Cargaleiro no Seixal (notícia antiga) e Silly Season...

Take da Lusa há uns meses:
«Cerca de oito anos depois do convite da Câmara Municipal do Seixal para construir o Museu-Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, o protocolo para construção do projecto será assinado este domingo, na Quinta da Fidalga, local que acolherá o edifício, noticia a agência Lusa.

Manuel Cargaleiro nasceu em Vila Velha de Ródão a 16 de Março de 1927, mas a busca dos seus pais por melhores condições de vida levou-o, com apenas um ano de idade, para o concelho de Almada.

Em 1949, participou no Primeiro Salão de Cerâmica em Lisboa e expôs pela primeira vez individualmente as suas obras em cerâmica em 1952, num evento organizado pelo Secretariado Nacional de Informação.

Entre uma exposição e outra fixou-se com os seus pais no Fogueteiro, concelho do Seixal, no local onde actualmente está situada a Escola Secundária Manuel Cargaleiro, a única com o seu nome no país. «E não quero mais nenhuma. Penso que é uma escola que funciona bem e da qual me orgulho e chega-me esta», referiu Manuel Cargaleiro.

A criação de um espaço de formação artística diversificada para os jovens e acessível a todos foi a principal motivação do pintor Manuel Cargaleiro para aceitar conceber um museu com o seu nome no concelho do Seixal.

Pinturas, cerâmicas, serigrafias, azulejos e outras peças decorativas fazem parte da colecção do pintor, que ficará exposta na Quinta da Fidalga a partir de Abril do próximo ano, isto de acordo com o calendário da Câmara Municipal do Seixal, responsável pela construção da galeria e remodelação de algumas alas da Quinta.

O Museu funcionará com duas valências complementares: a galeria de exposições permanentes e temporárias e a escola de formação profissional artística, idealizada por Cargaleiro há quase 20 anos.

«Quando pensei no projecto para o Seixal era no sentido de fazer uma oficina de marcenaria, tipografia, cerâmica e restauro, criando um espaço para formar jovens que estão sem ocupação», afirmou o artista, à agência Lusa.

«Hoje, as obras de arte, sobretudo as dos artistas mais velhos, ficam inacessíveis, acho-as um pouco caras demais. Este museu serve para que a arte esteja acessível a todos os que a queiram aproveitar», salientou o pintor, que possui um espólio de milhares de peças.

«Tenho pena que este projecto não tenha ficado ligado a Lisboa»

«Tenho pena que este projecto não tenha ficado ligado a Lisboa porque sempre vivi em Lisboa e estive sempre ligado à cidade, apesar de viver há 50 anos em Paris», lamentou o pintor.

Em 1990, e a convite da Câmara Municipal de Lisboa, criou a Fundação com o seu nome para avançar com o projecto de um Museu Cargaleiro na Praça, projecto esse que acabou por não se concretizar.

No entanto, cedeu todas as suas colecções à Fundação Manuel Cargaleiro, o que lhe permitiu criar um pólo museológico em Castelo Branco, uma escola de artes decorativas em Vila Velha de Ródão e o futuro Museu-Oficina de Artes Manuel Cargaleiro no Seixal.

O pintor tem ainda outro museu com o seu nome, localizado em Castelo Branco e que também vai ser alvo de uma remodelação para poder acolher mais actividades de formação profissional artística.

Em Vila Velha de Ródão, terra natal de Manuel Cargaleiro, onde também estava prevista uma instalação do mesmo género, vai ser apenas construído um Centro de Formação artística na área do patchwork, um projecto que «está mais atrasado», disse o pintor, à Lusa.

No entanto, o primeiro espaço artístico com o seu nome está em Vietri sul Maré, em Itália, onde tem um atelier e um museu de cerâmica com o seu nome, deslocando-se lá «três ou quatro vezes por ano».»


Quando este tema foi discutido na Câmara do Seixal chamei a atenção para a não existência de cláusulas de garantia do munícipio no protocolo então assinado. Por exemplo diz-se que a fundação se obriga a manter o n.º adequado de peças no museu mas não se especifica o conceito de "adequado", qualquer jurista percebe a armadilha que são os conceitos âmbiguos. E esta questão preocupa-me porque com tanto museu (Itália, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão e agora Seixal) não sei se há obra que chegue para tanta encomenda. No entanto a maioria (secundada pelos Vereadores do PSD) não viu nenhum problema nesta questão.
No entanto o verdadeiramente hilariante desta discussão foi a resposta de um dos senhores Vereadores à minha intervenção, disse ele: "O senhor Vereador sabe que o Mestre Cargaleiro foi vizinho do Picasso em Paris?" Como se eu tivesse cometido a maior heresia... Não, não sabia (mas também não me interessava). Na altura não respondi, em especial por respeito ao meu interlocutor (e à diferença de idades que nos separa) e ainda porque de facto há argumentos realmente irrebatíveis... Mas cá para mim pensei, e então? Com a quantidade de porteiras portuguesas que há em Paris, também muitas devem ter sido vizinhas do Picasso e a gente não lhe fica com os quadros nem com os paninhos de crochet!

Conto esta história porque para mim é reveladora dum dos principais problemas do Seixal, somos pequeninos, vivemos agachados e não temos tido (enquanto comunidade) capacidade de nos afirmarmos.
Faltam elites na nossa terra.

9 comentários:

Mariana disse...

Sr. Vereador,
Não posso deixar de lhe relatar aquilo a que assiti hoje na baia do Seixal.
O Clube Luz e Vida tem vindo a desenvolver actividades de canoagem, ali junto ao local onde estava o barco restaurante. Enquanto o meu filho esperava, com ar apreensivo a sua vez de entrar num barco e se fazer à água, a meia dúzia de populares que ali se encontra dialogava sobre o lixo ali acumulado, especialmante um Senhor de cabelos brancos e idade para ser meu pai, que estava muito indignado com o lixo ali acumulado.
Realmente, Sr. Vereador, se tiver uns minutos disponíveis não deixe de ir lá espreitar e aproveite para dar um passaio ao longo da baia. É um local agradável para se passear com a família.
Estávamos todos nesta conversa sobre o lixo, quando um dos responsáveis do Clube (meu amigo e que não nomeio o nome, porque não lhe pedi autorização para tal) e que ouvia a conversa, viu passar o Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Seixal a quem chamou e disse para lhe perguntarmos a ele quando é que vinham limpar a baia. O Sr. Presidente tentou explicar que não tinha homens na junta disponíveis para a limpeza e que de vez em quando pedem aos Escuteiros para fazer a limpeza, acrescentou ainda que os lismos e as algas também não fazem assim tão mal. Ainda disse ao Sr. Presidente que o problema eram as garrafas de plástico, de cerveja e congéneres que ali se encontravam e a única resposta que obtive foi de que isso é falta de civismo. A determinada altura e perante a indignação das pessoas o Sr. Presidente ainda disse que estava disposto a arranjar um grupo para limpar a baia e ele próprio faria parte desse grupo. Ficamos à espera que o Sr. Presidente concretize essa ideia...
Ora, nós sabemos que o lixo nas ruas é falta de civismo, mas nãó é por isso que deixam de existir pessoas a limpar as ruas e que fazem disso profissão e até pode a Junta não ter capacidade para colocar um homem a limpar a baia, mas e a Câmara Municipal tem falta de trabalhadores? não tem um homem, ou uma mulher, que possa uma vez por semana limpar a baia? Estou um pouco como dizia um Sr. que ali se encontrava: "para fazer um roço no chão estão quatro a olhar e um a trabalhar, para limpar isto não há ninguém". É que o que incomoda não são os lismos e as algas, há garrafas de água, de cerveja, recipientes de iogurte, etc., até um recipiente com restos de cilicone ali se encontra.
Nós sabemos que o lixo ali acumulado tem a ver com falta de civismo, mas com certesa, pelo menos pareceu-me, o local onde o palco das festas foi montado estava limpo, porque não foi limpa a baia? será que os trabalhadores da Câmara não podem descer a escada que dá acesso ao rio? ou a Câmara penvava que a maré levava o lixo e não era preciso limpar aquele espaço?
Sr. Vereador vá ver com os seus olhos e verá que não se admite que num local pisado por crianças e graudos, entre os 4 e os 80,se acumule quela quantidade de lixo.

Anónimo disse...

...a maré também traz o lixo...são limos não lismos...o Sr vereador já tomou nota e vai falar com o Ministro do Ambiente e a APL porque por lá também há muita gente sem fazer nada.

Anónimo disse...

Já agora não lhe passou pela cabeça, ainda que levemente, em dar o seu contributo não? E os responsáveis do Clube, também não?
Olhe da próxima vez deposite o lixo no recipiente próprio...

Anónimo disse...

Que piada, quando se fala contra a Câmara, logo vêem os defensores.
Realmente, Sr. Anónimo, no Ministério e na APL ´há muita gente sem fazer nada, mas também há muita gente nas oficinas da Cucena sem nada fazerem senão subirem e descerem no elevador.
Ainda há cerca de duas semanas andaram a limpar os restolhos em Paio Pires, estavam SEIS empregados da CMS e metade da manhã passaram-na na pastelaria da rua.
Realmente, há muito lixo por este concelho, se clahar também a precisar de ser colocado em «recipiente próprio»...

Anónimo disse...

Para o anónimo das 23:23 um conselho, se não sabe para si não tente ensinar os outros. Limos e lismos têm o mesmo significado. O uso de qualquer uma das duas palavras está correcto.

Jorge Pieta disse...

O problema é sempre o mesmo. Todos os anos cria-se um programa de jovens para limpeza de locais (Ponta dos Corvos, etc). Este ano estes programas foram deslocados para as zonas históricas (uma vez que a limpeza nas ruas tem vindo a diminuir). Como é obvio o Presidente da Junta não tem culpa que as correntes tragam o lixo para o Seixal mas... poderia criar e solicitar à Camara condições para que a baía (pelo menos as suas margens) se mantenha limpa. Com estas condições ainda se admiram de os clubes do Seixal terem cada vez mais dificuldades em angariar atletas para as modalidades de vela e canoagem. Pedir apoio aos clubes é sempre algo possível mas, tambem aqui, cada vez se pede mais e dá-se tão pouco.

Jorge Pieta (http://porcatudonamesma.blogspot.com/)

Anónimo disse...

É uma verdade incontestável que no nosso concelho faltam elites. Para a CDU/PCP só é essencialmente necessário o pessoal das barracas e do fato de macaco tudo o resto é superfluo.

Anónimo disse...

Lismo e limo com o mesmo significado? não diga isso a ninguém do Minho...
Já agora qual foi o Dicionário que consultou? É que isso é importante.O que consultei não os dá como sinónimos.
Os livros cientificos também não...

Gramsci disse...

http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
Aqui pode verificar que é a mesma coisa.
Os meus parabéns a esse senhor que faz confusão entre lismo e limo. Isto porque até parece ter lido ou estar a ler o Capital. Mas, caro anónimo, o Capital, lá por ser vermelho, não é um dicionário.
Se se dirigir a uma livraria e pedir um dicionário, penso que o conseguirá arranjar.

Google