à sociedade porque não houve espaço para eles. Não é uma questão de idade é uma questão de princípios. O que eu espero desta nova geração de políticos é que saibam entender o passado e evitar que gente corrupta oportunista gente incapaz tome conta do poder pelo poder pela promoção pessoal e não pelo bem comum. Da nova geração de políticos eu espero isso. Da nova geração de políticos eu espero que seja generosa que pense no seu semelhante e que mude o rumo das coisas. A anterior geração não soube prever os resultados de deixar chegar ao poder políticos mediocres. Hoje já sabemos os custos que isso tem. De maus políticos temos muitos exemplos mas a CDU na Câmara municipal do Seixal é o mais perfeito exemplo de políticos que não se preocupam com o bem estar da população e que não honram a liberdade que um dia lhes foi entregue. Não se confunda uma geração inteira com muitos políticos corruptos e oportunistas que se instalaram em lugares importantes da política.
Felicito-o pelo texto que escreveu.
E aguardo por uma revolução, principalmente no poder político em maioria instalado na Câmara Municipal do Seixal.

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