Publicado no «Comércio do Seixal» de hoje



Tema Nacional:
A ASAE deve ser o garante dos direitos do consumidor e tem aí desempenhado um importante papel, havendo até quem já lhe chame, justamente, a “polícia do consumidor”. Contudo, não devem ser utilizadas práticas fundamentalistas como as que se têm verificado em certas áreas, desvirtuando inclusive as características identificadoras de um povo. Recordo-me, por exemplo, do encerramento da Fábrica de Rebuçados de Portalegre que sempre existiram com qualidade, mas que à luz das imposições da ASAE morreram, perdendo-se uma actividade tradicional. O excesso de zelo nesta área destroi a cultura de um povo.
Acresce que escrevo este texto em Paris e acabei de beber um café retirando o cubo de açucar de uma tigela, depois de ter retirado a mostarda de um pote com uma pequena colher de pau, presumo que tal prática em Portugal tivesse como pena o encerramento imediato do dito restaurante.
Parece que as nossas queridas tabernas, agora, só o podem ser se forem de luxo. Com esta análise não digo que o presidente da ASAE se deva demitir, mas que deve haver uma reflexão para aquilatar os níveis de actuação e adequá-los à realidade das variadas áreas onde actuam.
Quanto ao relatório interno, a mentira tem sempre perna curta e, uma vez mais, isso se provou. Não será caso para demissão, mas antes para reflexão.

Tema Local:
Desde a primeira hora que me manifestei frontalmente contra este projecto, e isto por duas razões fundamentais:
1 – Trata-se da criação de um novo núcleo urbano e tal é errado, a prioridade deve ser dada, em termos urbanísticos à recuperação do património edificado, à construção que “cosa” a malha urbana, rematando-a e só por último à criação de novos núcleos urbanos. E isto porque não só se poupa solo destinado a outras actividades, nomeadamente agrícola que funciona como reserva ambiental, como se evitam enormes custos futuros quando for a Câmara a responsável por manter e substituir todas as infra-estruturas que agora vão ser criadas por privados. Recordo, sobre este tema, que a Câmara Municipal do Seixal, já não consegue sequer substituir as canalizações de água da Freguesia de Fernão Ferro, as quais, na sua esmagadora maioria, contêm amianto na sua composição.
2 – Este local encontra-se num local protegido pela Rede Natura (Reserva Ecológica Europeia) e é essa protecção resulta não só do facto de aí existem espécies endémicas que urge proteger (em especial os habitats das lagoas), como também por ser um importante corredor de ligação ecológico entre a Lagoa de Albufeira e a Baía do Seixal e daí, consequentemente, ao estuário do Tejo.
Acresce que a revisão do novo PDM prevê que área ainda agrícola naquele local passe a ser urbanizavel, situação com a qual também não estou de acordo e para a qual todos devem estar alerta. Criar mais betão numa zona que deveria ser preservada pela sua vertente ambiental, é um erro que sairá caro demais. O preço do progresso não pode ser assim tão alto, há que manter o Pinhal das Freiras como está, a Verdizela merece e o Seixal merece.

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