Despedimentos na Lusosider

Sendo este um tema relevante para todo o concelho e não apenas para os envolvidos, é pois este o tema que proponho seja comentado e posteriormente publicado no Comércio do Seixal e Sesimbra. A Lusosider - Aços Planos S.A., localizada na área da ex-Siderurgia Nacional, é uma empresa que, naturalmente, tendo-se instalado na área da antiga Siderurgia Nacional, fez uma legitima pressão sobre o Governo quanto à necessidade de infra-estruturas no local, para bem desenvolver a sua actividade. Ora acontece que, perante essas reivindicações e pela importância do funcionamento desta empresa, o Governo realizou importantes investimentos na zona envolvente (refiro-me ao ramal ferroviário de ligação à estação de Coina e daí ao Porto de Setúbal). Fazendo estas vontades à Lusosider é pois estranho que, agora, tenham surgido na empresa despedimentos, um pouco ao arrepio do expectável.
A empresa que no início de 2008 já despedira aproximadamente 100 trabalhadores - reduzindo desse modo os postos de trabalho que há dois anos eram de 400 - pretende agora despedir mais 65 pessoas. Nesse sentido, para evitar que tal suceda, um grupo de trabalhadores da Lusosider foi para a frente do Ministério da Economia exigir esclarecimentos acerca do futuro da empresa. Os trabalhadores alertaram também para o facto da empresa estar a receber chapa vinda do Brasil, já embalada, e no Seixal ser-lhe mudada a etiqueta como se se tratasse de um produto nacional.
Recorde-se que já no passado os 100 trabalhadores que a empresa despediu foram-no de forma ilegal, na sequência do encerramento da linha de estanhagem electrolítica e do circuito de fabrico do produto folha-de-flandres.

Os investimentos
O Governo fez um esforço significativo por manter a Lusosider activa e de saúde, tendo esse investimento o objectivo de poder dar a esta empresa um desenvolvimento com eficiência que ela não possuía, criando as condições necessárias para o transporte de matérias primas e de Aço já acabado. No entanto, mediante as quotas apertadas do Aço na Europa, os responsáveis da Lusosider, brasileiros de origem, decidiram por se virar precisamente para esse mercado, o brasileiro. Aí, por terras de Vera Cruz, o Aço não tem as mesmas limitações de quotas que encontra na Europa, além de que, vindo já feito do Brasil a poupança de investimento é de muito dinheiro.
Todavia, perante as facilidades concedidas pelo Governo não se compreende agora que a Lusosider pretenda despedir mais 65 trabalhadores.
A contradição deste processo de despedimentos surge quando está em construção a ligação ferroviária ao eixo norte-sul e ao porto de Setúbal, perspectivando-se ainda outros investimentos em acessibilidades como é o caso da ponte Seixal - Barreiro associada à ligação Chelas - Barreiro. Estas infra-estruturas foram criadas mediante as expectativas criadas pela empresa brasileira com capital na Lusosider com investimentos a rondar os mil milhões de euros.
A produção diminuiu claramente e esse é outra das preocupações, pois nada faz prever que o actual estado da empresa levasse para este caminho.
O Governo está atento e promete intervir com eficácia.

5 comentários:

JOSE ASSIS disse...

sobre a matéria ver algumas posições tomadas.

fazer busca( google,clix ,sapo)
introduzir as palavras :

jose assis vereador lusosider

Destaque para duas noticias :

www.setubalnarede.pt ( 16 de Abril de 2008)

www.sado2000.pt ( 29 de Abril de 2008 ) - saiu na ediçao impressa do semmais .

José Assis

Manuel Dias disse...

Senhor vereador deve andar a dormir, a LUSOSIDER anunciou em Abril o despedimento dos 65 trabalhadores e você só agora fala no assunto? Agora já o despedimento colectivo está concretizado... E já agora porque razão o PS Seixal votou na Assembleia Municipal contra a moçao apresentada pelo PCP de solidariedade com os trabalhadores? Pois é este post demonstra apenas a sua hipocrisia!

Samuel Cruz disse...

Na altura própria pronunciei-me sobre este assunto na Câmara Municipal. A minha posição foi a que agora aqui verti. Rejeito, portanto, frontalmente as suas acusações.

Rufino Sardinha disse...

Neste caso da Lusosider, depois do alarido que foi criado pela promessa de investimentos que iam ser concretizados, afinal vai-se a ver e tudo saiu gorado. Esfumou-se um anúncio de sonho? Talvez. Os brasileiros que pegaram em parte da Siderurgia foram espertos. Acenaram a cenoura, andaram a apregoar por aí que iam melhorar o investimento no Seixal e depois de se apanharem com as infra-estruturas criadas, não concretizaram as espectativas que haviam fabricado. Uma vez mais, esfuma-se uma esperança seixalense.

mariana g. disse...

Vereador, venho dar-lhe os sinceros parabéns, a si e ao dr. Miguel Almeida, pelo trabalho por vós realizado no canil/gatil. Quem conhecia o dito anteriormente e o visita agora, se fôr honesto, tem de afirmar que a melhoria é significativa e os cuidados de higiene se encontram ao melhor nível.
Quanto ao tema da Lusosider, dizer que é de lamentar o despedimento colectivo, mais ainda quando as vontades/exigências da Lusosider, como refere, foram satisfeitas. Estou certa de que o Governo irá exigir explicações, pois é estranho o surgimento destes despedimentos numa empresa que tanto pediu.

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