Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico

Nos últimos dias tem-se dicutido na Blogosfera Local o modelo de desenvolvimento túristico para o concelho do Seixal, tendo por base a proposta de construção de um Parque temático, contida na mensagem de Ano Novo do Dr. Fonseca Gil, Presidente do PS local e aqui publicada.
Debrucemo-nos então sobre o assunto. A análise dos indicadores económicos do concelho revela-nos que actualmente a actividade túristica é, no concelho do Seixal, puramente residual. Talvez alertada para este facto a Câmara Municipal do Seixal e a Universidade de Aveiro celebraram em 2003 um protocolo do qual resultou o denominado Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo no Concelho do Seixal.O objectivo desse Plano passava por construir "um modelo com capacidade para desenvolver, de forma integrada e sustentada, o Turismo ao nível local".
Com isto mais não se pretendia do que vender o destino Seixal, tentando conferir-lhe uma imagem de diferenciação qualitativa, de modo a incentivar e atrair um maior número de visitantes ao Concelho, bem como, simultaneamente, desenvolver o tecido empresarial, virando-o para actividades associadas a projectos que dissessem respeito ao Turismo Cultural, nas suas vertentes paisagísitca e educacional.
Até aqui tudo bem, o objectivo foi bem enunciado.
Contudo, acima de tudo, e antes de qualquer avanço, é preciso pensar na génese da questão: "O que faz as pessoas deslocarem-se ao Seixal?"
Neste momento, nada.
Para contrariar este facto, no âmbito do Plano Estratégico, pretende-se criar duas Rotas, uma com um pendor mais arqueológico-industrial, e, outra mais virada à vertente ecológica e da faina no Rio Tejo. Ambas as Rotas visam um interesse comum, que passa por criar espaço a uma oferta de produtos, com a intenção de estruturar o Seixal de uma oferta de recursos ao visitante, que o chame ao longo de todo o ano.
Na primeira rota propoem-se a visita aos moinhos de maré, fábricas da pólvora e cortiça (Mundet)e Alto Forno da Siderurgia Nacional e na segunda rota propôem-se passeios nas zonas estuarinas, com a observação da avifauna, estaleiros navais e eco-museu municipal.
A preocupação ideológica de valorizar o factor trabalho, no modelo preconizado é evidente, assim como é evidente o caractér universitário e afastado da realidade deste estudo.
Alguém imagina grandes fluxos de turistas a querer visitar o Alto Forno da Siderurgia Nacional?
Claro que não, umas turmas escolares obrigadas a isso talvez, uns especialistas na matéria concerteza e talvez os antigos trabalhadores a mostrarem o seu local de trabalho aos netos. Isto será expectável e louvavel, mas não mais que isso, este modelo não cria riqueza no concelho do Seixal e em nada contribuirá para elevar os niveis de qualidade de vida de quem aqui habita.
É aqui que entra, e muito bem, a ideia defendida pelo Dr. Fonseca Gil, a criação de um verdadeiro pólo de atractividade no concelho do Seixal. A discussão de todos os pormenores desta visão estratégica é, na minha opinião, neste momento, extemporânea. Fica o contributo do Dr. Fonseca Gil para ultrapassar o marasmo reinante, e penso ser este esforço que a oposição ao Partido Comunista no Concelho do Seixal deve valorizar.
E agora o mito, nos últimos tempos têm-nos feito querer que a dinamização da Baía é o grande desígnio estratégico do desenvolvimento turístico do concelho do Seixal, deveria ser, mas não é! Como já se viu anteriormente o preconizado no estudo da Universidade de Aveiro, documento estratégico seguido pela Câmara Municipal, é a criação de duas Rotas distintas, a arqueológico-industrial por um lado, e a da faina no Rio Tejo, por outro.
Mas como não poderia deixar de ser o já sobejamente referido estudo fala em equipamentos de apoio à naútica, vulgo marinas ou ancoradouros, cito ".../... propõe-se a criação de condições para a prática de desportos náuticos não poluentes dirigidos aos visitantes. Estas actividades deverão ser desenvolvidas com o apoio das associações locais, devendo ser previstas condições para que os equipamentos náuticos possam ser acostados na Ponta dos Corvos."
Lembram-se do tão criticado projecto do Partido Socialista durante a campanha eleitoral?
Pois é, no projecto de PDM que me chegou às mãos, na Ponta dos Corvos estão previstas duas marinas...
E para terminar a cereja em cima do bolo, do mesmo plano estratégico, cito:"Área Wireless de Acesso Gratuito
Sendo expectável a procura por segmentos de mercado muito bem definidos, propõe-se que a zona da Ponta dos Corvos seja convertida numa área wireless de acesso gratuito, dado que isso promoverá a atracção destes segmentos de mercado e funcionará como um elemento emblemático da área."

Parece-me que este barco anda sem timoneiro...

2 comentários:

Velas do Tejo disse...

«A medida do amor está naquilo que cada um pode dar»

Ovídeo

O que me parece curioso é que com tanto interesse estratégico na náutica de recreio e na atracção de actividades para a Baía, o orçamento camarário para actividades de animação da baía para 2008 é de 1000€.

Conseguem entender as palavras de Ovídeo?

Li todo o plano de fio a pavio, até ao final do primeiro trimestre de 2008 serão públicamente conhecidas as minhas reflexões sobre o tema.

Ponto Verde disse...

Residem aqui grandes equívocos, quer da CMS, quer do PS Seixal, que tem posições semelhantes ao PC da Moita.

O primeiro dos equivocos reside uma visão pacóvia e até fascizante do património e da história.

O segundo prende-se com as motivações turisticas.

O terceiro prende-se com a infraestruturação dos lugares, são elas feitas para residentes ou para visitantes?

E outros mais haverá por aqui (a desenvolver amanhã em www.a-sul.blogspot.com)...

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