Sobre a proposta de aprovação de suprimentos à CDR – Agência de Desenvolvimento Regional de Setúbal, S.A.

Uma das ideias erradas que a Câmara Municipal do Seixal faz passar, através dos seus diferentes agentes de propaganda, é que no Seixal não existem empresas municipais. Bom, empresas municipais (aquelas que segundo a lei existem para prosseguir fins públicos) não existiram mas existem empresas privadas, que na sua génese visam o lucro (Sociedades anónimas e sociedades de responsabilidade limitada) de cujo capital social a Câmara Municipal do Seixal é sócia ou accionista. É este o caso da CDR cujo presidente do conselho de administração era, até à pouco tempo, o presidente da Câmara Municipal do Seixal em representação desta identidade. Sucede que essa empresa não parece fadada ao sucesso e foi, pela segunda vez em pouco tempo, necessário injectar dinheiro fresco na mesma, razão pela qual foi apresentada uma proposta de aprovação de suprimentos, por parte da Câmara Municipal do Seixal à dita empresa CDR, na Assembleia Municipal. Sobre este assunto transcrevo a intervenção do Camarada Fonseca Gil que parece incomodar tanta gente...

"Já por diversas vezes solicitámos ao executivo, na pessoa do seu Presidente, que apresentasse a esta Assembleia Municipal relatórios sobre a situação das empresas participadas pela Câmara Municipal do Seixal.
Já prevíamos que à recusa permanente em informar sobre a situação financeira dessas empresas estaria subjacente situação pouco satisfatória para os interesses do nosso município, razão porque o Senhor Presidente tem evitado informar da situação real.
Mas, não se pode fugir sempre e, é chegado o momento de sermos informados da situação catastrófica de uma das empresas participadas pelo município e na qual duplamente se vê envolvido; primeiro através da Associação de Municípios do Distrito de Setúbal e em segundo, através da participação directa no seu capital social.
Criou-se esta empresa para a promoção do desenvolvimento da região e com o objectivo de promover o princípio da auto sustentação das empresas para a sua estabilidade e dinâmica de crescimento; mas fruto de uma gestão sem visão estratégica, estamos confrontados com a realidade nua e crua; ou os accionistas injectam mais capital ou a empresa fica insolvente.
Pergunto:
A banca não acredita na viabilidade da empresa ou é mais fácil para o Conselho de Administração, através do controlo político, financiar-se junto dos seus accionistas?
Se o passivo ronda os €: 150.000,00, porque razão a administração quer ver injectado na empresa o montante de €: 525.000.00 através dos suprimentos, sem contar com os €: 750.000,00 que dizem esperar receber durante um ano, através de novas entradas accionistas? Para poder continuar a pagar salários sem criação de mais valia e lucro?
Que gestão esta empresa tem tido, que no meio de um ano económico se vê obrigada a elaborar um novo plano de actividades e orçamento? A gestão é de navegação à vista?
Como é possível apresentarem-se junto das Assembleias Municipais para que estas aprovem suprimentos, no caso do Seixal, €:75.000,00, sem que na documentação justificativa seja apresentado um projecto de viabilidade económico financeira da empresa, com parecer favorável dos órgãos de fiscalização ou a caracterização do interesse estratégico que poderia justificar a manutenção da empresa ainda que deficitária?
Senhor Presidente da Câmara e, ao mesmo tempo Presidente do Conselho de Administração da CDR; não concorda que se fosse Administrador de uma empresa de capitais privados e se fosse pedir aos sócios ou accionistas, suprimentos, da forma primária como o faz aos accionistas da CDR, no mínimo, o que lhe poderia acontecer era ser imediatamente demitido, por falta de rigor na forma de gerir? Mas o senhor não está preocupado com isso porque sabe que as suas maiorias comunistas nas Assembleias Municipais são dóceis e fáceis de contentar e, como o dinheiro que lhes pede não sai do seu bolso, mas do bolso dos munícipes, naturalmente que a sua confiança é total e é para si muito mais fácil arrecadar, desta forma, mais uns milhares de euros para serem gastos ao serviço de clientelismo do que ir junto da banca e pedir um financiamento a quem teria que demonstrar que iria aplicar o dinheiro de forma rentável e produtiva, o que naturalmente aqui não faz.
A esta forma de gerir dinheiros públicos, sem qualquer responsabilização, para serem canalizados para criação de fundos e sacos azuis, é pouco consentânea com os interesses dos munícipes do nosso concelho e da nossa região.
O Partido Socialista não embarca nesta falta de responsabilidade e por isso votará contra este saque aos cofres do município e suspeita que os salários em atraso que se dizem existir mais não sejam do que pagamentos de boas benesses a gente bem colocada e pouco preocupada com os atrasos nos recebimentos das suas chorudas comissões; porque se assim não for, gostaríamos de ver o Partido Comunista, na rua, a lutar contra estes gestores capitalistas em defesa do proletariado da CDR."


P.S: Sobre as restantes empresas debruçar-me-ei oportunamente.

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