O Arco Ribeirinho - Por José Assis

É importante o governo, em parceria com as autarquias, continuar com um olhar empreendedor no arco ribeirinho Sul

Quando fui Deputado Municipal, na Assembleia Municipal do Seixal no mandato 2001/2005e coordenador da bancada socialista em virtude de ter sido o cabeça de lista ás eleições autárquicas de 2001, defendi a aprovação da deliberação para que se elaborasse um Plano de Pormenor para a área da Siderurgia em Aldeia de Paio Pires. Como Deputado Metropolitano, acompanhei com interesse, na Comissão que integrei para o Ambiente, Ordenamento do Território e Qualidade de vida na Assembleia Metropolitana de Lisboa o alcance pretendido do PROTAML.

Já em funções enquanto Vereador na Câmara Municipal do Seixal participei na aprovação dos termos de referencia que balizam a elaboração desse Plano de Pormenor, expectante quanto à concreta solução de ordenamento para a zona e sugeri a revisão do PROTAML sobretudo depois de conhecidos os elevados investimentos recentemente anunciados pelo Governo para a Peninsula de Setúbal.

Tanto na Assembleia Municipal como na Câmara Municipal esta questão não foi pacifica no PS local, no seu entendimento e até na posição politica a tomar, com pluralidade saudavel de opinião. Certo é que o Governo actual veio criar as condições para que se desenvolva o que, entendo eu, poderá significar valor acrescentado para a margem sul, enquanto região integradora na Área Metropolitana de Lisboa, com a aprovação do projecto qualificador do arco ribeirinho Sul,devendo manter-se o acompanhamento do processo no sentido do equilibrio entre os diversos usos do solo e as suas valências, contribuindo para a solução ambiental da ex siderurgia, num quadro competitivo com outras regiões do país e não só. Mas só com um "pontapé de saída" se cpnseguiu chegar aqui.

Durante décadas a margem Sul do rio Tejo foi sendo olhada como um aglomerado suburbano de pessoas, com caracteristicas de dormitório, numa lógica de que de um lado, deste lado, estaria o "bairro operário" que, digo eu, foi orgulhosamente pólo de trabalho acolhedor dos fluxos migratórios e , ao mesmo tempo , motor e factor de desenvolvimento nacional - com a Siderurgia Nacional em particular relevo - e de outro lado, a capital do pais com a carga inerente a essa qualidade. Chegados aos anos 2000 e com um Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa em curso, desencadeado pelo Governo de António Guterres mas com origem em planos sectoriais como o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Peninsula de Setúbal, na viragem do século, sentiu-se que a "outra banda" não poderia continuar a ser olhada como o eterno bairro operário, tristemente caracterizado por cronistas como uma zona deprimida.

Os fenómenos que levaram a que fosse imperativo mudar de paradigma e de perspectiva quanto a esta margem são da própria história, contudo, desde logo, faço notar os impactos obrigatoriamente positivos do 25 de Abril de 1974 no que diz respeito á democrarização do acesso ao ensino e á cultura e necessariamente á multiplicidade e qualificação do emprego, ao investimento que o Estado realizou nas acessibilidades que levou a uma ligação mais rápida entre as duas margens do rio, ao surgimento de serviços públicos que marcaram o desenvolvimento e ao surgir de uma nova geração muitos filhos de operários e trabalhadores indeferenciados que com vontade de competir e de se afirmar foram ajudando a construir uma participação activa na vida colectiva, sentindo que o esforço dos que trouxeram a liberdade e as novas oportunidades deverá ser honrado. Pois bem, poderá parecer uma narração novelesca dramatizada e um pouco "old-fashion" de uma terra de província, mas foi assim. É assim a história. Além dos fenómenos históricos também as mentalidades mudaram. No entanto, ainda há resistências quanto á mudança. Há quem resista porque acredita no anterior paradigma, há quem resista porque não conhece o novo e, como em tudo na vida, haverá quem não quererá que o vizinho progrida. Coisas do passado.

Hoje, o desenvolvimento não pode assentar e muito menos fixar-se em questões de espartilho. A visão estratégica pode começar na sua execução com muitas imperfeições, durante o desenvolvimento do processo com algumas angustias, mas quando tem como pilares a mudança e a abertura o sucesso é seguro.

Ao nível do Seixal devem os seus habitantes perceber que estão a concorrer também com os outros concelhos do arco ribeirinho. Não devem ficar acanhados por isso e devem impor-se como habitantes de um concelho de gente de progresso. Hoje, as gerações filhas dos que vieram para a Siderurgia, Mundet, Lisnave, Setnave, Sorefame e outras empresas trabalhar, dos que, filhos de pescadores e gente da terra já cá estavam quando os outros vieram de outras terras, devem estar orgulhosas das suas origens e do que conseguiram e vão continuar a realizar para que esta banda de um rio seja de pleno direito cosmopolita assumida, moderna e terra de bem estar com futuro.

É bom que o modelo de desenvolvimento autárquico consiga acompanhar os tempos, mudando também.

Nós, o povo desta terra, não esqueceremos o bairro operário e estamos certos que esse bairro nunca irá para o mundo do nada, continuaremos a perpetuar o suor e o trabalho dos que o construiram, só queremos que os que vierem daqui a muitos anos e os que ficarem depois de nós possam continuar a honrar a margem de um rio que só pode ser testemunho da realização de um sonho: o da justiça social entre os povos, independentemente da margem em que ficarem.

Hoje a cidade já é de duas margens e eu quero assinalar positivamente isso como uma opinião muito pessoal e intima, mas não posso deixar de assinar esta peça como Autarca.


José Assis
Vereador Socialista na C.M.Seixal

5 comentários:

Ponto Verde disse...

Ressalvas:

1) As carreiras e corriculae politicos servem para o que servem a nível interno, a nível do cidadão é pouco!

2) O "arco ribeirinho" e a "cidade das duas margens" ou a "nova centralidade no estuário" são invenções de politicos , mais uma vez , sem sentido para o eleitor, aliás basta olhar para o mapa para ver que o "arco" simplesmente não existe!

3) Ninguém aqui tem de se pôr em bicos dos pés em relação à outra banda. Muito menos tem que abdicar das suas idiossincrasias, cultura ou especificidades locais , já bastaram 30 anos de PCP para o tentarem.

4)A ideia de suburbio e de aglomerado urbano não vem das calendas gregas, tem trinta anos e substituíu-se a Almada-Feijó-Sobreda-Costa -Laranjeiro -Corroios- Amora -Cruz de Pau- Seixal tornadas uma amálgama pela CDU e pelo abandono a que esta banda foi votada pelos sucessivos governos e forças politicas desde o 25 de Abril que parecem ter cedido a Margem Sul como se de uma coutada do PCP se tratasse.

5) A ideia de Mega Bairro Operário é outra falsidade feita. Os primeiros trabalhadores da Siderurgia por exemplo foram alojados porque os proprietários expropriados da Quinta da palmeira, onde a Siderurgia se instalou cederam terreno para que esses trabalhadores oriundos do Alentejo se podessem abrigar, o Sr.Campallimaud, os Mellos não construíram (no Seixal ou Almada ) uma habitação para os seus trabalhadores, quanto mais Bairros, essa ideia talvez se aplique ao Barreiro com Alfredo da Silva, mas não a Almada, Seixal e Moita senão em casos muito pontuais e não generalizáveis.

6) Face à demissão da alínea anterior,foi o Seixal e Almada, pasto de Pato Bravo. Face às carências de habitação quem lucrou foi por exemplo Xavier de Lima e mais recentemente Gomes Alho, A.Silva & Silva, Cortegaça...

7) A resistência à mudança por vezes ocorre porque a inovação nem sempre é progresso. Transformar a Siderurgia, a Lisnave ou a Quimiparque em mais habitação, não é progresso , é uma forma de aplicar à AML um modelo de ,metrópole tipo S.Paulo que não vai trazer nada de bom, já não está a trazer nada de bom... e é tudo menos progresso ! Isto é miopia estratégica e não visão seja do que fôr.

8) Seixalenses devem ter orgulho na sua terra, mas não no jugo a que se submeteram depois de 48 anos de Fascismo. Souberam fazer frente ao salazarismo, mas aceitaram passivamente o oportunismo dos últimos 33 anos. Devem ter orgulho na sua terra, mas parar de permitir a destruição das suas mais valias , paisagisticas, e ambientais em troco de provincianas promessas de modernidade.

Só rompendo com estas ideias feitas se pode fazer frente a quem tem dominado este concelho. Continuar seja de que forma fôr é um erro para o Futuro.

Jorge Pieta disse...

Ao longo destes 30 anos o que se fez para desenvolver a baia do Seixal? Que apoios e investimentos se fez e se deu aos clubes que praticam modalidades náuticas? para alem do passeio (construido com dinheiro da A Silva & Silva) que outros investimentos se efectuou? Para alem do betão que outros investimentos se efectuou? Poderão dizer que se fez algo contudo a pergunta é... com as verbas recebidas poder-se-ia/deveria se ter feito mais ?

Anónimo disse...

Não se fez nada no concelho do seixal.e o poco que está feito é muito mau. O passeio construido pelo a silva e silva foi do pior que poderia ter acontecido à baia do seixal. A Silva e silva construiu aquela passadeira para vender com mais facilidade as casas da quinta do outeiro que estão ali perto não teve mais qualquer preocupação pelo bem estar ou bom aproveitamento daquele passeio. Aquela obra para a a silva e silva não passou de um investimento publicitário para vender melhor as casas. A Câmara do Seixal de maioria CDU incompetente, que vive de fachada ao deixar fazer aquele passeio tal como está para mostrar nas eleições de há 3 anos atras inviabilizou a possibilidade de construir uma marginal digna da paisagem que tem.Com o passeio que temos não temos ciclovia nem espaço para a fazer, o espaço para os peões é minusculo se forem duas pessoas tranquilamente a passear e a conversar fazem engarrafamento no passeio, a estrada que já começa a ter engarrafamentos e ainda não estão habitadas as casas da quinta da trindade e da quinta do outeiro ficou sem posibilidade de ser alargada. O tempo para fazer o percurso torre da marinha seixal começa já a ser de 20 minutos quando poderia ser de 4 ou 5. Onde está o dinheiro dos nossos impostos quer directos para a Câmara do Seixal quer indirectos e recebidos do estado pela Câmara do Seixal?

Urbano disse...

Então Assis, que lê e não sabe o que se passa até parece que és isento e defendes a causa.
Não sei onde estavas quando no blog dos laranjas insultaram o teu colega do Pinhal do General do qual tu és o advogado. Nem para o jornal quisestes falar. Então tens duas moedas, uma para cada causa. Se não falastes é porque és conivente e agora já vens falar na primeira pessoa do singular, entenda-se "quando fui". Aqui já és tu acolá não te prenuncias,´como advogado até te entendo, mas como politico és conivente. O teu futuro para a causa dos seixalenses acabou, pois cá estaremos para não deixar cair esta e outras no esquecimento.

Victor disse...

Agora já sei que este Assis o Doutor da letras do pinhal.
Tentou passar despercebido, não que dar a cara e depois de fininho.

Faz me lembra a amaxima de que causa metida é causa ...

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