Ao meu tio Jorge Vale

Ontem comemorou-se o dia mundial da diabetes e houve boas notícias para os portugueses que sofrem da doença. O Governo decidiu comparticipar a 100 por cento mais duas armas terapêuticas, a insulina de acção lenta e a terapêutica com bombas infusoras. As medidas eram reclamadas há já alguns anos e vão beneficiar “alguns milhares de doentes” a partir de Janeiro, disse o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos.


Não poderia deixar passar esta notícia sem referir o meu tio Jorge Vale, excelente cozinheiro que iniciou a sua carreira como actor e depois de diversas pesquisas nacionais e investigações internacionais se dedicou aos prazeres da culinária, fazendo da sua Casa da Comida (na foto) e do Conventual restaurantes com uma cozinha criativa de grande qualidade, sempre inspirada nos pratos tipicamente portugueses e que, justamente, foram detentores das únicas estrelas Michelin da cidade de Lisboa durante boa parte da década de 90.
Infelizmente para o Jorge aliou este invulgar talento a uma diabetes complicadíssima que o viria a vitimar, era impossível resistir a tanta tentação!
Tio, lembramo-nos de ti, sempre com muita alegria.

1 comentário:

Gramsci disse...

A todos os que morreram e sofrem da diabetes



“...
Quero navegar pelos seus rios, quero

desembarcar e perguntar por antigos usos,

quero falar com as mulheres às portas

e vê-las quando chamam pelos filhos.

Quero reparar como usam aí

a paisagem, fora, no trabalho antiquíssimo

dos prados e dos campos; quero desejar

ser levado à presença do seu rei

e quero, subornando-os, levar os sacerdotes

a deitarem-me diante da mais vigorosa estátua

e a partirem e a fecharem os pórticos do Templo.

Depois, quando souber já muitas coisas, quero ainda

simplesmente contemplar os animais, para que algo

da sua mutação se introduza nas minhas

articulações; quero ter uma existência breve

nos seus olhos que me seguram

e lentamente me soltam, serenamente, sem me julgarem.

Quero que os jardineiros me digam

muitas flores para que eu aos cacos

dos belos nomes próprios acrescente
um resto das centenas de perfumes.

E quero comprar frutos onde por dentro

se encontra de novo o país, até ao céu.
...”


“Requiem por uma amiga”

Rilke, Rainer Maria

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