«O cenário de sombras do Dr. Carvalho»

[por José Assis in Setúbal na Rede]

«O Dr. Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP-IN, num evento organizado pela Federação Distrital de Setúbal do PS, para o qual foi convidado aliás, disse que o governo só não decidiu a carga policial sobre as pessoas, aquando da crise provocada pela paralisação das empresas de camionagem, porquanto eram os patrões que estavam a fazer a "greve", afirmando que se fossem os trabalhadores certamente que essa carga seria prontamente decidida. Uma pérola, este Dr Carvalho da Silva.

O Dr. Carvalho da Silva foi convidado pela organização distrital de Setúbal do PS para participar na sua 2ª ediçao da Universidade de Verão, num debate cujo tema foi "o futuro do sindicalismo".

Ainda bem que aceitou o convite, pois reconhece que no PS as pessoas são livres para emitir as suas ideias e sabe, concerteza, muito bem, que poderia dizer o que pensa que nada lhe aconteceria, o que sucedeu, mesmo que o dissesse á sua boa maneira agitadora. O D. Carvalho da Silva sabe que os socialistas são naturalmente democratas. Terá a mesma opinião dos comunistas? Imagine, Senhor Dr, o que seria se uma pessoa, por exemplo em plena festa do Avante, fosse a um dos palcos e afirmasse, por exemplo, que o Secretário-geral do PCP só está no PCP por interesse diverso do que diz possuir, ou que o próprio partido deveria ser ilegalizado porque permite que as FARC permaneçam na dita festa.

Contudo, o Dr. Carvalho da Silva, livre de dizer o que pensa, deveria pensar antes de dizer o que, entendo eu, corresponde a mera especulação, desnecessária e provocatória, de resto reflectindo uma forma de actuar que está viciada, sem cura á vista, com uma obsessão de dizer mal dos governos, que o retira da realidade e o coloca muito para além da ficção.

A afirmação sobre o que se poderia passar num cenário imaginado, e com protagonistas colocados pelo próprio, para tirar conclusões graves e delas se valer, nos termos em que foi, só cabe numa cabeça encafuada e pouco arejada. Um exercício ao nível do que de melhor existe por esse mundo fora, onde o regime comunista tristemente ainda impera.

O Dr. Carvalho da Silva, porque emitiu a sua opinião terá, agora, que ouvir a dos outros. Ou teria porque me parece que não tem essa abertura.

Já terá o Dr. Carvalho da Silva reflectido sobre o que passam os trabalhadores nas autarquias da peninsula de Setúbal, onde o partido, que integra, é maioritário, quando ousam emitir opinião política legítima contrária á dominante nos serviços, compostos por funcionários partidários ou militantes; ou quando esses trabalhadores não fazem greve, um direito constitucional que lhes assiste.

Seguramente que reflectiu. Fosse eu tão ousado quanto o Dr. Carvalho da Silva e, num quadro imaginado diria: são perseguidos e não progridem nas carreiras. Mas não é necessário conjecturar para se concluir como, na realidade, serão tratados esses trabalhadores, vítimas de um poder que os esmaga, porque em vez de estar ao serviço de todos, está ao serviço de um projecto político-partidário: a resposta é simples: são perseguidos e não progridem nas carreiras.

O Dr. Carvalho da Silva já perguntou, em primeira linha a si próprio, como são tratados os eleitos nesses Municípios que representam partidos contrários á maioria? Dirá: estamos fora do âmbito sindical. Pois bem, no âmbito dos direitos fundamentais, digo eu. Faça um conjunto de sessões com os trabalhadores das autarquias, sem a presença do controleiro ou funcionário do partido e retire as suas conclusões. Já agora entende o Dr. Carvalho da Silva que é bom para a democracia os serviços públicos autárquicos estarem, nas Câmaras comunistas, cheios de funcionários do partido que os governa, e digo funcionários profissionais, ou seja, do quadro profissional desse partido estando ao serviço do seu projecto politico interno, em primeiro lugar?

O Dr. Carvalho da Silva naturalmente gosta de falar em liberdade, mas esforce-se e fale da liberdade que uns ainda não têm nos seus postos de trabalho, em razão da sua opinião política, que deve ser livre. Já agora se for falar com os trabalhadores, nessas autarquias, pergunte quantos estão a recibos verdes. Provávelmente porque estará o controleiro perto a sua resposta será: "estou a recibo verde e gosto de estar assim, foi sempre este o meu sonho". E num momento, gloriosos de entusiasmo revolucionário, todos gritarão que... a luta continua.

Dr. Carvalho da Silva espero que se o vir aqui para os lados da Arrentela, onde terá uma casa, não me venha responder que sou um burguês à moda antiga, porque os filhos dos trabalhadores também têm cabeça para pensar.
Uma mensagem para os democratas que convidaram o Dr. Carvalho da Silva: há males que já não têm cura e que fazem, cada vez mais, pior à nossa sociedade.»

2 comentários:

Anónimo disse...

Dr. Samuel Cruz sou funcionário da câmara,subscrevo o seu texto e mais não digo porque nele já está tudo dito. Obrigado

outsider disse...

Completamente de acordo, porém acho que a defesa dos direitos dos trabalhadores da C.M.S. não deve ser apenas uma tarefa deste ou daquele sindicato. A vereação (em particular) da oposição deve fazer de advogado do diabo. Uma achega porém: é mais fácil fazer este discurso na oposição, pois se sairmos da órbita Seixalense podemos verificar que as injustiças existem em todo o lado, e os mecanismos de avaliação dos funcionários públicos estão longe de ser objectivos, logo são mato de injustiças, "amigismos" e "partidarites", e esses foram de forma Simplex autorizados pelo P.S.

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