Um contributo para uma nova visão de ordenamento de território

Por iniciativa do Jornal do Seixal, a quem dou desde já os meus parabéns, realizou-se um jantar com debate sobre a terceira travessia do tejo, acessibilidades ao distrito e ao concelho do Seixal.
Foi um debate participado com elevado nível dos convidados Vítor Ramalho, Bruno Dias, Luís Rodrigues, Alfredo Monteiro e José Manuel Palma. Como era natural o tema foi abordado por diversos prismas e nem sempre a convergência de opinião se encontrou, mas percebeu-se um amplo consenso politico à volta da necessidade da terceira ponte ser dotada das vertentes rodo e ferrovia, ainda que, estranhamente, o Deputado Luís Rodrigues tenha mostrado profundas reservas ao investimento ( influências da nova líder do PSD Manuela Ferreira Leite?)
Considero que nem sempre se perspectiva a problemática da mobilidade e do ordenamento do território, tocando nas raízes mais profundas do problema.
Discute-se se deve haver mais vias, mais meios de transporte; se deve haver mecanismos dissuasores da utilização de transporte individual, criando portagens para obrigar o cidadão a deslocar-se no transporte colectivo; mas não se discute as razões que levam à necessidade do ordenamento e da resolução dos problemas da mobilidade.
Todos assistimos de manhã e à tarde às infernais filas de transito, às filas de espera dos transportes colectivos e durante o dia abrandam estes fluxos, o que significa que os movimentos se devem, em grande parte, à necessidade de deslocação de e para o emprego.
Sabemos que em termos médios o residente no concelho do Seixal para ir trabalhar para a margem norte gasta, pelo menos, duas horas diárias em deslocação, independentemente do meio de transporte que utiliza.
Sabemos também que o movimento não se faz só de sul para norte como também de norte para sul, com residentes na margem norte a deslocarem-se para o seus empregos na margem sul.
É possível contribuir para reduzir significativamente estes fluxos actuando ao nível da legislação laboral.
A sociedade no seu todo tem que criar mecanismos de incentivo à permuta de emprego, permitindo que a administrativa que vive no concelho da Amadora e trabalha no Seixal troque o seu emprego com a administrativa que vive no Seixal e tem o seu emprego na Amadora. O mesmo se diga para qualquer categoria profissional que não revelando nenhuma especificidade própria pode perfeitamente permitir a permutabilidade.
Sei que esta nova visão da mobilidade inter empresas choca o status quo legislativo, mas é preciso inovar e ser pioneiro face às novas necessidades e às novas realidades.
Não tenho dúvidas que um estudo sério sobre esta matéria poderia contribuir para que se avançasse em alterações legislativas que, gradualmente. poderiam contribuir para a redução dos fluxos pendulares de deslocação de e para o emprego.
Não ficaria satisfeita a cabeleireira que residindo no Seixal e tendo o seu emprego em Lisboa lhe fosse dada a possibilidade de permutar o seu emprego com outra profissional cabeleireira que vivendo em Lisboa tem que se deslocar diariamente para o Seixal?
Senhores Deputados, Senhores Membros do Governo olhem mais profundo para os problemas da mobilidade e estou certo que acolherão a ideia aqui lançada por alguém que não sendo especialista em ordenamento do território, também sabe que as especialidades só por si não resolvem e não encontram as soluções mais adequadas.
Os partidos políticos e os sindicatos devem ter uma nova filosofia sobre a empregabilidade e sobre a estabilidade dos postos de trabalho. A poupança de tempo e de recursos exige uma análise série destas questões.
Outra questão que é preciso colocar em cima da mesa para contribuir na resolução dos problemas do ordenamento do território na área metropolitana de Lisboa, está directamente relacionada com a regionalização mas, e acima de tudo que o Governo, ao nível dos benefícios fiscais "obrigue à deslocalização das empresas" para o interior.

Deixemos-nos de paliativos e encare-se o problema sem rodeios. A modernização das vias de comunicação só veio agravar o problema da desertificação do interior do País. É chegada a hora de criar mecanismos que levem as empresas para o interior. Para isso é necessário "sacrificar" as grandes urbes para que as populações migrem para o interior.

Somos um País pequeno e estou certo que nos concelhos mais próximos da fronteira espanhola há solos que podem ser afectados à industria e construção sem influir negativamente na agricultura e, de uma vez por todas, se proíba a desclassificação de solos agrícolas de primeira classe nos concelhos periféricos de Lisboa e toda a orla marítima.

Enquanto os Governos não tiverem a coragem de "empurrar" as empresas para o interior, não haverá REN, RAN e REDE NATURA que resistam à pressão do crescimento da população e consequente crescimento do mercado do betão.

Enquanto a construção seja o elemento financiador de excelência dos municípios estes não abdicarão de continuar a destruir os ecossistemas locais.

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo totalmente com o Vereador Samuel. Com as pessoas a ter prioridade em caso de igualdade de qualificações e resultados em concursos para trabalharem nos stios onde moram talvez não fosse necessário tão grandes investimentos em transportes publicos. Sem duvida nenhuma que a qualidade de vida das populações melhorava imenso. Mas depois punha-se um problema por exemplo como é que o director financeiro da camara do seixal dava emprego às sobrinhas e às primas se algumas não moram no concelho nem mesmo na margem sul? Sim porque na camara do seixal da família do director financeiro há já perto de uma duzia.

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