Baía do Seixal - Que pena só olharem para ti agora

A Baía do Seixal pode vir a ser um ponto de encontro para os nautas de recreio, o modelo de desenvolvimento desta actividade para a zona está a ser desenvolvido, sendo necessário a criação de infra-estruturas.
O objectivo é aproveitar os 500 hectares da Baía do Seixal e apostar na náutica de recreio como mote de desenvolvimento túristico. Para tal, a autarquia está a trabalhar num modelo de desenvolvimento da náutica de recreio e do turismo fluvial.
A ideia é boa, mas é pena os executivos do PCP, durante estes 30 anos de governação camarária, nunca terem pensado nisso com a devida atenção, podendo as consequências desse facto serem fatais. Fruto desse desleixo directivo, toda a envolvente da Baía se recente quer no plano paisagistico, quer no plano funcional e ambiental.
Para começar, a paisagem à volta da Baía, fruto do desordenamento urbanístico e do desleixo no cuidado dos imóveis não é propriamente um chamariz para se vir passear de barco ao Seixal. É que se olhar das margens para a Baía é um espectaculo grandioso, já olhando da Baía para as margens, a paisagem não é das mais agradáveis para quem pretende efectuar um passeio de lazer. Se olharmos para a margem da Amora então, o caos urbanístico é total e fatal.
A agravar tudo isto, os canais (ou calas) locais onde se navega na Baía com maré baixa que deveriam ser escavados, naturalmente, pela movimentação do curso natural das águas dos rios ou das Valas Reais que entroncam na Baía, perderam essa capacidade inata, fruto de uma má gestão ambiental. Isto porque, com a construção e a consequente impermebialização a montante, estes cursos de água perderam caudal e já não escavam nada por si só. A função natural não se proporciona por culpa da intervenção não-pensada do Homem. Acresce a tudo o que já foi dito o facto de, os esgotos que durante anos a fio foram despejados na Baía, a terem assoreado de todo o tipo de detritos, o que motiva que uma qualquer intervenção que agora se pretenda fazer, faça o calendário correr largos anos, já para não falar nos custos que essa intervenção comportará.
Mas já sabemos que a Câmara virá dizer que a culpa é do Governo que deve desassorear a Baía esquecendo-se que em 1974 esta era navegável e aqui viviam menos de 30 mil pessoas.

P.S: Quem aqui escreve é velejador e é acima de tudo nessa qualidade que assina este post.

6 comentários:

Rogério disse...

Pois é Samuel,
Tens toda a razão quanto aos anos que se perderam, tens razão quanto à questão do ordenamento, ambiente, etc...
Quanto ao modelo de desenvolvimento turistico que falas, aposto contigo o que quiseres, que não passa mais uma vez de uma intensão ou de um suposto projecto igual a tantos outros que se perderam no tempo.
Como filho desta terra, é com uma brutal desilusão e porque não dizê-lo, com muita tristeza que vejo esta Baía absolutamente abandonada por estes incompetentes. É o maior espólio existente no concelho, porém aquele que menos aproveitado é. É caso para gritarmos quase em perfeito desispero: Irra que são burros!

Filipe de Arede Nunes disse...

Exmo. Sr. Vereador.
Subscrevo inteiramente este seu artigo, na medida em que me revejo em todos os pontos levantados.
O maior património do concelho foi votado ao abandono durante os últimos 30 anos de uma gestão ruinosa desta maioria comunista.
O estado lastimoso a que o concelho chegou exige medidas drásticas.
Basta ver nos exemplos diariamente levantados por algumas das forças vivas desta terra, onde incluo o Sr. Vereador.
Se é verdade que por vezes discordamos, este não vai ser o caso.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Anónimo disse...

A Baia do Seixal é hoje o que uma gestão de mediocres fez dela.Hoje dói ver o que o PCP foi deixando acontecer.
O tão apregoado desenvolvimento sustentado do Sr. Presidente da Camara em todos os boletins municipais não passou de retorica fraudulenta. Como é possível alguem falar de desenvolvimento num municipio onde o esgoto escorre a ceu aberto nas margens da baia? O que poderia ser um motivo de orgulho para quem cá vive está tornado no que se vê incluindo as barracas "turisticas" que nasceram numa das margens.O futuro não pode pertencer a estes senhores que se comportam como se o seixal não fizesse parte dum pais democratico.Com o maior desprezo pelos direitos e interesses da população. A Baia é de todos nós queremos usufruir dela como se fazia há várias decadas atras. Queremos melhorá-la. Estes senhores do PCP não podem continuar a privar os 170 000 habitantes deste concelho de um verdadeiro desenvolvimento e progresso.Doi mas doi mesmo ver este pedaço de terra que é a nossa ser tão mal tratada. Tanta mediocridade, tanta incompetencia.Tantos anos perdidos!

Velas do Tejo disse...

E quem aqui comenta é o único instrutor de vela que teimosamente mantém actividade na Baía:

Há 20 anos atrás estudava na Escola Preparatória Paulo da Gama, todos os dias passava pelos estaleiros Venâncio - então situados em frente ao núcleo antigo da Amora - Quinze anos pasaram desde que o estaleiro foi desactivado, nessa altura, embarcações com calados de 4/5 metros navegavam até lá.

Nos dias de hoje, nas melhores marés temos 2 / 2,5 metros de água na mesma zona.

É impressão minha ou a Baía está a desaparecer?

Se avançarmos 20 anos encontraremos uma imensidão de 500 hectares de pântanos?

E a selvejaria das poitas? E o abandono ou parqueamento ilicito de embarcações nas margens? E toda a construção que secou os lençois friáticos que na baixa mar lá iam "escavando" as calas?

Considerando a cultura do Pato-Bravo, será que o objectivo é secar para ter mais espaço para construir?

Estou expectante e atento relativamente a esta temática.

Velas do Tejo disse...

Agora me recordo...

Acho que as afirmações neste artigo não são necessáriamente precisas... vejamos, em 1995 falavamos do famoso Plano de Valorização da Baía... Queimou papel durante uns dois anos e hoje, para além do esquecimento colectivo, é mais um parco da incompetência e mentira vermelha.

Velas do Tejo disse...

Agora me recordo...

Acho que as afirmações neste artigo não são necessáriamente precisas... vejamos, em 1995 falavamos do famoso Plano de Valorização da Baía... Queimou papel durante uns dois anos e hoje, para além do esquecimento colectivo, é mais um parco da incompetência e mentira vermelha.

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