O que faltou dizer

Ontem realizou-se no Auditório Municipal do Seixal o Encontro de Recepção à Comunidade Educativa, enalteceram-se os elevados níveis de escolaridade da população aqui residente, o que não é novidade, pois corresponde à habitual propaganda do regime autárquico instalado.
O que faltou dizer foi que de acordo com a Carta Educativa do Seixal, documento aprovado no final do ano transacto, faltam construir no concelho do Seixal 28 novas escolas, e que dessas 28 escolas que faltam construir 22 são da exclusiva responsabilidade do município. Sendo ainda a vigésima terceira da responsabilidade partilhada do município e do Governo Central. Esta realidade faz com que a cobertura ao nível dos Jardins de Infância no Concelho do Seixal seja pouco mais que irrisória e que a esmagadora maioria das escolas de 1.º ciclo funcionem em turno duplo. Realidade bem diferente do que se passa por esse País, onde a cobertura da Rede Pré-escolar é já uma realidade e o turno duplo nas escolas do 1.º ciclo uma lembrança do passado. Assim os pais têm que fazer um esforço redobrado para encontarem soluções que satisfaçam a sua necessidade de deixar as crianças enquanto trabalham, sendo certo que apenas existem duas opções nesta situação, o recurso à família ou à rede privada com os custos daí advenientes.
Como se não fosse ainda suficiente o martirizar dos encarregados de educação com esta dura realidade, a Câmara Municipal do Seixal ainda se recusa a ser parceiro do Ministério da Educação no desenvolvimento das AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular), actividades que têm por objectivo promover a igualdade de oportunidades, nomeadamente proporcionando aos discentes actividades nos seguintes âmbitos:
- Apoio ao Estudo
- Ensino de Outras Línguas Estrangeiras
- Actividade Física e Desportiva
- Ensino da Música
- Expressões Artísticas
- Outras Actividades, dos domínios científico e tecnológico, de ligação da escola com o meio, de solidariedade e voluntariado e da dimensão europeia da educação.
A adesão é gratuita, mas facultativa e de acordo com o estipulado no Despacho da Ministra da Educação, são apenas de implementação obrigatória o Apoio ao Estudo e o
Ensino do Inglês, para os alunos dos 3.º e 4.º anos.
Recusando-se a Câmara Municipal do Seixal a participar nesta meritória iniciativa tiveram de ser mais uma vez os professores e os pais a substituirem-se a esta, constituindo-se parceiros do Ministério da Educação.
Na área da Educação não conheço Comissões de Utentes... Curioso, não é?

5 comentários:

Anónimo disse...

Existem comissões de pais e é natural que não os conheças quem não sai dos gabinetes acontece isso, não é a toa que os comunas dominam esta treta e assim vai continuar infelizmente, somos dominados por burocratas resulta nas legislativas mas nas autarquias continuaremos a marcar passo.

Samuel Cruz disse...

Caro anónimo,

Penso que não percebeu o alcance da minha afirmação, conheço as associações de pais do concelho e temos (os Vereadores Socialistas)relações institucionais com as mesmas. Penso que têm o seu papel e que o seu trabalho é meritório, no entanto considero que não têm que se substituir à Câmara Municipal, nomeadamente no que concerne às AEC.
Resumindo, na minha opinião as Associações de Pais são o veículo priveligiado da participação dos encarregados de educação na vida da escola, ao passo que as associações de utentes são o veículo priveligiado do PCP para promover a agitação social.
Grato pela atenção dispensada,

Anónimo disse...

É curioso é e bem falta faziam para te esclarecer sobre estas matérias de educação sobre as quais só dizes barbaridades.

Samuel Cruz disse...

Já não bastava as acusações serem anónimas, ainda são ofensivas e não concretizadas. Enfim é um estilo, mas sempre lhe digo que por mais que reflicta não consigo perceber como é que este tipo de atitude pode ajudar a melhorar algo.

Anónimo disse...

"(...)Realidade bem diferente do que se passa por esse País, onde a cobertura da Rede Pré-escolar é já uma realidade e o turno duplo nas escolas do 1.º ciclo uma lembrança do passado.(...)"

O que se passa por esse País é de facto muito diferente do que se passa nas áreas metropolitanas...
Aí basta construir um Jardim de Infância para a cobertura passar de 0% para 100%. Também aí não é necessário construir escolas mas sim fechá-las pois não existem alunos (e mesmo onde existem também as fecham) e portanto aí a questão do regime duplo não se coloca.Aí não se podem lembrar do que nunca existiu.
O que faria o Ministério se tivesse a ideia de por despacho inventar umas AEC para as escolas do 2º e 3º Ciclo e consequentemente tivesse que passar essas escolas para regime normal?
Por certo faria como até aqui, recorreria aos fundos comunitários que têm financiado essas contruções do ME a 75%, possibilidade que nunca foi conferida às autarquias.

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