Fernão Ferro - Depósitos ilegais de sucata e ferro-velho


Moradores exigem actuação da Câmara Municipal do Seixal

Já fizeram milhares de quilómetros para levar a muitas terras o maior espectáculo do mundo. Agora encontram-se em Fernão Ferro, nos Redondos, na Praceta Rio Homem, a dar um triste espectáculo sem glória para ninguém.Os reboques e caravanas de um circo da família Cardinali há anos que ali estão em estado de abandono, e ao que parece vieram para ficar. Há cerca de três anos, mão criminosa ateou fogo ao local, transormado em cemitério de sucata, causando ainda maior desolação e degradação do meio ambiente. Este é mais um exemplo pouco dignificante, igual a muitos outros, que se vêem um pouco por toda a freguesia de Fernão Ferro e provocam a indignação dos moradores, que se queixam do baixo nível de qualidade de vida existente e da falta de fiscalização dos serviços municipais. Maria Amaral, residente nos Redondos, em declarações ao Notícias da Zona refere que «é lamentável que a Câmara Municipal do Seixal não veja a quantidade de lotes particulares que estão a ser utilizados como depósito de tudo e mais alguma coisa e não obrigue os seus proprietários a respeitarem o meio ambiente e quem aqui habita», e desabafa: «parece que vivemos no terceiro mundo». Isabel Mira, também moradora nos Redondos, diz que «antes tinha um curral no lado esquerdo da moradia, agora no lado direito tenho um depósito de ferro-velho. Se calhar eu é que estou mal aqui», e acrescenta «será isto uma referência da qualidade de vida que temos em Fernão Ferro?»
De um modo geral, a maioria das pessoas que se queixaram ao NZ considera que este problema ambiental é também um factor de desvalorização da área e a falta de uma cultura cívica e urbana, que só existe porque a autarquia não intervém como lhe compete. Aos problemas ambientais juntam-se outros de maior perigo. Paulo Basílio, vice-presidente da Associação de Proprietários de Pinhal de Freiras e Quinta da Lobateira salienta que «a segurança das pessoas não pode permitir o alheamento das autoridades competentes», e aponta o exemplo do armazenamento de bilhas de gás, «como aquele que temos na área da nossa associação e que nos inquieta a todos». Indignado, deixa no ar estas interrogações: «Será que a Protecção Civil, o poder local e até os respectivos ministérios da tutela têm conhecimento da existência destes depósitos? Existe fiscalização regular das normas de segurança? O que é que as autoridades tencionam fazer para sossegar a população? Se houver uma tragédia de quem será a culpa?» Fazendo eco das queixasdos moradores, o NZ denunciou à Câmara do Seixal o caso da sucata abandonada pelo circo, e alguns dias depois o Gabinete de Informação e Relações Públicas deu-nos a seguinte resposta: «A Divisão de Fiscalização Municipal foi de imediato ao local e já foi solicitada a identificação do proprietário do referido lote, afim de ser notificado para a remoção da sucata». No entanto, a autarquia não parece sensibilizada com a situação, pois já passaram dois meses desde o contacto efectuado pelo NZ e continua tudo na mesma.

FERNANDO S. REIS
Publicado no Jornal Notícias da Zona edição de segunda-feira 18 de Fevereiro a 2 de Março de 2008

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