Rúbrica na Rádio Baía - 13.03.2008

Realizaram-se, na passada sexta-feira, as eleições internas do PS. Foram três, as listas a sufrágio, o que só vem dar provas de grande vitalidade do partido a nível concelhio e o quão salutar é, a existência de um confronto de ideias. O acto foi bastante participado, cabendo-me apenas felicitar a lista vencedora e prestar honra aos vencidos por mais esta prova de cidadania democrática.
Há, contudo, alguns pormenores que merecem ser revistos rapidamente, a bem de um célere aperfeiçoamento da democracia interina do PS. Começando pelo suporte de tudo o resto que são os cadernos eleitorais pouco actualizados. Existem ainda outros factores merecedores de uma avaliação cuidada, mais concretamente no que diz respeito aos processos de funcionamento. Por exemplo, as escolhas dos candidatos autárquicos que, do meu ponto de vista, deveriam ser escolhidos através de eleições directas para que, dessa forma, se possa revelar a posição de todos num determinado momento de importância máxima para o partido.

No Seixal assiste-se, sem nada fazer para mudar esse rumo, à crescente destruição do património, algo que, para não fugir à regra, também se verifica no antigo parque oficinal da Câmara Municipal do Seixal. De momento o referido parque encontra-se sem vedações e em completo estado de abandono e de puro vandalismo. Perante a minha dúvida quanto ao porquê daquele estado, a Câmara revelou apenas que “era difícil manter a segurança naquele espaço” e que, brevemente, onde outrora havia vedações ir-se-ão erguer muros de tijolo. Aguardarei com uma certa curiosidade para ver se não será mais uma obra prometida e não cumprida como tantas outras. Retenho na memória três portos de recreio e três hotéis que eram bandeira de uma notícia dos idos anos de 2004 antecipando o que seria em 2006. Acontece que já vamos em 2008 e desses projectos, nada.
E já que falo de infra-estruturas ligadas ao Turismo – ainda que inexistentes – gostava de convidar os que me ouvem e que têm acesso à Internet, para visitarem a página da Câmara Municipal do Seixal, mais concretamente a sua secção de Turismo. Na área de documentos irão, seguramente, ficar admirados com o facto de, a passagem do tempo não se fazer sentir nas informações ali presentes. Mais ainda, se olharem para as publicações referentes aos «Programas Turistico-Culturais no Concelho do Seixal». Irão seguramente encontrar dados para programas turísticos de 2006!... São só dois anos de atraso.

Também merecedor de uma nota de destaque, mas esta pela positiva, para a abertura de um Tribunal de Família na Comarca de Almada. Pode não parecer que diga respeito ao nosso Concelho, mas o que é facto é que esta abertura vai desanuviar os processos que se iam correndo os seus termos no Tribunal do Seixal.

Um tema que também não posso deixar de mencionar prende-se com a manifestação dos Professores que, segundo os números tornados públicos, terá juntado perto de 100 mil professores de todo o país. Não sei se o número será o exacto, para mais ou para menos, mas isso também não é o que interessa para o problema. Certamente, mais haverá que, estando contra as políticas do Governo, não marcaram presença nesta manifestação por uma qualquer razão. Todavia, um número tão grandioso de manifestantes merece um reflectido olhar do Governo para meditar e agir sobre tão conturbado tema. Sejam 80 mil, sejam 100 mil, os números quando atingem esta grandeza já pouco importam. Importa isso sim ver como é que se pode solucionar a questão no sentido de a avaliação dos professores poder ser feita em moldes mais condizentes com a realidade prática e não com a teoria de um gabinete.
A proposta já apresentada por António Vitorino de optar por um regime experimental nesta matéria parece-me sensata e razoável.
Outro tema quente deste fim-de-semana, até pelo aparato final com uma morte às mãos da ETA, foi as eleições em Espanha. Apesar das ocorrências, José Luís Zapatero voltou a vencer claramente. O PSOE conseguiu eleger 169 deputados contra os 153 do PP. Olhando para o país vizinho, questiono-me acerca da necessidade de, em Portugal, serem criadas regiões administrativas. Será que algum do nosso atraso tem que ver com a falta de uma regionalização? É que, Espanha cada vez mais se distancia economicamente de nós, e eu só consigo ver aquele país como uma federação de vários estados, de autonomia suficiente para essa evolução.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nem sempre os que mais gritam são os que mais razão têm. Os professores sempre foram uma classe com poder economico bastante para suportar as greves e tudo o mais. Isto só prova que na maioria das greves não tinham assim tanta razão não estão tão mal pagos como foram dizendo. Num pais pobre é feio que haja uma ou duas classes profissionais que sendo já privilegiados ainda queiram mais privilegios em detrimento doutros trabalhadores da administração publica. Quanto ganha um professor no fim de carreira e quanto ganha um tecnico superior do regime geral da função publica com o mesmo tempo de serviço? Ambos têm uma licenciatura. O que é que justifica que os professores ganhem muito mais que os outros tecnicos do estado? E que trabalhem muito menos horas no fim da carreira? Quem é que garante que as 1ooooo pessoas eram professores? Ao que consta eram os que tendo-se candidatado a professores não conseguiram vaga eram reformados e gente que está no fundo de desemprego. Se todos os trabalhadores da função publica vão ser avaliados pela nova legislação porque é que os professores hão-de achar que estão acima de toda a gente? Espero que a Ministra mantenha os suas orientações já dadas porque de outra forma verifica-se que quem governa não é o governo é quem mais grita e mais manifestações faz mesmo que não tenha razão.

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