De quem é a culpa?

"Sempre defendi o SNS (Serviço Nacional de Saúde). Quer isto dizer que sou defensor de um serviço de Saúde público. Defendo-o não apenas por tal resultar de um princípio constitucional mas por entender que a saúde não deve ter por objecto finalidades que só visem o lucro.
Isto não significa, que não reconheça que a mobilização dos recursos orçamentais com a saúde, devem ser objecto de uma cada vez maior eficiência da gestão. Na verdade o facto de hoje as pessoas viverem muito mais anos do que num passado recente, exigindo este facto um acompanhamento médico, preventivo e curativo mais oneroso,
deparamos com a existência de novas doenças como a SIDA que consomem recursos públicos muito elevados e fundamentam o que refiro quanto à necessidade de ser introduzidos mecanismos inovadores para uma gestão racional dos meios e recursos existentes.
Esta é uma questão séria que deve ser debatida com seriedade com os interesses postos no bem comum e na qualidade da vida e não defendida demagogicamente.
Quer isto dizer que concordo com bastantes medidas que o governo tomou nesta área da saúde, que vieram no sentido da racionalização dos meios e recursos existentes, sem afectar a defesa dos cuidados de saúde pública nem as medidas preventivas e curativas
que delas resultam.
Hoje, por exemplo ninguém põem em causa a introdução dos medicamentos genéricos nem a alteração de regras com farmácias incluindo o incentivo às chamadas farmácias sociais.
De igual modo, pouco ou nada se fala já de algumas maternidades que encerraram nem de serviços de urgência que foram reequacionados,estas considerações vêm a propósito da necessidade dos Seixalenses ganhar de forma crescente a consciência de que muitas
das reivindicações que a CDU apresenta na Câmara e na Assembleia Municipal através do seu braço, para estas questões, a chamada comissão de utentes da saúde, não têm razão.
Postas as questões nestes termos a minha preocupação maior como cidadão responsável tem a ver com o facto do Distrito de Setúbal no seu conjunto e no Concelho do Seixal também, apresentarem uma média de médicos por 1000/habitantes significativamente inferior à média nacional.
Sucede que, apesar de existirem 6 hospitais neste distrito por mais hospitais que se abram esta situação não se alterará, ora não há saúde que resista se não houver médicos suficientes para tratarem dos cidadãos.
Na perspectiva com que encaro o problema da saúde, entendo que as autarquias e nomeadamente a autarquia do Seixal também tem responsabilidades pelo deficiente número de médicos no distrito,uma vez que não criam condições de atracção para que haja uma resposta positiva de todos aqueles que quisessem, se outras fossem as condições existentes, de se fixarem nestas paragens. Eu que por exemplo, sempre defendi o hospital no Concelho do Seixal como um Hospital de proximidade, entendo que sendo justo lutar por ele é também justo recordar que muitas das medidas tomadas por este governo no domínio da saúde são correctas, o que a CM do Seixal deve reconhecer, face à evidência, assumindo também a sua quota de responsabilidade do estado do concelho que não é atractivo paraos médicos nele se fixarem.
Também aqui a culpa é sempre dos outros? Recordo que das 10(DEZ)vagas que recentemente o Ministério da Saúde abriu no Concelho do Seixal para médicos, apenas
2(DOIS) decidiram vir para o Concelho do Seixal – de quem é a culpa? Não me venham com a história da falta de médicos por que isso não ocorreu noutros Concelhos inclusive na área Metropolitana de Lisboa.
Apesar do Concelho do Seixal, ser propagandeado pela CDU como um concelho modelo, não têm afinal a capacidade de ser atractivo para os médicos desenvolverem aqui a sua actividade? De quem é a culpa?"


Nuno Tavares
Presidente da Comissão Politica do Partido Socialista.
Líder da Bancada do PS na Ass. Municipal do Seixal

2 comentários:

outsider disse...

Aqui é que não estamos de todo em acordo: De facto, se, e num concelho do litoral os médicos não querem trabalhar, o problema excede claramente a esfera da "atractibilidade". De facto, o nosso sistema de saúde público não atrai de forma óbvia os profissionais médicos em virtude de duas realidades: os incentivos económicos que encontram nos privados ( e que não poderemos responder em virtude da crise, e da triste constatação que o sistema de saúde mais caro da Europa (per capita) não gera a qualidade que dele se espera, e do real desinvestimento que o modelo "tendencialmente" gratuito tem introduzido na gestão dos sucessivos ministérios da Saúde ( isto numa clara responsabilidade do modelo "bloco central" tão propalado pelo PS/PPD/PSD/CDS.

Dar as Câmaras essa responsabilidade, é fazer aparecem mais grupos sócio-profissionais "massajados" pelo poder político. Atentemos nos Sr's Professores ("Vulgo Comunidade Educativa", na linguagem boletim municipal), que em tempos de vacas gordas foram extensivamente ofertados com "buffetes" e "beberetes" e "prendetes" tudo para satisfazer e clientelar os opinion makers das criançinhas e dos seus votantes paizinhos.

Importa assim aos governos deste pais, exigir de uma classe elitizada ( e proveniente normalmente das elites", vide estudos do perfil de entrada nas UNIvs.) o cumprimento com as necessidades reais do pais que os forma e lhes dá a hipótese de atingir níveis de realização (económica e de status) impossíveis para a restante população que deles, e do seu know how necessita. Depois e em verdade se diga, a gestão Hospitalar tem sido como, tudo o resto, a distribuição de tachos às maiorias partidárias que dá jeito.

Saudações democráticas

Bruno Ribeiro Barata disse...

Apesar de concordar com algumas considerações que fez, gostaria de sublinhar a mensagem que entendi do artigo:
Quem gostaria de morar no Seixal? muito poucos certamente, e é no que existe por fazer pela Câmara que reside o problema principal.

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